The secrets of alchemy -

    Lawrence M. Principe

    University of Chicago Press
    2013
    281 páginas
    9h 22m
    ISBN-13: 9780226103792

    Em "The secrets of alchemy", Lawrence M. Principe, uma das principais autoridades no assunto, tira a alquimia das sombras e a restaura ao seu importante lugar na história humana e na cultura. Pesquisando o que a alquimia foi e como ela começou, se desenvolveu e entrecruzou com uma série de ideias e atividades, Principe elucida esta prática. Ele vividamente retrata o lugar da alquimia durante seu auge na Europa pré-moderna, e então explora como a alquimia se encaixou em visões mais amplas do cosmos e da humanidade, tocando em sua permanência na literatura, belas artes, teatro e religião, assim como sua recente aceitação como objeto de estudo entre os historiadores da ciência. Ademais, ele apresenta o leitor a alguns dos mais fascinantes alquimistas, como Zósimo e Basílio Valentino, cujas vidas pontuam o longo reino da alquimia desde o século III até os dias presentes. Através de sua exploração dos alquimistas e suas épocas, Principe junta as peças de obscuros e fragmentados textos para revelar os segredos da alquimia e as utiliza para recriar vários das mais famosas fórmulas em seu laboratório, incluindo as de "vidro de antimônio" e a "árvore do filósofo". Esta abordagem única aproxima o leitor do verdadeiro trabalho da alquimia mais do que qualquer outra obra.

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    Bruno Godinho06/02/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A alquimia entre ciência e cultura

    O livro de Principe é muito bom, do ponto de vista da história da ciência. E por esta razão ele falha em explicar quais eram as razões culturais para a crença em alquimia. Como podemos ver, muitos dos experimentos descritos são baseados em coisas observáveis: a "árvore de Hermes (Hermes' Tree)" é nada mais que uma reação dentro de um recipiente, que cresce no formato de uma árvore. Isto, no entanto, não é suficiente. Principe — como o resto dos autores que seguem uma estrita vertente de "história da ciência" — não entra nas questões mentais históricas que tornaram possível e, mais importante, crível para alguém ver uma árvore onde nós vemos apenas uma reação química. O ponto de vista da história da ciência é muito bom para explicar as principais correntes científicas e filosóficas que a alquimia seguiu da Antiguidade à Era Moderna. Mas eles (os historiadores da ciência) escolhem ignorar razões antropológicas e sociológicas para a crença em alquimia: não é suficiente saber o que aconteceu materialmente por trás das palavras místicas de um texto alquímico; deve haver uma explicação que inclua o que aconteceu mentalmente também. Isto foi tentado (e mais tarde repudiado por esses mesmos historiadores da ciência) desde o <i>Esboço de uma teoria geral da magia</i>, de Marcel Mauss e Henri Hubert. Esses cientistas sociais franceses abriram as portas para a famosa interpretação de Mircea Eliade em <i>Ferreiros e alquimistas</i>, sem mencionar a relevante — embora historicamente imprecisa — interpretação junguiana. Eu fui, de início, muito impactado pela história da ciência e isso conflitou bastante com minha formação acadêmica de historiador e medievalista crivada pela influência da historiografia francesa (historiadores como Marc Bloch, Jaques Le Goff, Georges Duby). Uma releitura tardia de Eliade, à luz de Mauss-Hubert e até mesmo Claude Lévi-Strauss, me fez perceber os problemas das interpretações dos historiadores da ciência. O que me incomoda é que Principe, junto com William Newman, tem sistematicamente repudiado uma história cultural e fechado a si mesmos numa bolha, negando e criticando essa abordagem. Parece que a história da alquimia só pode ser escrita como história da ciência. Por isso, só posso recomendar aos outros leitores que esse livro é muito bom por um ponto de vista historiográfico. Para uma leitura mais cultural, são poucos os trabalhos que podem ser lidos: <i>Esboço de uma teoria geral da magia</i> (1902; lançado pela Cosac Naify no Brasil), de Marcel Mauss e Henri Hubert (cuja abordagem não tem a alquimia como objeto central, mas estabelece uma fundação para uma análise sociológica e antropológica do problema); <i>Psicologia e alquimia</i> (1944, lançado pela Vozes no Brasil), de Carl Gustav Jung (com ressalvas em relação à contextualização histórica); <i>Ferreiros e alquimistas</i> (1956, lançado pela Zahar no Brasil), de Mircea Eliade (com a ressalva de que faz parte de um pensamento complexo, que entrecruza história das religiões e antropologia); embora ainda não tenha lido todo, <i>Alchemy, prophecy and the End of Time</i> (2009, sem tradução brasileira), da historiadora Leah DeVun, apresenta uma abordagem cultural interessante, levantando a história dos movimentos apocalípticos e escatológicos do fim da Idade Média para contextualizar o pensamento do alquimista francês João de Rupescissa (num sentido mais amplo, <i>Na senda do milénio</i> (Editorial Presença, 1983), de Norman Cohn, explica o contexto em que Rupescissa viveu).

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