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    Os Indiferentes -

    Alberto Moravia

    Livros do Brasil
    1963
    270 páginas
    9h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    30 avaliações
    Leram51Lendo6Querem99Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos2Desejados99Avaliaram30

    É a história de Leo Merumechi, um comerciante sem escrúpulos que se envolve com a filha da amante, usando a sua relação com ambas como uma estratégia para “deitar as mãos” às propriedades da família. Indiferentes, os 4 ou 5 personagens do romance são arrastados por Leo, inconscientemente, para um processo de dominação em relação ao qual demonstram uma inactividade por vezes desesperante. Trata-se de uma reflexão sobre o medo, ou pelo menos sobre a insegurança, que leva as pessoas a deixar-se arrastar pelos outros quando estes demonstram poder. Por outro lado, há as condições materiais. Na esteira do neo-realismo, Morávia aborda a Itália do pós guerra como um meio decadente, onde o acesso à riqueza se reveste de estratégias pouco claras, onde o recurso à burla se torna banal. Este decadentismo ético e moral conduz a uma vontade de afirmação social que põe em causa os padrões morais da época. Saliente-se ainda o facto de se usarem apenas 5 personagens. Este facto, aliado à dinâmica narrativa deixa adivinhar alguma influência do teatro. Acima de tudo, é uma obra sobre a inacção. Indiferença e cobardia resultam em infelicidade. Parece-me ser esta a ideia fundamental do livro.

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    jota 11 picture
    jota 1128/09/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    BOM: um Moravia jovem, com alguns pequenos defeitos, mas já exibindo o talento de grande autor italiano do século XX

    Lido entre 20 e 27/09. Avaliação da leitura: 3,8/5,0 Alberto Moravia (1907-1990), tinha apenas 22 anos quando escreveu Os Indiferentes, uma das obras mais importantes de sua carreira, juntamente com Agostino (1945), O Conformista (1947), A Ciociara (1957), Vidas Vazias (1960), 1934 (1982). Essa história traz cinco personagens que se comportam como se estivessem atuando numa peça de teatro; muito pouca ação se desenvolve fora de salas e quartos e em cada cena os diálogos são bastante extensos e quase sempre crispados, por vezes dramáticos mesmo. Em vários trechos o estado de espírito dos personagens é traduzido diretamente através do que eles pensam, conversam consigo mesmos (introspecção). Os pensamentos são antecipados, quer dizer, são revelados antes que os personagens façam ou digam alguma coisa, reajam com indiferença aos fatos ou às afirmações ou questionamentos dos outros. Eles quase sempre acabam não realizando o que pensam, deixando-se levar pelos outros ou pelos acontecimentos (inação). Há especialistas que enxergam nesse romance uma obra precursora de uma espécie de “existencialismo literário” que, cerca de 15 anos depois, teria em Sartre seu principal autor. Os Indiferentes foi publicado em 1929. E nele Moravia retrata o comportamento de uma típica família da burguesia romana de antes do surgimento do fascismo. Estão presentes nessa história alguns temas que irão percorrer toda sua obra depois: sexo, dinheiro, tédio, alienação. Tudo se passa em apenas três dias, como se esse tempo correspondesse aos atos de um drama teatral com essa mesma divisão. Primeiro conhecemos os personagens, depois a trama em que estão envolvidos e finalmente caminhamos para o desenlace. Leo, o amante de Mariagrazia, uma viúva financeiramente arruinada, tenta seduzir Carla, filha dela e também ficar com a mansão hipotecada onde as duas e Michele, o outro filho, residem; o rapaz é pouco mais que um adolescente, imaturo como a irmã. Carla parece não ver saída para sua situação senão tornar-se amante do amante da própria mãe; ingenuamente Mariagrazia supõe que Leo vem se comportando como um pai para Carla. Michele, por sua vez, se envolve com Lisa, a ex-amante de Leo, bem mais velha do que ele e frequentadora assídua da casa de Mariagrazia. Elas são amigas, mesmo que Mariagrazia lhe tenha roubado o amante anos atrás. O inescrupuloso Leo parece ser o único personagem que sabe o que quer, que não é indiferente à realidade que o cerca, ao contrário dos demais. Tem em Michele um crítico e opositor: o rapaz acusa Leo de querer se apoderar dos bens da família e também sabe de seu caso com a irmã. Discutem frequentemente; próximo do desenlace Michele decide deixar de ser indiferente, compra um revólver e diz a Lisa que irá à casa de Leo matá-lo. Cometerá o crime?

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 30
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas0%
    Alberto Pincherle profile picture

    Alberto Pincherle

    Foi um escritor e jornalista italiano. Escreveu vários livros que se caracterizavam por uma crítica frontal à sociedade européia do século XX que ele achava hipócrita, hedonista e acomodatícia. Em seus escritos são recorrentes os temas da sexualidade, existencialismo e alienação do indivíduo. Criticava a modernidade, o desmoronamento das tradições, a melancolia, a incapacidade de amar e a obsessão pela sexualidade, que considerava uma fuga. Seus romances, contos, peças teatrais e ensaios foram sujeitos a duras críticas e censurados pelo governo italiano. O reconhecimento internacional foi obtido quando Moravia ocupou a presidência do Pen Club entre 1959 e 1962. Vários livros seus foram adaptados para o cinema, os mais famosos são 'O Desprezo' de Jean-Luc Godard e 'O Conformista', do diretor Bernardo Bertolucci, em 1970.

    66 Livros
    25 Seguidores

    Alberto Pincherle