Tratados da Terra e Gente do BrasilL foram escritos, entre 1583 e 1601, pelo Padre Jesuíta Fernão Cardim, nos anos seguintes à sua chegada ao Brasil, quando desempenhou o cargo de secretário do Padre Visitador Cristóvão de Gouveia. O livro manteve-se inédito em língua portuguesa até 1847, embora tenha sido publicado parcialmente em inglês, em 1625, com atribuição a outro autor. Os tratados de Cardim permitem-nos ter um conhecimento da terra brasileira do Quinhentos e dos povos ameríndios, assim como do papel dos Jesuítas nessa região e dos hábitos da vida nos engenhos.
Tratados da Terra e Gente do Brasil -
Fernão Cardim
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Ver maisFernão Cardim; Tratados da Terra e Gente do Brasil
Fernão Cardim; Tratados da Terra e Gente do Brasil, possui 217 páginas, editora Hedra. Fernão Cardim um jesuíta, um dos personagens da Companhia de Jesus no Brasil, foi um dos precursores da História do Brasil, testemunhos significativos. Partiu para o Brasil em 1583, onde permaneceu por cinquenta anos, percorreu o território brasileiro, descrevia aquilo que observava e sentia sobre a terra e gente desse território pelo qual foi verdadeiramente atraído. Entre 1582 e 1590, Cardim explorou as terras das capitanias de Bahia. Ilhéus Porto Seguro, Pernambuco, Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Vicente e São Paulo. Descreve 108 espécies de animais e 64 espécies de flora. Também possui uma admiração por descrever as diversas características, hábitos sociais e culturais dos indígenas. Vivenciais os rituais de antropofagismo e enumerou cerca de 104 nações indígenas. "Entre essas fontes situam-se os roteiros de navegação, de teor essencialmente técnico e os re latos de viagem, estruturados em forma de diário; as cartas narrativas, onde a personalidade do autor emerge de maneira mais evidente, assim como os valores socioculturais; os regimentos, alvarás, requerimentos e outros textos político-administrativos e por vezes econômicos; as inquirições, acerca dos testemunhos dos moradores e do seu contato com os povos ameríndios; os tratados científicos, contendo informações de ordem etnológica, zoológica, botânica, entre tantos outros aspectos dignos de realce; e finalmente as gramáticas, que permitem o estudo das línguas indígenas." Pág 62 Cardim é um homem completo que procura captar o maior número de conhecimentos, observando tode o que o rodeia, um humanista que procura um saber em har monia com o viver e ainda um saber em harmonia com um novo mundo. Mas sempre um saber global, total, que con siga transmitir o maior número de informações aos seus su periores. Nele encontramos o geógrafo, que estuda a terra. o seu clima e a sua habitabilidade; o etnografo, que descreve os povos indigenas, seus usos e costumes, com respeito e co erência; o zoologo e o botânico, que observa com rigor a fauna e flora desconhecidas, descrevendo-as de una forma quase visual; o cronista que traça os hábitos das populações, até mesmo os gastronômicos, e que menciona as missões dos jesuítas, os seus colégios e residências, o estado das ca pitanias, os seus habitantes e suas produções, o progresso ou a decadência da Colônia e as suas causas, assim como os problemas que tinham de enfrentar diariamente, alertando mesmo o poder para as questões a resolver." Pág 66
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