O duelo -

    Joseph Conrad

    Revan
    2009
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788571063761
    Português Brasileiro

    Um, alto e magro. Outro, estatura média e robusto. Um, do norte da França. Outro, do sul. Um, ponderado e de gênio tranquilo. Outro, impetuoso e colérico. Um, de origem nobre. Outro, plebeu. Ambos, oficiais de cavalaria do exército de Napoleão. São D’Hubert e Feraud, os duelistas de Joseph Conrad. O leitor os encontra ainda tenentes e é levado até o fim ao longo de uma sequência de duelos que se estende por anos. Ao fundo, a era napoleônica – as batalhas na Europa, a retirada de Moscou, o governo dos Cem Dias, Waterloo, a Restauração, ministros ardilosos, vinganças políticas, todo um cenário dominado pela figura daquele que se tornaria o Homem de Santa Helena. No entanto, a história é apenas o contexto em que a ação discorre. O que fica, como de costume em Conrad, é uma questão de honra e as perguntas morais tendo de ser resolvidas antes na cabeça do que na espada ou na pistola. O ambiente histórico, detalhado e na medida, empresta um charme a mais à trama de dois personagens acometidos por inquietações que assaltam qualquer ser humano. O duelo, em volume único, era inédito até agora no Brasil. Sua edição original foi feita em livro ilustrado sob o título The Point of Honour. Em 1908, juntou-se a outras cinco histórias em A set of six e, na nota de abertura para a edição de 1920, Conrad considerou aquele o seu devido lugar. Por mais que o autor indique o contrário, o conto encerra um universo tão bem construído que merece a atenção e o cuidado de uma edição separada. Em 1977, o diretor inglês Ridley Scott transformou o enredo em filme. Com Keith Carradine no papel de D’Hubert e Harvey Keitel no de Feraud, Os duelistas alcançou grande êxito em todo o mundo.

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    jota 1124/03/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O bom soldado e o bruto...

    A novela Os Duelistas foi escrita em 1908 mas se passa durante a era napoleônica e coloca em oposição dois tenentes hussardos: Feraud e Hubert. São tantas as diferenças que Joseph Conrad (1857-1924) coloca entre os dois personagens (diferenças físicas, de origem social, de temperamento, psicológicas etc.) que as coisas só poderiam mesmo terminar em duelo. Não apenas em um duelo, mas vários, não em sequência, mas ao longo de quinze anos. O tenente Hubert pensa em sua carreira militar, é metódico, tranquilo, racional. Feraud gosta de lutar, tem o sangue quente, é bruto, se mete facilmente em encrencas. Ao tirar Feraud de uma delas, instruído por ordens superiores, Hubert ganha um inimigo para o resto da vida. A partir daí tem início o primeiro duelo de uma série entre os dois. Ainda que os duelos fossem proibidos pelo exército francês e que intimamente Hubert se sentisse mal aceitando o desafio de alguém como Feraud, um sujeito irracional, duelar era uma questão de honra então. Ocorrem tentativas para que os dois esqueçam as diferenças, se tornem amigos, mas devido à personalidade doentia de Feraud elas são infrutíferas. E sem as desavenças não haveria esta história, certo? Assim o tempo vai passando e toda vez que aparece uma oportunidade Feraud manda emissários a Hubert propondo um novo duelo. Saindo deles sempre vivo mas perdedor, nunca se sente suficientemente vingado pelas ofensas infligidas pelo outro: é assim que ele vê as coisas, completamente deturpadas. Hubert começa a ficar cansado dessa guerra particular, melhor, de ter sua vida praticamente dirigida por um lunático, sente crescer dentro de si a vontade de matar o pérfido Feraud. Mas numa ocasião chega a interceder pelo inimigo, sem que ele soubesse, para salvá-lo da prisão militar. É claro que mais tarde irá se arrepender amargamente dessa ajuda, pois Feraud não se emenda jamais. Por volta dos quarenta anos, justamente quando estava prestes a se casar com uma bela jovem, recebe através de dois companheiros de Feraud uma mensagem convocando-o para um novo duelo. Feraud continua ignorando que tem uma dívida para com Hubert e nesse ponto Os Duelistas se torna bastante empolgante: o último duelo está para acontecer. Agora Hubert e Feraud vão duelar não mais com espadas, como sempre fizeram, mas com pistolas. É o duelo final, que deve terminar com um deles morto. Quem vencerá: o bom ou o bruto? Façam suas apostas, senhores e depois leiam Os Duelistas, que não se arrependerão. Lido entre 21 e 24/03/2017. Minha avaliação: 4,5.

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