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    Marcha de Radetzky -

    Joseph Roth

    Mundaréu
    2014
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-13: 9788568259016
    Português Brasileiro
    4.2
    60 avaliações
    Leram66Lendo6Querem188Relendo1Abandonos2Resenhas11
    Favoritos7Desejados188Avaliaram60

    Considerada a obra prima de Joseph Roth, o livro retrata três gerações da família de um soldado, Joseph Trotta, alçado à nobreza por ter salvado a vida do Kaiser austríaco na Batalha de Solferino (1859). As trajetórias de avô, filho e neto são indissociáveis da existência do Império Austro-húngaro, prestes a extinguir-se com a Primeira Guerra Mundial. Os três são súditos devotados do imperador e vivem imersos nos hábitos, tradições, limitações, conflitos sociais e disputas políticas do império que se despedaçava, tentando compreender a realidade que os cercava. A prosa perspicaz, límpida e afetuosa de Roth transmite, por meio de tipos comuns, a turbulenta transição do velho mundo à Europa contemporânea.

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    Resenhas (11)Ver mais
    Gustavo Romero picture
    Gustavo Romero05/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Belíssimo

    O poder descritivo de Roth neste livro deixa qualquer um abismado. Mesmo se tratando de uma obra detalhista, com descrições que herdam tardiamente o "modus" realista da literatura, não há uma palavra sequer desperdiçada. Todas compõem um riquíssimo mosaico fazendo o próprio texto uma metáfora do retratado Império Austro-Hungaro: heterogêneo, conflituoso, belo e anacrônico. Impressiona como o escritor não se perde em momento algum ao transmitir a decadência iminente do Império e de toda uma "época " por meio da perspectiva individual, dos personagens. Somos capazes de, ao ler, sentir como os Trotta, que já sabem do fim iminente da monarquia, mas não deixam de ficar perplexos quando o conflito armado se concretiza. Penso se essa não é a reflexão mais geral e poética trazida pelo livro - o "saudosismo" nao como medida estetica ou política conservadoral, mas como um escape, como a última resposta ainda razoável e racional frente à perplexidade que nos assola ao testemunharmos a bestialidade (para usar o termo de Roth) da guerra e do autoritarismo esfarelar nossa tão pura e ingênua crença na cultura. Como sugeriria Walter Benjamin, se essa imagem do passado em nada nos alcançar e sensibilizar no presente, o documento de cultura assumirá seu caráter definitivo como documento de barbárie.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 60
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
    Moses Joseph Roth profile picture

    Moses Joseph Roth

    Nascido em 1894, Joseph Roth viveu o fim do Império Austro-Húngaro. Da tragédia histórica que o marcou pelo resto da vida, nasceu o observador privilegiado dos novos tempos e, em especial, da Berlim da década de 1920. Nos artigos de Berlim, Roth registra o espetáculo múltiplo e ambíguo da velha capital prussiana, tomada de assalto por refugiados, bondes e arranha-céus, e transformada de uma hora para outra em epicentro da República de Weimar e da cruel história européia das décadas seguintes.<br> Andando por Berlim, Roth descobre asilos de refugiados, banhos noturnos e ruas de imigrantes; espreita os olhos cegos e brilhantes dos semáforos reinando sobre a nova paisagem de ferro, passeia ao lado de um criminoso recém-liberto, para tomar a medida cabal da transformação da cidade; e finalmente, como um Orfeu descendo aos infernos, percorre uma noitada berlinense. O que emerge de Berlim é menos o retrato objetivo de um lugar do que a imagem convulsiva de uma era que derrubava fronteiras, impérios e quarteirões com igual indiferença - e que ainda não acabou.

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