Camilo Rodrigues Chaves
Aos nove anos de idade, seus pais consentiram que o Bispo de Goiás, Dom Eduardo Duarte Silva, o levasse para Roma, onde seguiria a carreira eclesiástica, ingressando no Colégio Pio Latino-Americano.
Formou-se na Universidade Gregoriana do Vaticano, diplomando-se Doutor em Teologia, Filosofia, Ciências Naturais e Matemática. Antes de receber a Ordem Eclesiástica, resolveu retornar ao Brasil por sentir que não tinha vocação para o sacerdócio.
Sua primeira obra literária – Caiapônia, cujo subtítulo \"Romance da Terra e do Homem do Brasil Central\" define-lhe o conteúdo, teve encomiástica acolhida no mundo intelectual.
Foi vereador, deputado e senador ao antigo Congresso Mineiro, quando se dedicou às lides políticas, desfrutando grande prestígio em todo o Estado de Minas Gerais.
Como Deputado Estadual conseguiu para Uberlândia-MG, no governo do então Presidente do Estado, Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, a criação do Ginásio Mineiro de Uberlândia, que tem prestado relevantes serviços nas áreas educacional e cultural do País. Desse estabelecimento de ensino saíram diversos alunos que ocuparam cargos proeminentes, como governadores de Minas, de Goiás, deputados, médicos, advogados, engenheiros, odontólogos, industriais, comerciantes, prefeitos e vereadores.
Levou ainda para Uberlândia a Fazenda Experimental da Semente. Foi professor no Liceu de Uberlândia e no Colégio Nossa Senhora das Lágrimas.
Na Revolução de 1930, foi escolhido Comandante em Chefe das Forças Revolucionárias do Triângulo Mineiro, com grande atuação na defesa do território mineiro.
Abandonando a política para dedicar-se às letras e à divulgação da Doutrina Espírita, escreveu o extraordinário romance histórico Semíramis, rainha da Assíria e Babilônia, do Súmer e Akad, cuja terceira e última edição apareceu em 1989 pela editora LAKE, de São Paulo. Nesta obra, em que resgata a memória da soberana que elevou Babilônia ao pináculo da glória, exibe, em linguagem amena e escorreita, a segurança de impecável trabalho de pesquisa, inspirado, quem sabe pelo afloramento de antigas reminiscências arquivadas nos escaninhos do subconsciente.
Presidente da União Espírita Mineira, de 1945 até fevereiro de 1955, exerceu o mandato como líder autêntico, com atuação marcada pelo dinamismo e dedicação à Doutrina Espírita. Durante sua gestão foi iniciada a construção da atual sede da Casa Máter do Espiritismo em Minas Gerais, cuja inaguração se deu no dia 18 de abril de 1956 pelo seu sucessor da UEM, Bady Elias Curi. Também por iniciativa sua foi criado o Ginásio Espírita \"O Precursor\", situado em ponto nobre da Capital Mineira, educandário modelo que seria, no sonho de seu idealizador, \"o embrião da futura Universidade Espírita de Minas Gerais\".
Inaugurou na União Espírita Mineira a Assitência Dentária e a Farmácia Homeopática, serviços gratuítos para milhares de necessitados.
Fez circular com regularidade O Espírita Mineiro, órgão de orientação doutrinária. Elaborou novo Estatuto e ampliou os Departamentos da Entidade, como o Departamento Estadual da Mocidade Espírita e do Conselho Federativo Estadual, obedecidas as normas constantes do Pacto Áureo de Unificação. Promoveu o II Congresso Espírita Mineiro, quando foi aprovada a Declaração de Princípios Espíritas.
Além de presidente da União Espírita Mineira por dez anos consecutivos, foi fundador do Cenáculo Espírita Tiago, o Maior, Presidente de Honra do Centro Espírita \"Amor e Caridade\", fundador da Sociedade de Amparo à Pobreza, mais conhecida como \"Sopa dos Pobres\", e conselheiro, sócio e irmão benemérito de várias sociedades espíritas que lhe adotaram o nome.
Missionário de Boa Nova, caridoso e afável, soube granjear a admiração de quantos com ele conviveram. Não alimentava mágoas nem ressentimentos, exemplificando, como cristão verdadeiro, o amor e o perdão incondicional.