A Marcha de Radetzky (Ficção Traduzida) -

    Joseph Roth

    Cavalo de Ferro
    2019
    432 páginas
    14h 24m
    ISBN-13: 9789896232597
    Português

    A Marcha de Radetzky é, nas palavras do crítico Harold Bloom, «um dos romances mais soberbos, acutilantes e de leitura aliciante que a literatura alemã do século XX produziu», retrato ficcional inigualável do declínio de um império e de uma inteira civilização através da história privada de uma família. Filho de humildes camponeses eslovenos, o jovem tenente Joseph Trotta torna-se subitamente herói nacional ao salvar a vida do imperador Francisco José no campo de batalha de Solferino. Elevado ao grau de capitão e agraciado com o título de barão, Joseph inaugura, deste modo, a nobre linhagem da sua família, cuja origem obscura se perderá nos livros de História. A partir desse momento, o destino dos Von Trotta espelhará o do próprio Império: Franz, o seu filho, torna-se comissário distrital e meticuloso funcionário de uma administração cujo falhanço não consegue compreender, e o seu neto, Carl Joseph, à imagem do avô, segue relutantemente carreira na Cavalaria, perdendo-se numa vida de indolência e futilidade, demasiado fraco para se rebelar contra os padrões que a família lhe impôs. «Grande elegia da Áustria dos Habsburgos, A Marcha de Radetzky é, sem dúvida, o melhor romance de Joseph Roth.» J.M. Coetzee, Prémio Nobel de Literatura «A obra de Joseph Roth constitui, juntamente com a de Kafka e a de Robert Musil, o melhor contributo da literatura de língua alemã para a ficção do século XX.» The New Yorker Nova tradução do alemão por Paulo Osório de Castro.

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    Gustavo Romero05/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Belíssimo

    O poder descritivo de Roth neste livro deixa qualquer um abismado. Mesmo se tratando de uma obra detalhista, com descrições que herdam tardiamente o "modus" realista da literatura, não há uma palavra sequer desperdiçada. Todas compõem um riquíssimo mosaico fazendo o próprio texto uma metáfora do retratado Império Austro-Hungaro: heterogêneo, conflituoso, belo e anacrônico. Impressiona como o escritor não se perde em momento algum ao transmitir a decadência iminente do Império e de toda uma "época " por meio da perspectiva individual, dos personagens. Somos capazes de, ao ler, sentir como os Trotta, que já sabem do fim iminente da monarquia, mas não deixam de ficar perplexos quando o conflito armado se concretiza. Penso se essa não é a reflexão mais geral e poética trazida pelo livro - o "saudosismo" nao como medida estetica ou política conservadoral, mas como um escape, como a última resposta ainda razoável e racional frente à perplexidade que nos assola ao testemunharmos a bestialidade (para usar o termo de Roth) da guerra e do autoritarismo esfarelar nossa tão pura e ingênua crença na cultura. Como sugeriria Walter Benjamin, se essa imagem do passado em nada nos alcançar e sensibilizar no presente, o documento de cultura assumirá seu caráter definitivo como documento de barbárie.

    4 curtidas

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