"Eu sou o início, o fim e o meio." Se essas palavras lhe soam familiares, é porque as religiões ocidentais em suas raízes ainda pré-babilônicas foram fortemente influenciadas pelas religiões orientais e Bhagavad Gita, ou os ensinamentos de Krishna, apresenta temas muito conhecidos para os judaico-cristãos. O Brahmanismo, como apresentado aqui, não tem como característica o deus-uno, mas um do qual tudo faz parte. Em certa passagem, afirma-se que aquele que venera outros deuses também o venera, pois eles nada mais são do que parte dele - uma forma inteligente de abarcar uma região conhecida pelo politeísmo. Há uma boa parte de pregações como perdão, amor ao próximo e a fé verdadeira - esse último paradoxal com o texto inicial, fazendo crer que foi um posterior adendo quando a fé tornou-se algo mais sacerdotal. Outras observações mais pesadas referentes às malignidades e como não podia deixar de ser, o ateísmo, também se encontram deslocadas, mas nada que perturbe a leitura. Em seu conjunto, é uma obra bonita que provavelmente soa mais poética em sua língua original, no entanto, para os fans de Raul Seixas e Legião Urbana, é impossível ler certas partes sem cantarolá-las. Pode servir como estudo, mas recomendo pela beleza e curiosidade.






