Considero Noémia de Sousa uma grande dama da poesia moçambicana, mais que isso, uma dama da poesia africana em língua portuguesa. Uma mulher com uma escrita leve mesmo tratando de assuntos tão pesados como a escravidão, tortura, superioridade branca, senhores, escravos, servos e livres. Utiliza em sua poesia elementos da natureza, chama a lua de irmã, porque por inúmeras vezes ela era a única companhia do povo africano. Seus poemas são clamores constantes em favor da liberdade dos oprimidos que ecoam até aos dias vigentes. Noémia é muito ligada ao Brasil e seu carinho por nossa nação vem estampado em suas escritas. Cita a querida Bahia e também Jorge Amado. Compara o cais da Bahia com o cais africano. Afirma que são os mesmos cais e pede para que Amado nunca se cale. Encerro minha resenha com dois trechos do seu poema dedicado ao escritor brasileiro supracitado:
[...]
Jorge Amado, nosso amigo, nosso irmão
da terra distante do Brasil!
Depois deste grito, não espere mais, não!
Vem acender de novo no nosso coração
A luz apagada da esperança!
[...]
[...]
As estrelas também são iguais
às que se acendem nas noites baianas
de mistério e macumba...
(Que importa, afinal, que as gentes sejam moçambicanas ou brasileiras, brancas ou negras?)
Jorge Amado, vem!
Aqui, nesta povoação africana
o povo é o mesmo também
é irmão do povo marinheiro da Baía,
companheiro de Jorge Amado,
amigo do povo, da justiça e da liberdade!
[...]