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    Teatro do sacramento - A unidade teológica-retórico-política dos sermões de Antônio Vieira

    Alcir Pécora

    Editora USP
    2008
    285 páginas
    9h 30m
    ISBN-13: 9788526808119
    Português Brasileiro
    4.5
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    Este estudo se concentra nos empregos oratórios das alegorias do sacramento produzidas pelo jesuíta português Antonio Vieira (1608-1697). Maior pregador do seu tempo, ele as aplica, sob a forma modelar eucarística, à máquina da natureza, ao discurso da história, à Igreja universal, à Companhia de Jesus, à monarquia nacional cristã e ao próprio Rei Encoberto português. Em conjunto, tais empregos montam um magnífico teatro magnífico, extensivo a tudo que há ou ocorre: desde os fatos das Escrituras e das vidas dos santos, profetas e patriarcas da Igreja até os signos da história de Portugal; da hierarquia das leis universais à análoga e proporcional hierárquia das ordens políticas, em que o Rei é cabeça e síntese do corpo místico do Estado. Assim, o teatro sacro, ao mesmo tempo, configura materialmente e interpreta profeticamente os movimentos cifrados do Infinito divino nos limites e ocasiões da cena terrena

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    Biblioteca Pública Municipal Álvaro Guerra05/09/2022Resenhou um livro
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    O lugar-comum das “contradições” de Vieira é herdeiro de uma perspectiva anacrônica, teleológica e laicizante, cujo imaginário sugere um homem repartido em fases antagônicas, nas quais ora predomina o “político”, ora o “missionário”, ora o “profeta”, o “nacionalista”, o “ultramontano” etc. Acreditar, contudo, que pregação e política sejam domínios contraditórios é desconsiderar os nexos da invenção seiscentista dos sermões, fornecidos pela Igreja da Contra-Reforma, pela teologia política da Segunda Escolástica e pelas novas artes do conceito engenhoso. Teatro do Sacramento busca construir um verossímil histórico em que os domínios da Teologia, da Política e da Retórica não se opõem e sequer admitem autonomia entre si, pois isto equivaleria ao fracasso da via unitiva tomista, que postula analogia entre o ente finito da criatura e o puro ato de ser de seu Criador. A metáfora aplicada pelo orador é análoga à que o próprio mundo e a natureza forneceriam do Deus de que estariam impregnados. Neste quadro, ornatos dialéticos são legítimos instrumentos tanto da razão de Estado como da economia salvífica. Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. Basta reservar! De graça!

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