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    Almas Mortas - (As aventuras de Chichikov) (Poemas em prosa)

    Nikolai Gógol

    Ediouro
    1989
    276 páginas
    9h 12m
    ISBN-11: 8500314443_
    Português Brasileiro
    4.1
    1730 avaliações
    Leram2838Lendo312Querem5325Relendo6Abandonos136Resenhas195
    Favoritos1Desejados5325Avaliaram1730

    Almas Mortas e O Inspetor Geral, de Gogol, constituiram dois marcos extraordinários na história da literatura russa. Ali, até o início do século XIX, as obras formadoras e dominantes da língua haviam sido as do poema e da épica, sobretudo as de Lomonossov e as de Puschkin. Com Gogol, a prosa adquiriu o status de arte e a realidade do país revelou-se, com o espanto de muitos, para além de sua aparente leveza de burla, um retrato amargo, impiedoso e grotesco da sociedade. Por isso mesmo, a idéia central do romance, sugerida por Puschkin após a leitura de uma nota jornalística, permitiu a Gogol pintar brilhantemente uma enorme variedade de personagens, cuja força reside em seu poder de caracterizado do universal pelo específico, o que levou Puschkin a dizer, apesar de toda comicidade ali destilada: "eu não ri, chorei; Deus, como é triste a nossa Russia". Assim, a denominação "almas mortas" constitui não apenas a metafora de um golpe ou de uma prática ardilosa no regime czarista, mas ainda uma expressão de até onde pode ir o decaimento do espírito humano, a contradição em que ele pode entrar com todo o padrão ético e fundamento religioso da existência. Este duplo retrato é o que certamente torna perene a obra, o riso "gogoliano" que, até hoje, chega ao leitor, não só em sua textualidade autoral, como no rastro que deixou na literatura de Turguêniev, Dostoiévski, Babel, na poesia e no teatro, o que representa, sem dúvida, o signo maior da visão e da força de linguagem deste escritor russo-ucraniano.

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    Clio picture
    Clio18/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Normalmente, clássicos são dramáticos, românticos, intimistas... mas, Almas Mortas engana pelo título. Ele não é nada disso. Na minha opinião, esse livro é duas coisas: hilário e deprimente, porque trata sobre corrupção. Corrupção estatal, social, vínculada a todo e qualquer mecanismo econômico. Corrupção individual, desmoralizadora, que transforma os seres humanos em deboches de si mesmos. O personagem principal, Tchitchikov, é um canalha de marca maior. Não aquele consciente de si mesmo, tipo Brás Cubas, mas aquele que julga que tudo que faz é justificado pela sobrevivência e pela opressão da própria vida. É uma pena que esse é um livro incompleto... Eu adoraria saber como essa história terminou.

    138 curtidas

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