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    Os Três Mosqueteiros (Trilogia dos Mosqueteiros #1) -

    Alexandre Dumas

    Nova Cultural
    2003
    510 páginas
    17h 0m
    ISBN-10: 8513011649
    Português Brasileiro
    4.2
    9978 avaliações
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    "Um por todos ! Todos por um!" Em 1625, Luís XIII reina sobre a França com seu Primeiro-Ministro, o Cardeal de Richelieu. Sua esposa é a jovem Ana d'Áustria, vista por Richelieu como muito inexperiente para auxiliar o marido a conduzir os negócios de estado: o Rei não tem outra escolha senão apoiar-se no seu influente ministro, cujo gênio político e estratégico asseguram a coesão e segurança do Reino. D'Artagnan (*Charles de Batz-Castelmore*, 1611-1673, futuro Marechal de França e Conde d'Artagnan; um jovem de 18 anos no começo do livro de Dumas), de rosto comprido e moreno; os malares salientes, sinal de astúcia, e os músculos maxilares fortes e bem desenvolvidos da Gasconha. O olhar franco e inteligente abaixo da boina emplumada. Nariz adunco, finamente desenhado, estatura média, mas proporcionada, é também aventureiro e corajoso em busca da fortuna, acompanhado por comprida espada de cabedal, que batia nas pernas, e também por um grande cavalo de pelo amarelo do Béarn, “sem crinas na cauda”, que causava espanto e admiração a quem o visse, apesar das insuspeitas e não reconhecidas qualidades -- resistente, de bom gênio, fazia umas oito léguas por dia, sendo um ótimo parceiro para um jovem... |...| O jovem gascão finalmente chega à capital do Reino de França--Paris, uma cidade fervilhante de vida e emoções; duelos e romances; aventuras e perigos...e trava conhecimento com três homens leais e valorosos da Companhia de Mosqueteiros do Rei, a quem chamam "os três inseparáveis": Athos, o nobre, Porthos, o forte e Aramis, o astuto. Nasce então entre eles uma grande amizade e D'Artagnan vai se mostrar digno da farda de mosqueteiro, depois de testadas as suas qualidades de espadachim e homem de armas. Juntos, lutam corajosamente para salvar a honra da rainha Ana de Áustria de um imbróglio amoroso com George Villiers, o Duque de Buckingham, braço direito do Rei Carlos I da Inglaterra... Uma atmosfera sombria de perigos e intrigas palacianas envenena a vida francesa e o Pais vive dias de guerra civil, opondo os Católicos aos Huguenotes protestantes. Os quatro amigos voltam à Paris onde Monsieur de Tréville, capitão dos Mosqueteiros do Rei, os notifica de que devem se preparar para se juntarem ao exército francês no Cerco de La Rochelle. Ele ainda anuncia a D'Artagnan que o rei lhe concederia um lugar no regimento dos mosqueteiros após o cerco. Os mosqueteiros participam ativamente em todos os combates da campanha no Cerco da La Rochelle (Set. de 1627 a Out. de 1628) e cobrem-se de glória... ==== (*) O herói de "Os Três Mosqueteiros" é baseado no personagem histórico Charles de Batz de Castelmore d'Artagnan do regimento de Luís XIII de França : os "Cadetes da Gasconha". Seu nome é citado em memórias e correspondências da época, notadamente nas de Madame de Sévigné. Alexandre Dumas dispunha como fonte das "Memórias de M. D'Artagnan" de Gatien de Courtilz de Sandras redigidas em 1700, 27 anos após a morte de d'Artagnan . Dumas pinça daí uma grande quantidade de detalhes que reescreve dentro de seu estilo bastante pessoal. O projeto deste livro que dá origem à trilogia sobre d'Artagnan e os Três Mosqueteiros é originalmente uma idéia de Auguste Maquet, constante colaborador de Dumas, que o ajuda na redação do romance. As memórias da época em que ocorrem os eventos abordados pelo livro lhes fornecem um manancial de intrigas, notadamente no episódio dos ferretes da rainha que é narrado, por exemplo, por La Rochefoucauld no primeiro capítulo de suas "Memórias". O sucesso do romance foi tal que o próprio Dumas o adaptou para o teatro e que dois outros romances se seguiram, tomando os quatro mosqueteiros como personagens principais, e formando a Trilogia dos Mosqueteiros : "Vinte Anos Depois", lançado em 1845, e "O Visconde de Bragelonne" (Deste último, foi tirada a história do Homem da Máscara de Ferro), escrito entre 1848 e 1850. [Wikipedia].

