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    A vida material -

    Marguerite Duras

    Globo
    1989
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-10: 8525006823
    Português Brasileiro
    4
    39 avaliações
    Leram62Lendo8Querem97Relendo0Abandonos0Resenhas8
    Favoritos1Desejados97Avaliaram39

    Um misto de "diário" e fluxo de consciência descontínuo, em que Marguerite Duras narra histórias, retoma fatos, tece considerações sobre a vida presente, o futuro, o passado, e privilegia o leitor com um convite para revisitar suas obras. Generosa, faculta-nos reviver a seu lado neste A vida material as profundas e amplas emoções de seu processo criativo e convida-nos a empreender uma viagem atemporal pela "grande autoestrada, a via geral da palavra". Não descobrimos seus segredos, mas tornamo-nos seus cúmplices a partir do momento em que aceitamos mergulhar nessas "idas e vindas entre mim e eu, entre mim e você, nesse tempo que nos é comum".

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    Resenhas (8)Ver mais
    Jasmine Castro Martins de Carvalho picture
    Jasmine Castro Martins de Carvalho20/05/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O ato de escrever exige muita coragem, a maioria das pessoas que escreve acredita nisso. Escrever o que só teríamos coragem de falar, e para poucos, exige muito mais coragem. Agora, escrever algo que deponha absolutamente contra a imagem de quem escreve para aqueles de quem o seu trabalho depende, talvez, exija mais do que coragem. Duras sabe disso e afirma confiar no leitor e temê-lo, como a um bandido. Mas é a esse mesmo leitor que ela confessa ter dito o que nunca disse a ninguém, nesse livro que ela chama de “não livro”, por conter mais o conteúdo da fala do que da escrita, aquilo que se diria baixinho, em tom confessional, mas que se teme escrever. Por isso, eu falei em coragem. Recomendo muito!

    10 curtidas

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    Avaliações

    4 / 39
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas36%
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    Marguerite Duras profile picture

    Marguerite Duras

    Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) nasceu em 1914, em Gia Dihn (Vietnã), onde passou sua infância e adolescência. Após a morte do pai , em 1918, a mãe de Duras conseguiu uma pequena concessão de terra no Camboja (então colônia francesa), mas o terreno se mostraria incultivável e sua família viria a perder quase tudo com a chegada das enchentes. Esses dias na Ásia marcaram profundamente a vida de Duras. É a respeito dessa época uma de suas obras mais importantes, Barragem Contra o Pacífico (1950). O seu pai morreu quando tinha quatro anos de idade, e a sua mãe, uma professora, lutou arduamente para criar três filhos sozinha. Durante a adolescência, Marguerite Duras teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante e O Amante da China do Norte). Aos 17 anos viajou para França, onde estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935. Durante a II Guerra Mundial, marguerite Duras tomou parte da da Resistência Francesa, filiando-se também no partido comunista. Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, Os Imprudentes e A Vida Tranquila, respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais Hiroshima meu amor é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com Uma barrangem conhtra o Pacífico, Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance O Amante. É uma autora muito fértil, com uma obra literária vastíssima, desde os romances aos argumentos cinematográficos. Afirma-se sempre com um estilo de beleza inconfundível, num tom duro e denso, por vezes até um pouco inacessível, mas sempre numa expressão profundamente genuína e humana das paixões, grandezas e misérias da vida. Marguerite Duras é por excelência uma escritora da condição humana, mas contudo não procura utilizar a escrita como forma de redenção e/ou salvação; antes, a escrita é uma exigência urgente, um valor supremo em que reside, uma vontade bruta de falar de si. As suas obras estão repletas de descrições belíssimas e soberbamente envolvidas na ambiência exótica da paisagem oriental, não sem deixarem reconhecer uma intensidade angustiada e desesperada, oriunda de uma constante luta da autora com as questões do amor e da morte. Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner, um homem 38 anos mais novo. Duras viverá com Yann até à sua morte em 1996, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marida Robert Antelme, depois de este ter sobrevivido milagrosamente a uma captura pela Gestapo. Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, intitulada A Dor (de 1985), um grito literário sobre a pressão sob que viveu.

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    Marguerite Duras