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    A Epopeia de Gilgamesh (Coleção Gandhara) -

    Sin-léqi-unnínni

    Martins Fontes
    2001
    182 páginas
    6h 4m
    ISBN-13: 9788533613898
    Português Brasileiro
    4.1
    1451 avaliações
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    Estes poemas têm direito a um lugar na literatura mundial, não apenas por precederem às epopéias homéricas em pelo menos mil e quinhentos anos, mas principalmente pela qualidade e originalidade da história que narram. Trata-se de uma mistura de pura aventura, moralidade e tragédia.

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    Régis Maz29/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A fonte de muitos mitos e inspiração de grandes poetas

    Gilgámesh parece ter sido a obra literária mais popular escrita no antigo oriente e é considerada a obra literária mais antiga do mundo já descoberta. As narrativas heroicas são atribuídas ao quinto rei sumério (um possível rei histórico postumamente deificado) de Úruk, cidade-Estado localizada no sul da Mesopotâmia (hoje Iraque), e remontam ao século XXI AEC. Bilgames/Gilgámesh na versão mais recente é composta por uma série de doze tabuinhas que foram traduzidas inicialmente por Henry Rawlisnson e George Smith na segunda metade do século XIX. O poema é o mais antigo texto do qual recuperaram traduções em várias línguas estrangeiras, com textos encontrados em vários locais do antigo oriente. A versão clássica do poema "Epopeia de Gilgámesh", cujo título original é Ele que o abismo viu (ša naqba īmuru), foi escrita pelo sábio Sin-léqi-unnínni entre 1300 e 1200 AEC. Ele que o Abismo Viu inicia com uma grande exaltação ao rei Gilgámesh (que tudo viu e que tudo sabe) e vai mostrando as várias experiências existenciais marcantes pelas quais o rei passa e que o levaram a compreender os limites da natureza humana; limites dos quais nem mesmo ele, que possui dois terços divinos e apenas um terço humano, por ser filho de uma deusa (Nínsun, que significa "Rainha da Vaca Selvagem), poderá escapar. O poema exalta as realizações, narra os excessos, exemplifica os aprendizados e finalmente chega na compreensão do personagem: de que ele, assim como qualquer outro está sujeito a viver e morrer independente de suas origens e de seus feitos. A relação de amizade, companheirismo e amor de Enkídu e Gilgámesh ajuda a tornar o herói o homem que ele virá a ser futuramente levando-o a crescer como ser humano através da amizade, amor, morte e, inevitavelmente, através da dor. Esse poema (anterior a Homero e Hesíodo) é um épico que traz muitas reflexões, que é imbuído de um teor antropológico profundo e que mostra o ápice do desenvolvimento do ciclo heroico do personagem, Gilgámesh, além de apresentar vários dos mitos que foram introduzidos na literatura tradicional que conhecemos: como a criação do homem a partir da argila, o dilúvio e a construção de uma arca para salvar as criaturas, humanos e animais (Essas partes, depois de serem traduzidas no início da década de 1870, causaram controvérsia generalizada devido às semelhanças com a Bíblia hebraica). "Do homem os dias são contados, tudo que ele faça é vento (...)" palavras sábias que ressaltam magnificamente uma grande verdade a qual estamos todos sujeitos indefinidamente. Essa foi uma leitura fascinante, rica em características fantásticas, significados e mitos que guardam muitos paralelos com outras narrativas antigas. Foi maravilhoso conhecer o poema épico mais antigo registrado e que, possivelmente, foi a fonte onde vários poetas que conhecemos se inspiraram e onde vários mitos e histórias, reproduzidas até os dias de hoje, tiveram início. Recomendo para todos.

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    Sin-léqi-unnínni

    Sin-léqi-unnínni era um mashmashshu, um sacerdote feiticeiro e exorcista que viveu em Babilônia entre 1300 BC e 1000 BC. É o compilador da melhor versão preservada da Epopeia de Gilgamesh. Seu nome é alistado no próprio texto, algo incomun para trabalhos antigos. Sua versão é conhecida pela sua introdução, ou primeira linha: “ele que viu o profundo” ou "ele que viu o Abismo". Não se conhece com certeza a diferença entre sua versão e textos mais antigos. A única vez que Sin-Liqe-Unninni narra a história na primeira pessoa é no prólogo.

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    Sin-léqi-unnínni