Esse primeiro volume é composto por quatro capítulos em que são apresentadas três aventuras aparentemente sem relação entre si. A primeira é sobre uma cidade governada por um líder religioso que dizem fazer milagres, a segunda é sobre uma vila em que os moradores são oprimidos por um péssimo administrador e, por fim, a terceira é o caso do sequestro de um trem. Embora exista uma sequência temporal, as narrativas parecem muito independentes e não passam ao leitor uma sensação de continuidade.
De todas as aventuras deste volume, a que menos me agradou foi a primeira, que também é a maior delas. Nesta parte, a autora ainda não parecia saber como mostrar para o leitor o que as coisas significavam e precisava usar os personagens para descrever tudo, como se suas falas fossem um verbete de dicionário. E o vilão também foi um tanto quanto banal, daquele tipo que narra todo o seu plano para o herói. Porém, depois deste arco narrativo, as outras aventuras e os personagens melhoram consideravelmente, deixando para trás os defeitos que comentei sobre a primeira parte.
Os protagonistas são os irmãos Edward e Alphonse, garotos muito jovens, mas com altas habilidades e com uma maturidade muito avançada para sua faixa etária. E isso é explicado na história através de pequenos flashbacks sobre o passado trágico que eles tiveram, onde descobriram o peso das responsabilidades. A partir disso, vemos que, como consequência de decisões anteriores, os irmãos tiveram uma perda muito grande em suas vidas e agora estão em busca de uma forma de recuperar o que eles perderam.
Adorei a teoria da troca equivalente em que nada pode ser obtido sem se sacrificar algo de igual valor. Essa teoria pode ser aplicada não só na alquimia, mas sim podemos expandir esse raciocínio para todo os campos da nossa vida, fazendo até um paralelo com a relação de causa e efeito. Com isso, é introduzida na trama a informação de um objeto muito importante e do qual os protagonistas estão atrás: a pedra filosofal. Segundo a lenda, essa pedra faz com que o sacrifício da troca equivalente não seja necessário e, desta forma, eles poderiam reaver o que tinham perdido no passado.
Esta é uma história densa e profunda, que nos faz querer acompanhar o restante para saber o que irá acontecer. Mas consegue ainda ter um tom de humor, a autora consegue balancear isso muito bem. Todos personagens são cativantes e todos eles parecem únicos e divertidos. Além de que há toda uma diferença entre as personalidades dos irmãos protagonistas, sendo Alphonse o mais amável e Edward bastante cético e irritadiço, tornando muito engraçadas as cenas em que ele fica indignado e furioso por terem chamado ele de baixinho.
E, por fim, outra coisa que achei incrível nessa narrativa foi a mescla entre ficção científica e magia, e a crítica à religião, mais especificamente ao fanatismo religioso.