Agatha Christie foi a primeira autora pela qual me apaixonei. A primeira que me fez querer ter a coleção completa - o que não seria tão difícil, já que meus pais já tinham uns quantos livros dela quando a descobri (por influência deles, aliás), então minha missão é só completar (confesso, parei a minha busca nos sebos e, consequentemente, ainda não tenho todos os livros). Enfim, desde meus 12, 13 anos Agatha Christie está presente na minha lista de leitura e todo mundo sabe disso. Tal como na época do orkut, uma das primeiras páginas que passei a acompanhar no Facebook era dedicada a ela: Agatha Christie Brasil. E foi através dessa página que eu soube da campanha de arrecadação do Tito Prates para publicar a biografia que ele, um brasileiro, fez da Rainha do Crime, uma inglesa.
Apoiar o projeto foi algo automático pra mim já que, fã de biografias e fã da Agatha, não poderia deixar pra depois meu apoio. Paguei o boleto no mesmo dia e esqueci completamente. Quando, em setembro, o livro chegou aqui em casa, foi uma surpresa maravilhosa. Não demorei a começar a ler - mas demorei para terminar. Não, a leitura não é chata, mas extremamente informativa. Aliás, não consigo ver o trabalho de Tito Prates como uma biografia, mas sim como um detalhado dossiê sobre a vida da autora britânica.
Ou seja, "Agatha Christie from my heart" é uma leitura que merece ser feita junto com um mergulho pela obra da autora. Infelizmente não pude fazer isso desta vez, mas, assim que completar minha coleção, retomarei o dossiê feito por Prates e (re)lerei as obras de Agatha seguindo a cronologia de publicação. Na medida do possível, seguindo as referências dadas por Prates, resgatarei até mesmo as adaptações cinematográficas.
Não é uma leitura fácil, mas é necessária para qualquer fã de Agatha Christie. Tito Prates me fez rever a imagem que construí de Max Mallowan após ler a autobiografia da autora (na época, não fui muito com a cara dele. O biógrafo brasileiro de Agatha me fez ver um Max fascinante que a fez extremamente feliz). Também me fez repensar a repulsa pela publicação de "Os crimes do monograma", escrito por Sophie Hannah e publicado em 2015 (repensar, mas não o suficiente para concordar com esse jogo de marketing).
A única crítica que se pode fazer ao trabalho de Prates está muito longe de ter relação com a sua pesquisa, mas sim com a revisão da obra. Algumas falhas de grafia são encontradas, mesmo com nomes de autoras reconhecidas como Jane Austen e J. K. Rowling (também inglesas), além de deslizes no português (o que é completamente aceitável, levando em conta que boa parte de suas pesquisas tiveram por base a língua inglesa e, quem já passou por isso sabe, quando estamos imersos em uma língua estrangeira cometemos deslizes absurdos na nossa língua materna). Porém, levando-se em conta que o livro é resultado de uma iniciativa independente e, mais que tudo, possui informações densas e provavelmente muito difíceis de serem ordenadas, tais falhas são perdoáveis e facilmente ignoradas.
É fã de Agatha Christie? Então não deixe de comprar esse livro. É obrigação de toda fã da autora tê-lo em sua coleção.