Publicado inicialmente na década de 80, a história, que é ambientada no México, gira em torno de Lee, um homem adulto que parece frustrado com tudo e todos, sempre buscando relacionamentos e sensações que preencham os imensos espaços vazios que há dentro de si, cada vez mais submerso em um mundo raso, superficial e tão passageiro. Lee acredita que sua vida tomo um novo suspiro quando conhece Eugene Allerton, um jovem rapaz que, ao contrário de Lee, é responsável, solto e que sabe aproveitar boas oportunidades da vida. Lee o convida a participar de uma aventura em busca da Ayahuasca, uma droga que dizem ser capaz de controlar até os pensamentos e como um incentivo para fugir de seus vícios ao lado de sua paixão obsessiva.
por que gostei
O jeito que Burroughs escreve e conduz a narrativa foi um dos pontos que mais me tocaram durante a narrativa, o jeito que tudo flui e que as páginas parecem se encurtar quanto mais somos tomados em meio ao desenvolvimento de Lee que é o segundo ponto impactante da história, o quanto o personagem vai se desgastando ao longo dos capítulos, cada vez mais submerso em seus vícios, pensamentos e obsessões, quase como se estivesse desconexo da realidade que o agarrava a todo o tempo. Lee é um personagem que parece sempre estar encenando em meio ao palco que ele chama de vida.
Doloroso é de acompanhar com os olhos a "relação" que ele cria com Allerton, fazendo-se capaz de desdobrar aos pés de seu amado, de se agarrar ao desconhecido, entregando tudo o que pode como se despreocupado com a sua própria vida. Além da relação não ser reciproca, Lee ainda caminha no campo do abuso, tentando preencher os espaços que Allerton frequenta, as relações que ele possui e até mesmo suas horas mais solitários em que ele gostaria de curtir a própria companhia.
É uma história que mexe com seus sentimentos e pensamentos, fazendo com que Lee seja odiado e compreendido ao mesmo tempo. Uma história sobre a falta e o excesso, o poder e ausência dele, o limite e o além do limite.