A sociedade atual "requer" um nível de perfeccionismo das mulheres que é insano. Sempre temos que ter algo a oferecer. Quando esse padrão não é tangível, sentimos como se falhássemos. A mente começa a trabalhar e o pensamento é:
'Só precisava ter mais alguns centímetros de altura, alguns quilinhos a menos, um cabelo arrumado. Só isso e ainda assim, não consegui'.
"Você usou de todos os meios necessários para seguir as regras secretas. Você sacrificou sua saúde, seu corpo, sua dignidade, e fez tudo isso se mantendo sempre bonita. Você não perturbou o universo com nenhum dos seus sentimentos ou questionamentos. Permaneceu pequena. Não ocupou espaço demais. Você nunca veio a superfície, e quando foi necessário -quando precisou de oxigênio- afastou-se e respirou longe de nós. Nós nem sequer chegamos a conhecê-la. Parabéns." (p.44)
"As regras secretas, incontestáveis, sobre como ser uma garota importante são: Seja magra. Seja bonita. Seja discreta. Seja invulnerável. Seja popular seguindo a liderança dos garotos respeitados." (p.43)
"Então me coloco no tabuleiro de xadrez e espero ser jogada. Como inevitavelmente acontece com qualquer peão, sou escolhida." (p.30)
Por falar em mente, que coisa poderosa, ein? Pra fugir desse sufoco... porque sufoca... ahh, sufoca muito. Dá uma falta de ar, sabe?... a mente cria um mundo só seu, onde nele você é "aceitável". Busca alternativas desesperadas, que mostrem resultados rápidos e eficientes, e que depois se tornam distúrbios, induzindo a mente que ameniza a dor. Porque também dói, viu?
"A bulimia é meu esconderijo seguro e mortal, onde a única pessoa que pode me machucar sou eu mesma. Onde estou distante e confortável. Onde minha fome pode ser tão grande quanto é, e posso ficar tão pequena quanto preciso ser." (p.27)
Todos os dias é preciso matar um gigante. Mas a mulher precisa saber que o gigante nesta história é ela mesma. Que não existimos pra oferecer nada a ninguém e muito menos viver padronizada.
"O meu sofrimento é um muro de alvenaria bem na minha frente. Quero passar com um trator por cima dele, escalá-lo, demolí-lo, tijolo por tijolo. Estou desesperada para chegar ao outro lado e poder ver o que me aguarda no fim do caminho. Mas o muro não sai do lugar nem me deixa escalá-lo, nem sequer remover um único tijolo. Ele só permite que me encoste nele, exausta. O sofrimento não passa de uma espera dolorosa, uma paciência horrível. O sofrimento não pode ser demolido, escalado, ultrapassado ou despistado. Ele só pode passar naturalmente. Sobreviver é render-se ao muro." (p.174)
Ser perfeita? E perfeição existe?
Mulher nasceu pra SER. Ser ela mesma. Ser de essência. Ser única. Porque a mulher simplesmente É!
"Estou tentando me despir até restar apenas o essencial e então vou poder descobrir onde eu começo e onde começa a mulher que o mundo me disse para ser. Vou voltar à linha de partida. Quero desaprender tudo que me deixou doente e com raiva. Não quero chegar ao fim da vida e descobrir que nunca me conheci." (p.212)
"Mulheres preocupadas em estarem lindas pensam na aparência, mas mulheres preocupadas em serem bonitas pensam naquilo para o que olham. Elas absorvem tudo. Absorvem toda a beleza do mundo e se apropriam de toda essa beleza para dá-la aos outros." (p.309)
Esse livro vem pra mostrar justamente isso, essa unidade de identificação feminina, na qual a mulher se identifica, desmistifica, cria e aprende que ela é maravilhosa independente do que o mundo grite. O grito precisa ser interior, todos os dias, de que somos apenas nós!