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    Seleções Gaúchas Nº 1 - Sepé -

    Flávio Colin

    CETPA
    1962
    36 páginas
    1h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    Quadrinhos com duas histórias de valorização de lendas gaúchas.

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    R .06/12/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Publicação de agosto de 1962 explorando lendas e mitos gaúchos. A iniciativa, segundo o texto de abertura, buscava a valorização da cultura nacional em um revés à invasão de heróis estrangeiros. Xenofobia? Não. Acredito no apego à identidade local. Lembrei de um fato também, de que a indústria norte-americana dos quadrinhos sofria na época sérias imposições e censuras, a partir do trabalho pernóstico de um psicólogo, e talvez isso tenha refletido na visão sobre os super-heróis por aqui. Digressões... A obra traz duas HQs e gostei bastante. "Sepé" valoriza o indígena Sepé Tiaraju, um guerreiro que virou lenda na região do sul por sua luta contra as imposições à seu povo no período colonial. Poxa! Dei sorte porque li recentemente uma HQ em que também era valorizado e essa agora fortaleceu um pouco mais minhas descobertas (conheci o personagem através dessas histórias). A outra HQ procurava resgatar o mito, esquecido, e essa explora o lado guerreiro, apresentando uma batalha contra os famigerados e cobiçosos espanhóis. O contexto é que Portugal havia assinado um tal "Tratado de Madri", que dava a autonomia da região dos povos das Sete Missões aos espanhóis e esses apareceram todos boçais determinando que os índios do lugar dessem o fora. Ah, mas pra que! O Sepé compra briga e a HQ mostra sua vitória contra esses pirentos mandões. Toma o teu, lazarento! Historicamente pode até haver alguns exageros, mas fazem parte do mito e a HQ é legal. Também gostei por que os jesuítas não foram mostrados. Talvez o roteirista (Clima) tenha optado não mostrá-los para não entrar em histórias nada heroicas. Que surpresa! Li a HQ e só quando fui buscar o nome do ilustrador me deparei com Flávio Colin. O traço está bastante diferente, sem muitas experimentações no estilo que o consagrou. "Boitatá" mostra a lenda do bicho e foi ilustrada por Saidenberg. Não é extraordinária, mas tá valendo. Legal para apaixonados do folclore (como este leitor).

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    Flávio Colin profile picture

    Flávio Colin

    Desenhista carioca, criado no sul do país, Flavio Barbosa Mavignier Colin iniciou sua carreira de quadrinhista ainda bem jovem, nos anos 50. De acordo com uma entrevista que deu nos anos 80, sua primeira HQ profissional saiu na revista “Enciclopédia em Quadrinhos”, da RGE, em 1956. Seguiram-se X-9, Águia Negra, Dom Quixote, Cavaleiro Negro e outros. O fato de trabalhar em títulos originariamente estrangeiros, serviu para consolidar seu estilo arrojado e diferente, além de lhe conferir um senso profissional, ainda hoje sem paralelos no mercado de comics tupiniquim. Ficou bem conhecido ao transportar para as páginas impressas, o herói radiofônico O Anjo, além da quadrinização de Os Brutos também Amam. Nos anos 60, marcaria definitivamente sua carreira, ao trabalhar no gibi do grande sucesso da TV brasileira: O Vigilante Rodoviário. Colin também atuou na área publicitária e colaborou para a (hoje) histórica revista O Cruzeiro; além de fazer parte de inúmeras tentativas de se nacionalizar a produção de quadrinhos, no Brasil. Para os estúdios de Maurício de Souza e o grupo Folha, produziu Vizunga, um dos primeiros personagens de quadrinhos realmente com background ecológico. Homem de fortes convicções, Colin sempre rendeu ótimas e esclarecedoras entrevistas... tão boas quanto suas histórias. Entre os anos 70 e 80, produziu ininterruptamente, colaborando para as publicações das editoras Grafipar e D-Arte, entre outras. Prolífico até o fim de sua vida, Colin ficou conhecido pela nova geração de leitores brasileiros, ao estrelar publicações especiais como: O Boi das Aspas de Ouro, Estórias Gerais e Fawcett. Colin faleceu em 13 de agosto de 2002, devido a complicações respiratórias. Tem em artistas como Watson Portela verdadeiros admiradores. “O Colin eu gostava por causa do estilo ímpar. Se existiu um desenhista realmente brasileiro, foi o Colin”, lembrou Watson em uma entrevista.

    114 Livros
    13 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Flávio Colin