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    O Vento nos Salgueiros -

    Kenneth Grahame

    Tinta da China
    2016
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9789896712952
    Português
    3.9
    361 avaliações
    Leram548Lendo62Querem923Relendo5Abandonos24Resenhas34
    Favoritos0Desejados923Avaliaram361

    Uma das mais belas fábulas de sempre, numa tradução extraordinária de Júlio Henriques. Texto integral, profusamente ilustrado com as imagens originais de E. H. Shepard. Uma história intemporal sobre a amizade e a solidariedade, numa edição irresistível.

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    Resenhas (34)Ver mais
    Luciana Darce picture
    Luciana Darce26/10/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tendo terminado de ler a obra-prima de Kenneth Grahame, a primeira coisa que pensei foi que O Vento dos Salgueiros não fazia jus a figurar numa lista das grandes obras da literatura fantástica. Não tenho minhas dúvidas de que se trata de um clássico. É uma belíssima fábula, doce e melancólica – um livro que eu gostaria de ter lido na infância, para então reler na idade adulta e assim recordar os sentimentos que teria experimentado quando era menos cínica e mais ingênua. De certa forma, acredito que, para ler um livro como este da forma ‘certa’ – se há uma forma certa de ler algum livro – é necessário ter um pouco daquela inocência delicada pela qual as crianças são (ou eram) conhecidas. Acho que me enrolei um bocado nesses primeiros parágrafos, mas é difícil descrever o tipo de afeição, de nostalgia que esse livro te desperta. Nostalgia, saudades de quê, exatamente, ainda não estou bem certa. De um tempo em que o mundo era menos complicado, imagino. Um pouco mais lento. Quando tínhamos tempo para as coisas que são realmente importantes: visitar um amigo, apreciar sua companhia, encantar-se com a mudança das estações, ter a primeira visão do mar... descobrir o mundo pela primeira vez. Fazia tempo que ele estava na minha lista de livros para ler – comprei minha edição no final do ano passado, quando fiz meu primeiro pedido pelo Bookdepository – mas só o tirei da estante após devorar Os Livros e os Dias do Alberto Manguel e me deparar com as notas do autor sobre ele. Podia ter lido direto no computador, porque, tendo sido publicado em 1908, O Vento nos Salgueiros já entrou em domínio público. Vocês podem inclusive encontrá-lo no Project Gutenberg. E há traduções também (embora elas sejam o quádruplo do preço do livro em inglês, que comprei por três reais. Não, sério. Estava em promoção XD). O que acho mais curioso sobre este livro é que seu autor era secretário do Branco da Inglaterra. Confesso que acho difícil conciliar essa imagem com a do escritor de um livro tão delicado. Mas estive pesquisando um pouco sobre o livro e descobri que Grahame começou O Vento nos Salgueiros como uma série de cartas para seu filho, que, no entanto, não viveu o suficiente para ver o final da história. Talvez isso explique o sentimento quase agridoce com que o terminei... A história começa na primavera (aliás, há uma passagem bem demarcada de cada estação; é uma característica bem forte da narrativa). O tempo está bom, há uma certa ansiedade, uma energia no ar... o que faz Toupeira perder a paciência com a limpeza anual de primavera de sua toca, de modo que ele larga tudo, deixa o subterrâneo e inicia um passeio que o levará a encontrar-se, pela primeira vez, com o Rio. Agora, tente se lembrar da primeira vez que viu o Mar (ou um rio, como Toupeira – a depender de sua localidade) – aquela imensidão de céu e água e, bom deus, pode existir tanta beleza e tanta perfeição na terra? É justamente desse ponto de vista de que falava ao começo dessa resenha: O Vento nos Salgueiros é um livro que precisa ser lido com o pensamento naquela capacidade infinita de admiração inata a uma criança. Toupeira é um pouco ingênuo, mas tem uma boa natureza e logo faz amizade com Rato, que vive junto ao Rio – eu diria ainda que ele vive o Rio -, e que abrigará Toupeira em sua casa. Algum tempo depois, Rato apresenta o amigo ao Senhor Sapo, do Salão do Sapo, o camarada mais rico dos arredores. Sapo é um bom camarada, mas impulsivo e cheio de si, sempre com novos projetos que nunca tem persistência suficiente para ver chegados até o fim – até descobrir o automóvel e tornar-se obcecado pelo som de motores e a velocidade do mundo moderno. Para completar a trupe temos o Senhor Texugo, mais velho, a voz da sabedoria – especialmente no que concerne a Sapo. Texugo é meio ranzinza e prefere sua solidão, mas é um amigo extremamente leal, alguém que você sempre quer ter por perto em tempos de necessidade. Há muitas histórias contadas dentro da história de O Vento nos Salgueiros: a descoberta do Rio por Toupeira; as presepadas de Sapo culminando com sua fuga da prisão disfarçado de lavadeira; o desejo de Rato por caminhar pelo mundo; o encontro com o deus Pã (uma das mais belas passagens do livro); o retorno de Toupeira à sua casa, os cuidados de Texugo para com os amigos; o assalto ao Salão do Sapo, tomado por arminhos e furões... Amor, amizade, lealdade, perdão – todos são temas tratados com uma sensibilidade tocante em O Vento nos Salgueiros; bem mais que em tantos outros títulos ditos sérios e mais atuais. É um livro, assim, que extrapola gêneros e classificações – para ser lido, refletido e relido muitas vezes, durante toda a vida. (resena originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)

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    3.9 / 361
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas2%
    Kenneth Grahame profile picture

    Kenneth Grahame

    Grahame nasceu em Edimburgo, Escócia, mas já na infância, depois de perder a mãe, foi mandado pelo pai junto com seus irmãos (sem condições de criá-los) para viver com sua avó às margens do Rio Tâmisa. Era um excelente aluno no St. Edward's School em Oxford, mas não pôde estudar na universidade devido a falta de dinheiro. Ao invés disso, foi mandado para trabalhar no Bank of England em 1879. Aposentou-se em 1907 por causa da saúde, talvez por ter sido baleado certa vez num assalto ao banco alguns anos antes. O casamento com Elspeth Thomson foi infeliz. Só tiveram um filho, Alastair, cego de um olho e com diversos problemas de saúde. The Wind in the Willows foi um livro escrito para Alastair. Alastair suicidou-se numa linha de trem, dois dias antes de seu vigésimo aniversário. Kenneth Grahame faleceu em Pangbourne, Berkshire, em 1932. Foi enterrado no Holywell Cemetery, em Oxford. Seu epitáfio contém a seguinte frase, escrita por seu primo: "À bela memória de Kenneth Grahame, esposo de Elspeth, pai de Alastair, que atravessou o Rio em 6 de Julho de 1932, deixando a infância e a literatura mais abençoados para todos os momentos."

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    2 Seguidores

    Kenneth Grahame