Tenda dos Milagres -

    Jorge Amado

    Martins
    1969
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Publicado em 1969, traduzido para dez idiomas e adaptado para o cinema e a TV, o livro Tenda dos Milagres é um grito contra o preconceito racial e religioso, um canto à miscigenação e ao sincretismo tão marcantes na obra do escritor Jorge Amado. É a história de Pedro Archanjo, um mulato de muitos amores - alguns contidos em nome da amizade -, que documentou a cultura popular e provou a ascendência negra da aristocracia baiana do início do século XX. A história do herói pobre, boêmio e erudito, que assumiu o preço de colocar o dedo na ferida dos inimigos da mestiçagem. Ilustrações de Jenner Augusto. Capa de Caribé. Retrato do autor por Carlos Scliar.

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    Pedro Luiz da Cunha01/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Uma reflexão sobre a formação da nacionalidade brasileira"

    Escrito em 1969, "Tenda dos Milagres" é um romance "que mostra a importância da mistura e da luta contra o racismo no Brasil" nas palavras do próprio autor. A história acontece na virada do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. O personagem principal, Pedro Arcanjo é um mestiço pobre que vive na periferia de Salvador. Ao lado de personagens tão cativantes como Lidio Corró e Zabela, desenvolve seus estudos sobre o sincretismo cultural e genético do povo da Bahia. Bedel da Faculdade de Medicina em um momento em que grassavam as teorias do racismo "científico", a exaltação da cultura africana e da miscigenação, presente em seus estudos, golpeia profundamente a elite acadêmica da época. Depois de sua morte, sua obra é redescoberta por um estudioso norte-americano e em plena ditadura militar, seus livros são incorporados pela elite branca, que transforma Arcanjo em herói nacional idealizado, esvaziando o seu conteúdo político e apagando sua trajetória de vida marginalizada. Podemos pensar que a obra dialoga com os estudos de Gilberto Freyre que apostou na singularidade brasileira presente da ideia de "democracia racial". No entanto, Jorge Amado trabalha muito bem as desigualdades sociais e o preconceito racial presentes em nossa sociedade. A cultura africana e o sincretismo são exaltados e não diluidos em nome da miscigenação. Por fim, há que se dizer que a leitura é muito prazerosa, com grandes reflexões. Apesar de pouco conhecida, é mais uma obra espetacular do grande autor que foi Jorge Amado.

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