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    Os Maias -

    Eça de Queiroz

    Guerra & Paz
    2015
    600 páginas
    20h 0m
    ISBN-13: 9789897021596
    Português
    4
    17 avaliações
    Leram39Lendo3Querem26Relendo0Abandonos2Resenhas1
    Favoritos2Desejados26Avaliaram17

    «A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da Sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilar-se-ia a um colégio de Jesuítas. O nome de Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números de uma data. Longos anos o Ramalhete permanecera desabitado, com teias de aranha pelas grades dos postigos térreos, e cobrindo-se de tons de ruína. Em 1858 monsenhor Buccarini, núncio de S. Santidade, visitara-o com ideia de instalar lá a Nunciatura, seduzido pela gravidade clerical do edifício e pela paz dormente do bairro: e o interior do casarão agradara-lhe também, com a sua disposição apalaçada, os tectos apainelados, as paredescobertas de frescos onde já desmaiavam as rosas das grinaldas e as faces dos cupidinhos.» Os Maias, o mais importante romance de Eça de Queiroz, escrito em 1888. A história de uma família ao longo de três gerações que culmina na descoberta de um amor incestuoso, converteu-se no mais importante clássico da literatura portuguesa.

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    Resenhas (1)Ver mais
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    liv XP23/08/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Tenho muitas opiniões divididas acerca dessa obra... não posso tirar o crédito do poder da escrita e da criatividade do eça, mas foi uma leitura muito maçante e enrolada pra mim. pode ser que por ter sido uma leitura obrigatória em que eu não tive muito tempo para lê-lo, tenha se tornado chato, de forma inconscientemente. mas eu acho que mesmo assim, isso não é uma desculpa muito plausível. mesmo que fosse uma calhamaço ainda maior que eu tivesse que ler para a escola, se a história ou seu desenvolvimento me prendesse, isso só teria tornado mais desafiador e divertido ler Os Maias em pouco tempo. porém, foi uma leitura muito batida para mim. capítulos gigantescos - e quando eu digo gigantescos, eu tô realmente falando sério. minha edição tinha cerca de 581 páginas, com 18 capítulos!! eu não sou de ter preconceito com obras grandes, muito pelo contrário; quando bem desenvolvidas nos proporcionam uma experiência incrível. sinto que o eça tinha uma história forte a se contar (e eu ainda acho que seja interessante todo esse rolo que acontece na família Maia), mas no propósito de fazer uma crítica de costumes e uma análise irônica da sua sociedade, o autor se excedeu e perdeu um pouco o fio da meada. são muitos acontecimentos e personagens que são descritos sem fim; que perdem logo sua importância assim que a história flui. sinto que essa história poderia ter sido contada tranquilamente em metade das páginas atuais. infelizmente é por contas de obras que não são muito instigantes a primeira vista que muitos estudantes criam o preconceito e não apreciam a leitura :/ já li alguns outros autores portugueses e sinto que é tudo questão de estratégia, para abordar os que mais interessem os jovens (por exemplo o camilo castelo branco). isso não significa que eu despreze a importância d'Os Maias ou de seu autor; só acho que ela pode não ter sido elaborada da melhor forma. quero dar uma segunda chance à escrita de Eça, quem sabe algum dia.

    1 curtida

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    Avaliações

    4 / 17
    • 5 estrelas41%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz