Se alguém não gosta de Shakespeare, o problema não está em Shakespeare, mas em quem não gostou de lê-lo. Neste volume estão todas as comédias de Shakespeare, que muitas vezes são mais dolorosas que engraçadas, mas sempre com final feliz. Há também os ditos “romances”, que tem uma estrutura que poderia ser de tragédia e drama em alguns momentos, mas tem final reconciliatório.
Tenho que assumir que se dou 5 estrelas para as comédias, se eu pudesse daria 6 estrelas para as tragédias, pois estas me impactaram mais. Uma comédia se tornou a minha segunda peça de Shakespeare favorita, após o Rei Lear, e é o Mercador de Veneza. Está comédia, mais trágica do que cômica, mostra o sofrimento que alguém pertencente a uma minoria, no caso um judeu, tendo uma oportunidade para minimizar o preconceito contra ele prefere se vingar do que agir dignamente, e isso lhe custa caro no fim das contas. Shakespeare é sempre atual e por isso o Mercador de Veneza me lembra muito o revanchismo que certas pessoas de minorias buscam invés de justiça, o que os corrompe e ao mesmo tempo piora a situação de outros que não querem revidar e nem se vingar da maioria, mas apenas querem paz.
Outra peça, esta um grande clássico, A Megera Domada é engraçadíssima com o casal mais adorável (e nada briguento) do teatro: Petruchio e Catarina. Essa peça é suficiente para deixar algumas pessoas revoltadas hoje em dia, o que a torna ainda mais divertida. Já em Comédia dos Erros há vários qüiproqüós que lembra muito o Chaves, ou melhor, Chaves lembra muito Shakespeare (por isso mesmo Chespirito, pequeno Shakespeare). Em As Alegres Comadres de Windsor temos também uma peça divertidíssima que se tornou uma joia através da ópera homônima de Verdi. Já Cymbeline não me atraiu tanto, mas da mesma forma, todas as peças tem ao menos momentos geniosos. Diria que Shakespeare é um dos melhores comediantes de sua época e de sempre, perdendo apenas para seu contemporâneo Miguel Cervantes, este insuperável com seu Dom Quixote. Então Cervantes é rei da comédia e Shakespeare rei da tragédia.