Cinderella meets Bonnie and Clyde in Zweig's posthumous classic, available here in English for the first time. Christine toils in a provincial post office in Austria just after World War One, a country gripped by unemployment. Out of the blue, a telegram arrives from her rich American aunt inviting Christine to a resort in the Swiss Alps. Immediately she is swept up into a world of inconceivable wealth and unleashed desire. She feels herself utterly transformed: nothing is impossible. But then, abruptly, her aunt cuts her loose and Christine is forced to return to the Post office where nothing will ever be the same. In this haunting yet compassionate reworking of the Cinderella story, Zweig shows us the human cost of the boom and bust of capitalism. The Post Office Girl was completed during the 1930s as Zweig was driven by the Nazis into exile, and was found among his papers after his suicide in 1942.
The Post Office Girl - Stefan Zweig's Grand Hotel Novel
Stefan Zweig
Que livro bom !!!!!!!!!!!!!!
CHOREI CHOREI CHOREI O livro começa apresentando a Christine, uma jovem que vive na Áustria logo depois da Primeira Guerra Mundial. Ela trabalha num posto de correios numa vila super pacata e pobre. A vida dela é uma monotonia sem fim, vivendo com o básico do básico, cuidando da mãe doente e sem perspectiva nenhuma de que algo vá mudar. Dá até uma angústia ler essa parte, porque a gente sente o peso da pobreza e da falta de esperança dela. Mas aí, do nada, o jogo vira. Uma tia rica que mora nos Estados Unidos convida a Christine para passar uns dias num hotel de luxo nos Alpes Suíços. E gente, é aí que a "metamorfose" acontece. Ela sai daquela realidade cinza e é jogada num mundo de vestidos caros, jantares chiques e festas. Ela descobre que é bonita, que as pessoas olham para ela e, pela primeira vez, ela se sente viva, sabe? É como se ela estivesse finalmente respirando. Só que a queda é alta. Por causa de uma fofoca e de um mal-entendido, ela é "expulsa" desse paraíso e tem que voltar para a vidinha miserável dela no correio. E é nessa segunda parte que o livro fica pesado de verdade. Imagina você ver como a vida poderia ser maravilhosa e depois ter que voltar para a lama? A Christine volta revoltada, amarga, e não consegue mais aceitar a pobreza de antes O Stefan Zweig é mestre em descrever o que passa na cabeça dos personagens. Ele foca muito no psicológico, naquela sensação de injustiça social e no ressentimento que vai crescendo dentro dela. Ela acaba conhecendo o Ferdinand, um veterano de guerra que também está cheio de ódio pelo sistema, e os dois começam a planejar algo bem drástico. O Zweig dá um soco na cara da sociedade da época. No hotel de luxo, a Christine só é tratada como um ser humano porque está usando roupas caras. No momento em que descobrem que ela é "só" uma funcionária dos correios, ela vira um nada. A escrita dele é quase obsessiva. Ele descreve cada mudança de batimento cardíaco da Christine. Você sente a euforia dela nas festas e sente o frio e a humidade da vila dela quando ela volta. É uma leitura claustrofóbica porque você percebe que, para esses personagens, não existe uma "saída fácil". O que é mais doido no relacionamento da Christine com o Ferdinand é que não é uma história de amor, pelo menos não daquelas que a gente vê em filmes. É uma aliança de náufragos. Quando eles se conhecem, os dois já estão "quebrados". A Christine está vivendo o luto da vida de luxo que perdeu, e o Ferdinand é um homem que a guerra destruiu fisicamente e psicologicamente. Ele é o retrato do ressentimento. Tem uma cena deles num banco de praça que é muito forte. Eles começam a destrinchar como o sistema funciona como uns têm tudo sem fazer nada e eles, que trabalham ou lutaram, não têm nada. A dinâmica deles evolui para algo muito sombrio. Eles param de tentar se encaixar no mundo e decidem que, já que o mundo os rejeitou, eles não precisam seguir as regras do mundo. O mais triste é perceber que, mesmo estando juntos, eles continuam terrivelmente sozinhos. O relacionamento deles é baseado numa falta, num vazio. Eles se agarram um ao outro como duas pessoas que estão se afogando, mas essa proximidade não traz necessariamente felicidade, traz apenas uma justificativa para o desespero. É uma das partes mais densas do livro porque o Zweig mostra como a miséria pode deformar até o afeto. Eles não se amam pela beleza um do outro, eles se "amam" porque são as únicas duas pessoas que entendem o tamanho do buraco onde foram jogados. O que mais me quebrou foi o luto. O Zweig escreve de um jeito que você sente a dignidade da Christine morrendo aos poucos. Eu chorei porque a gente se identifica: quem nunca sentiu que a vida é injusta? Quem nunca quis fugir de uma realidade cinza? Eu fechei o livro e fiquei um tempo olhando para o nada, com o rosto inchado, pensando em como o mundo pode ser pequeno para quem tem sonhos grandes demais. É um livro que não te deixa sair ilesa; ele te atropela e te deixa ali, chorando por uma personagem que, no fundo, representa um pouquinho de todas as nossas frustrações. O livro termina exatamente quando eles estão prestes a executar o plano, partindo para o tudo ou nada. E por que isso dói tanto? O Zweig não conta se eles conseguiram, se foram presos ou se fugiram. Vale lembrar que o Stefan Zweig deixou esse livro inacabado (foi publicado depois que ele morreu), o que dá um tom ainda mais melancólico. Parece que nem o autor sabia se existia saída para tanta tristeza. Eu terminei a leitura sentindo que, independentemente do que aconteceu depois da última página, a Christine "morreu" de qualquer jeito. Se ela roubou e fugiu, ela nunca mais será a moça inocente; se ela foi presa, a vida acabou ali.
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