Thérèse Desqueyroux, romance do escritor francês François Mauriac, publicado em 1927, conta a história da personagem que dá nome à obra, iniciando logo após o seu julgamento onde foi acusada de tentar matar o seu marido, Bernard, por envenenamento.
Nem o autor, nem a personagem nos respondem os motivos de ela ter tentado matar o marido.
Com uma narrativa cativante, Mauriac nos mostra o quanto que a hipocrisia da imposição das convenções sociais, religiosas, familiares podem ser danosas a uma pessoa.
Mauriac nos faz mergulhar profundamente nas reflexões e nos conflitos internos de Thérèse, presa a uma vida infeliz de meras aparências.
O que se releva na história é a humanização da personagem julgada e, apesar de absolvida pela Justiça, foi condenada pela família e pela sociedade em que vivia.
Thérèse convive desejos contraditórios, ora dominada por pensamentos suicidas ou um querer desistir e se deixar morrer lentamente, ora desejosa de ser um espírito livre, experimentar o amor e a liberdade em sua plenitude.
A pergunta que fica não é: Por que Thérèse tentou matar o marido Bernard?
A pergunta que realmente importa, após conhecermos um pouco das angústias e aflições de Thérèse, é:
Estou eu em posição de julgar uma atitude, comportamento, escolha ou decisão de outra pessoa, ainda que seja um erro evidente ou um crime?
Fato é que, mesmo imperfeitos, nós julgamos, sim! Fazemos isso todo o tempo, ainda que só em pensamento.
Sendo assim, meu parecer sobre a motivação de Thérèse é que a morte do marido Bernard era um meio desesperado para ela alcançar um fim.
Este fim não eram os bens materiais do marido, era a sua liberdade!