O livro "Os meus Romanos: Alegrias e tristezas de uma educadora alemã no Brasil", traz as experiências vividas por Ulla, pseudônimo de Ina Von Binzer, que vem para o Brasil em 1881, contratada por uma família brasileira que residia no Rio de Janeiro, provavelmente, divisa com São Paulo.
O livro, pode ser considerado como um diário de cartas, em que Ulla, escreve para sua amiga Grete na Alemanha. O conteúdo dessas cartas são situações que ao olhar de Ulla, descreve o povo brasileiro e seus costumes. Assim como, as experiências que o Brasil vive, de uma sociedade escravista, embora, perto de ser extinta.
No século XIX, o patriotismo estava no auge, e a professa alemã, revela o seu ser patriota no decorrer das cartas escritas a sua amiga Grete, sempre se lamentando por está distante de sua pátria.
"É muito belo um país estranho, mas nunca se tornará sua pátria." (p.128)
Mas, algo que me chamou atenção, foi a sensibilidade com a qual Ulla, revelou ter com um sistema escravista. Se tornando contrária a essa "chaga" presente no Brasil Oitocentista, ela se torna uma abolicionista assumida nas cartas que escreve para sua amiga Grete. Manifesta seus sentimentos de indignação quanto a situação dos escravos, ao mesmo tempo que demonstra sua preocupação com "o que será dessa gente, com o fim da escravidão que caminha a passa largos?"
O livro Meus romanos, traz consigo várias características que revelam um pouco do Brasil Oitocentista. Muitas vezes a autora se torna cômica, outras tantas vezes, revela-se altamente dramática, por seu patriotismo e sua melancolia sofrida por está distante da sua pátria. Mas, a Ulla consegue surpreender o leitor com seus tantos sentimentos, talvez até imprevisíveis, que revela a construção de um país, realizada por mãos escravizadas... e mesmo com tantas contradições, faz "O Brasil lindo de verdade!"