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    Persepolis 1 (Ciboulette) -

    Marjane Satrapi

    L'Association
    2000
    76 páginas
    2h 32m
    ISBN-1: 0
    4.4
    20 avaliações
    Leram21Lendo3Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos3Desejados2Avaliaram20

    Première bande dessinée issue de l'Iran, Persepolis de Marjane Satrapi a été la révélation que l'on sait. La chute du Shah, la révolution islamique et l'exil vécus par une fillette de dix ans, qui choisit vingt ans plus tard la bande dessinée pour livrer son histoire.

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    Nátali Nuss picture
    Nátali Nuss08/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Je voulais être à la fois, la justice, l’amour et la colère de Dieu

    Fico honestamente muito triste de ter demorado tanto a ler ‘Persepolis’. Por outro lado, tamanha demora acabou tendo sua valia uma vez que eu pude lê-lo em sua versão original, em francês. A verdade é que me recomendam essa leitura há talvez quase dez anos, desde a época que eu estava estudando para o vestibular. Bom falar em vestibular, inclusive, porque lembro que chegou a cair um trecho de ‘Persepolis’ em uma edição que eu fiz do ENEM. Não foi diferente com a adaptação para animação que também me foi muito recomendada. Seja como for, só fui assisti-la em 2022 - sim, antes de ler as BDs (ou HQs, como queira) - e por recomendação/dever-de-casa do meu ex-professor chileno de francês. Obrigada por isso, Pablo! O fato é que eu gostei tanto e tagarelei sobre a animação com tamanha energia que ele me perguntou se eu não queria ler as BDs e que ele tinha os arquivos dos quatro tomos das primeiras edições. A resposta foi um evidente sim e, bem… Deus abençoe a pirataria. Desse modo, li pelo kindle na edição da L’Association. Infelizmente, entretanto, só o fiz agora em 2024 por razões de: mestrado. Agora, se você está lendo essa resenha na página do livro decidindo se é algo que vale sua leitura, você pode estar me perguntando - através da voz que mora dentro da sua cabeça - o que você deve saber sobre ‘Persepolis’ antes de tomar uma decisão a esse respeito (e no que eu posso te ajudar com isso para além de todo esse blá-bá-blá regressivo & nostálgico). No que é relativo a isso, é preciso saber que esta história nada mais é que um romance de formação autobiográfico em formato de quadrinhos. Sobre esse formato, inclusive, é interessante ver uma aspas da Marjane Satrapi, a autora, sobre o porquê de ter escrito ‘Persepolis’ nesses moldes: ‘As imagens são uma maneira de escrever. Quando você tem o talento para escrever e desenhar, parece uma pena escolher apenas um. Eu acho que é melhor fazer as duas coisas.’ Depois de ter ficado obcecada com ‘Persepolis’, eu fui atrás de ler e assistir muita coisa que a Marjane escreveu/falou e, como ilustradora e alguém que gosta de escrever bobeiras, nada poderia ter chamado mais minha atenção que essas aspas, sinceramente. Ter descoberto que ela também foi a responsável pela adaptação da sua própria BD para animação só me deixou ainda mais instigada pela mente dela. Isso porque eu também tive uma experiência recente com animação e fiquei pensando sobre a liberdade e a prisão que é você dominar tantas linguagens e ter tão pouco tempo para colocar ideias ousadas no papel. Mas talvez isso esteja ficando too personal… De volta a ‘Persepolis’ (e ao tomo 1, em específico)! Retomando, essa BD/HQ é isso: um romance de formação autobiográfico em formato de história em quadrinhos, mas não só! Acaba sendo ainda um relato histórico de um momento extremamente conturbado do Irã e das tensões ocidentais x orientais, antes mesmo do 11 de setembro, da crise dos refugiados, o crescimento da xenofobia e islamofobia no Norte Global e da ampliação de políticas anti-imigração. O tomo 1 de ‘Persepolis’ foi, nesse cenário, publicado na virada do milênio e narrou a infância de Marjane Satrapi antes e durante a Revolução Islâmica no Irã em 1979. Esse não é um texto que pretende dar spoilers, embora seja meio besta falar de spoilers com uma obra que fala sobre acontecimentos reais e relativamente atuais. De todo modo, a parte mais interessante desse livro (e da série, como um todo) é a desconstrução da imagem que se tem do Irã e das pessoas que lá moram - ou que de lá vem - como uma grande massa homogênea. Nós somos tentados a acreditar que as coisas no Irã sempre foram como são ou que pouco tiveram vozes dissidentes nesse processo. Isso não é verdade e a Marjane mostra isso particularmente neste tomo aqui. Além do Irã ter sofrido com muita influência ocidental no seu cotidiano e costumes durante o governo do Xá Mohammad Reza Pahlavi (período pré-Revolução Islâmica), a população era até bastante combativa e liberal em diversos aspectos relativos a direitos individuais. Em termos políticos, havia inclusive uma frente progressista bem ampla que estava em absoluto contato com ideias bolcheviques e marxistas, como um todo. A família de Marji faz parte integralmente dessa frente e um dos pontos altos desse volume é também ver como ela foi uma criança que foi desde sempre incentivada por seus pais a ler e questionar tudo. Por conta disso, é muito curioso ver as reflexões que a Marjane de dez anos faz sobre questões absolutamente complexas para sua idade, como classes sociais, religião e o governo do Xá, por exemplo. Em determinado momento ela fala sobre Marx e Deus: ‘C’était amusant de voir comme dieu et Marx se ressemblaient. Peut-être que Marx était un peu plus frisé.’ De maneira bem resumida, esse tomo trata de mostrar esse momento de contraste entre um período amplamente contaminado por ideais ocidentais e relativamente liberal, embora não-republicano, com outro de repressão e fundamentalismo religioso, apesar de instaurada a república. Uma das questões mais relevantes nesse processo, que Marjane ilustra inclusive, é como essa classe mais progressista e oposicionista ao Xá acaba sendo instrumentalizada para pressionar a revolução e a sua deposição, apenas para posteriormente sofrer as maiores perseguições, prisões e execuções pelo novo governo. Enfim, isso aqui é leitura indispensável. Eu pessoalmente acho que todo esse enorme bloco de texto que escrevi poderia ser resumido em um grande: LEIA!

    1 curtida

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    Avaliações

    4.4 / 20
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas5%
    Marjane Satrapi profile picture

    Marjane Satrapi

    Marjane Satrapi nasceu em Rasht no Irã em 22 de novembro de 1969. Quando tinha nove anos, testemunha a queda do Xá, o início da Revolução Islâmica e a guerra com Iraque, sofrendo com as grandes transformações de costumes e relações sociais do Irã. Com a ditadura religiosa imposta no Irã, Marjane vai à Viena, onde mora durante quatro anos e depois retorna ao Irã, onde cursa artes plásticas na Universidade de Teerã e retorna à Europa, morando em Paris aonde trabalha como artista plástica. Em 200o começa a publicar Persepolis, uma série de quatro livros de história em quadrinhos, autobiográficos, narrando desde a sua infância, a história, os costumes, as relações familiares e sociais no Irã no período de 1978 até os anos 90. Além da história de seu país, Marji nos conta a história que muitas crianças e jovens viveram nos anos 80 e 90, com toda a busca por liberdade e os gostos culturais desta época. Devido ao grande sucesso, Persepolis, foi traduzido em vinte línguas e adaptado para o cinema, com a própria Marjane Satrapi na direção com o apoio do francês Vincent Paronnaud. No Brasil, os quatros livros que compõem Persépolis foram pulicados em um único volume pela editora Companhia das Letras.

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    Marjane Satrapi