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    A cripta dos capuchinhos -

    Joseph Roth

    Difel
    1985
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9781585673278
    Português Brasileiro
    3.8
    3 avaliações
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    Joseph Roth escreveu A cripta dos capuchinhos no exílio e publicou-o em 1938, um ano antes da sua morte. Somente em 1950, no entanto, ele pôde ser editado na Alemanha. A cripta dos capuchinhos é o relato autobiográfico de um descendente da família Trotta, cujo destino Joseph Roth entrelaçou em seu famoso romance A marcha de Radetzky. A princípio, seu relato confronta-se com a vida despreocupada e inútil da juventude aristocrática de Viena, anterior à primeira guerra mundial. Com o deflagar da guerra vemos aflorarem as dúvidas de Trotta, que é impelido a escolher entre o regimento de gala, da aristocracia à qual pertence, e outro, formado pelos cidadãos comuns, a gente do povo. Optando pela decadência, pela fragilidade e pela recusa, em vez do progresso, da força e da imposição, Joseph Roth nos mostra o isolamento de um indivíduo sensível que pertence a uma geração ainda inconsciente da derrocada dos seus valores, da falta de sentido de suas crenças. Através de um pequeno número de personagens, Joseph Roth nos oferece todo o panorama de uma época de transição, desiludida do passado e temerosa do futuro. Com refinamento e limpidez, tristeza e segurança, vemos desfilar personagens como o Conde Chojnicki, revoltado e idealista defensor das pequenas nacionalidades do Império; Elizabeth Trotta, esposa do protagonista, fútil e dominada por uma amiga "emancipada"; seu sogro, enriquecido pela indústria da guerra, e a Sra. Trotta, forte personagem feminino, símbolo de sobriedade e esperança. Como só os grandes escritores, Joseph Trotta nos torna evidente o íntimo laço que existe entre o esfacelamento de uma identidade nacional e a própria fragmentação das individualidades. Essa questão chega ao ápice com a ascensão do nacional-socialismo alemão, germe do nazismo, terminando o romance em inesquecível cena final. Se A Marcha de Radetzky era o canto da monarquia austro-húngaro, A Cripta dos Capuchinhos é o seu acorde final. É preciso ler este livro linha por linha e não se deixará de admirar a arte e maestria com que Joseph Roth aqui escreveu, de forma crítica e no entendo com profunda compaixão humana, a última fase trágica de uma sociedade arruinada.

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    André Santana25/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Homens fracos criam tempos difíceis

    Joseph Roth nos introduz no período chamado de Belle Epoque, a época de ouro da civilização europeia. A história se passa no início da primeira década do século XX em Viena na Áustria e é contada pelo ponto de vista de aristocrata austríaco que leve uma vida hedonista e sem responsabilidades. Uma história triste e angustiante que monstra o fim de uma era(era dos Impérios) e o nascimento do mundo moderno e como as pessoas ficaram deslocadas e perdidas nesse período. Leitura fascinante e importante para se entender esse período obscuro da nossa história.

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    Moses Joseph Roth

    Nascido em 1894, Joseph Roth viveu o fim do Império Austro-Húngaro. Da tragédia histórica que o marcou pelo resto da vida, nasceu o observador privilegiado dos novos tempos e, em especial, da Berlim da década de 1920. Nos artigos de Berlim, Roth registra o espetáculo múltiplo e ambíguo da velha capital prussiana, tomada de assalto por refugiados, bondes e arranha-céus, e transformada de uma hora para outra em epicentro da República de Weimar e da cruel história européia das décadas seguintes.<br> Andando por Berlim, Roth descobre asilos de refugiados, banhos noturnos e ruas de imigrantes; espreita os olhos cegos e brilhantes dos semáforos reinando sobre a nova paisagem de ferro, passeia ao lado de um criminoso recém-liberto, para tomar a medida cabal da transformação da cidade; e finalmente, como um Orfeu descendo aos infernos, percorre uma noitada berlinense. O que emerge de Berlim é menos o retrato objetivo de um lugar do que a imagem convulsiva de uma era que derrubava fronteiras, impérios e quarteirões com igual indiferença - e que ainda não acabou.

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    Moses Joseph Roth