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    Diana Tenório picture
    Diana Tenório07/07/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “Um por todos e todos por um” — você já ouviu essa frase, eu sei

    “Os Três Mosqueteiros” é um nome que carrego desde criança, porque, mesmo sem ter lido o livro, minha infância foi cheia de referências: na TV, em desenhos para pintar, citado em outras histórias ou simplesmente em uma brincadeira. Os clássicos carregam essa magia que não tem compromisso com o tempo: atravessam-no e se fazem conhecidos antes mesmo de serem abertos. Não sei se conseguirei expressar o quão doce foi essa jornada que, de certa forma, começou quando eu ainda era menina, mas adianto que encontrei um universo muito mais vasto, encantador e divertido do que imaginei. É importante ressaltar, antes de mais nada, que Dumas teve acesso a registros e crônicas históricas daquele período (anos 1600) para basear a história que foi publicada há quase 200 anos (1844), e que mistura acontecimentos e personagens reais — como o rei Luís XIII, a rainha Ana da Áustria e o ambicioso Cardeal Richelieu — com figuras ficcionais, como os próprios mosqueteiros. Ele juntou duas das coisas que mais amo: história e aventura. E nem preciso dizer o quanto eu gostaria de ter essa esperteza e criatividade para escrever uma história. À primeira vista, ele parece não ter feito muito esforço para construir sua trama: encontrou uma França cheia de conflitos internos e jogos de poder externos, além de dilemas sociais, e adicionou alguns personagens que dariam um certo alívio cômico àquelas tensões. Como não daria certo? Mas só um escritor engenhoso como Dumas saberia aproveitar esse tipo de contexto histórico, lapidá-lo e transformá-lo em entretenimento de excelente qualidade, entregando ação, emoção e uma experiência inesquecível. Não posso continuar sem falar de nossas grandes estrelas: o jovem destemido e sonhador d’Artagnan, que sai de sua terra em busca do título de mosqueteiro do rei e, em Paris, conhece os três mosqueteiros: o nobre e reservado Athos, que carrega segredos do passado e é atormentado por eles; o pomposo e de bom coração Porthos; e o elegante Aramis, que vive dividido entre a vida militar e o desejo de ser padre. São eles que, juntos, carregam o lema “Um por todos e todos por um” e nos ensinam sobre honra, lealdade, amizade e coragem. Agora, enquanto escrevo esta resenha, penso no quão frágeis os relacionamentos podem ser — e em como, na mesma intensidade, podem se corromper por motivos tão banais como dinheiro ou status. Esses homens me impactaram por estarem prontos a morrer uns pelos outros, e suas ações demonstram isso ao longo de toda a narrativa. Eu prezo muito as amizades e sou leal a elas, e foi muito bonito vê-los tão comprometidos não só com suas obrigações como mosqueteiros, mas como verdadeiros amigos. A leitura é ágil, envolvente e faz a gente se sentir dentro da história, acompanhando os duelos cheios de ação, os diálogos engraçados e as situações mais inesperadas. Quando vemos, os mosqueteiros já estão metidos em outra aventura, e a gente vai junto, rindo, torcendo e se sentindo parte das confusões, das conspirações e das trapalhadas. Cada um deles tem um jeito muito próprio, e, embora d’Artagnan seja o campeão das confusões e das cenas mais cômicas, todos acabam nos fazendo rir. Eu e Luiz, meu parceiro de vida e leitura, nos divertimos demais com as conversas e as enrascadas em que eles se metem. As risadas começaram logo no início, com a presença marcante do jovem d’Artagnan encontrando os mosqueteiros e marcando um duelo com cada um deles — se tem alguém que gosta de briga, esse alguém é o d’Artagnan, o famoso “cabeça quente”. Se não fosse pelo contexto histórico, pela ambientação e por já ter uma ideia do enredo, eu nem perceberia que estava lendo um clássico. A narrativa é leve, cativante e tão envolvente que parece escrita para qualquer tempo. Acredito que, quando estávamos chegando da metade para o final da leitura, Luiz comentou comigo que achava que as coisas estavam demorando a acontecer — percepção que eu, sinceramente, não tive. E acho que muita gente pode acabar sentindo que a história se arrasta um pouco em certos momentos, como se faltasse uma preparação para levar o leitor a um final fascinante. Mas parece que o Dumas, como se tivesse um pressentimento disso, não só atende às expectativas que seus leitores poderiam colocar na obra, como, na minha opinião, as supera. A história toma um rumo diferente, mais maduro, e se afasta daquela atmosfera leve do começo. Somos envolvidos em uma subtrama que apresenta uma das vilãs mais notáveis que já conheci na literatura. É como se Dumas estivesse contando uma história para uma criança e, de repente, se surpreendesse com o próprio tom da narrativa, percebendo que ela ainda não estava pronta para o que vinha a seguir. Lembro de sentir algo parecido quando lia O Conde de Monte Cristo, quando o final ganhou uma força que me fazia não querer parar de ler. Se antes eu já admirava o autor, depois de ver, mais uma vez, o seu brilhantismo em criar reviravoltas, passei a admirá-lo ainda mais. Se você é o tipo de leitor que começa um livro sabendo qual é a sua proposta, mas ainda assim espera algo a mais, tenho certeza de que vai gostar dessa obra. Por fim, “Os Três Mosqueteiros” é um clássico para ser lido em qualquer idade, eu diria, mas fico feliz por só tê-lo lido agora, aos 29 anos, e por ter tido o privilégio de sentir essa nostalgia — se é que podemos chamar de nostalgia algo que eu ainda não tinha vivido — e de perceber coisas que, com certeza, eu não enxergaria antes. A Diana de uns 9 anos adoraria dormir ouvindo a história desses bravos e engraçados mosqueteiros. A Diana de 29 também.

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