Ayesha, a volta de ela, de 1905, escrito por R. Hider Haggard, é em teoria a continuação de Ela, de 1887, porém essa obra é o desfecho de uma jornada daquilo que considero o mais próximo de um romance dos mais apaixonantes que já li. Apesar de ser um livro de aventura, como seu anterior, traz consigo mensagens para além de uma simples jornada, mensagens essas que, apesar de não serem tão profundas, são recheadas de reflexões interessantes. A história continua após os acontecimentos da primeira história, nossos protagonistas Horace Holly e Leo Vincey retornam de sua aventura, atormentados pelo vazio deixado por Ayesha. Quando pareciam perder as esperanças, Leo vê Ayesha, sua amada, em um sonho onde ela o guiava pelo mundo até as regiões montanhosas da ásia central. Com esse sinal, a dupla parte em mais uma aventura de mais de 20 anos em busca de sua musa misteriosa e encantadora.
Pois bem, para começar, a história é ótima, diria superior à primeira na questão narrativa. O autor não escrevera a obra devido ao sucesso da primeira, pelo contrário, já era de caso pensado uma continuação e, para além de somente “continuar” sua história, ele esperou 20 anos para então escreve-la, assim como seus personagens levaram esse mesmo tempo após sua jornada.
E aqui falarei de Leo e Ayesha brevemente, ela lhe oferece o poder de governar o mundo inteiro enquanto ele somente deseja que ela seja mortal como ele. Sendo um livro que ainda bebe bastante dos bons e velhos costumes do fim do século XIX, a ideia romântica da mulher se colocar aos pés do homem é engolível. Porém, não admito ela ser a rainha de um povo inteiro que é temida e adorada por vários homens e deixar-se ser submissa a somente um. Isso tira o poder da personagem, que desde o primeiro livro é por si só bem mais interessante que os protagonistas. Leo é um péssimo personagem, ele é um britânico orgulhoso e de moral intacta que sempre zomba ou rejeita os costumes de sua amada, desdenhando-os sempre. Apesar de amá-la, ele ainda mantém esse preconceito mesmo depois do primeiro livro, como se ele só servisse para fazer papel do herói, que quem de fato faz é a própria Ayesha. Não entendo, ele é só um rosto bonito e de corpo atlético, não tendo nada a mais para oferecer.
Apesar de tudo, ambos os livros são ótimos, recomendo para quem busca algo para se entreter.