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    Pensamentos Supérfluos - Coisas que desaprendi com o mundo

    Evanilton Gonçalves

    paraLelo13S
    2017
    108 páginas
    3h 36m
    ISBN-13: 9788593407000
    Português Brasileiro
    4.7
    24 avaliações
    Leram5Lendo2Querem12Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos9Desejados12Avaliaram24

    O livro reúne contos e micro-contos que flertam com a poesia e a autoficção. Trata-se do livro de estreia do baiano Evanilton Gonçalves, graduado em Letras pela Universidade Federal da Bahia e grafiteiro, que já ensaiava alguns dos textos aqui reunidos em um blog na internet. Para o professor da UFBA Antonio Marcos Pereira, que assina o prefácio da obra, a literatura de Evanilton traz semelhanças com a prosa poética de Baudelaire...

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    Andreia Santana21/05/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "O spleen de Salvador"

    Para aqueles que tem olhos de ver e ouvidos para escutar com atenção, as ruas de uma cidade como Salvador, antigas, estreitas, apinhadas e esquizofrênicas na sua mistura de passado colonial com modernidade tardia, oferecem muito material para filosofias profundas e 'pensamentos supérfluos'. É entrar no ônibus, esteja ele vazio o suficiente para acomodar o corpo cansado ou cheio no modelo 'lata de sardinhas', e o balanço da viagem, se em alguns provoca torpor, em outros embala ideias, trechos de diálogos e digressões de todas as naturezas... Nesse clima de jornada interminável nascem os textos de <b> <i>Pensamentos Supérfluos: coisas que desaprendi com o mundo</b></i>, livro de estreia de Evanilton Gonçalves. Uma mistura de contos, micro-contos, autoficção e um apanhado de ideias de um jovem professor errante pelos recantos da velha cidade da Bahia. Escritos em prosa e poesia concreta, mas ainda assim macia, proporcionando uma leitura que desliza em palavras e evoca imagens universais. Por mais peculiar que seja Salvador e seus habitantes, existem semelhanças com outros centros urbanos, principalmente aqueles derivados da colonização e da diáspora. Não só o ônibus cheio nos horários de pico, mas as caminhadas apressadas ou contemplativas pelas centenárias esquinas e praças da cidade oferecem ao leitor um vislumbre da dinâmica soteropolitana, mas sob o olhar intimista, profundo e filosófico do autor. Salvador e todas as suas idiossincrasias invade a alma de Evanilton e ele transforma a experiência e devolve-a com suas lentes sensíveis e sutis, porém dotadas de senso crítico e uma certa ironia. É um olhar contemporâneo sobre a cidade mas, principalmente, sobre o soteropolitano periférico, aquele que vence distâncias gastando sola de sapato, chacoalhando nos coletivos, pedindo carona solidária e distribuindo versos a quem nem sempre retribui as poucas gentilezas recebidas na aridez cotidiana. O livro evoca a mesma atmosfera meio revolucionária em que gravitam os poetas populares da cidade, que pedem um minuto de atenção ao viajante entediado ou imerso nos próprios pensamentos, sacudindo-o, por alguns minutos, da languidez dos dias abafados e mormacentos, quando os ônibus transformam-se em pequenas estufas a cozinhar gentes e juízos. E, nas ruas apinhadas, o transeunte sonha com a brisa suave vinda do mar e barrada pelos paredões de vidro e concreto dos condomínios de luxo que roubam a paisagem e a ventilação. Essa Salvador cada dia mais abafada por fora, de certa forma, reproduz o sufocamento interno de seus habitantes mais sensíveis. Ora reflexo da revolta com os políticos e seus outdoors carregados de photoshop, ora com a solidão que hoje em dia nem a 'cidade efêmera do Carnaval', a despeito de toda publicidade, consegue mais aplacar. No prefácio da obra, o professor Antonio Marcos Pereira, da Universidade Federal da Bahia, a mesma onde Evanilton Gonçalves graduou-se pelo Instituto de Letras, evoca os poemas em prosa de <i>O spleen de Paris</i>, de Charles Baudelaire, e a estranheza com o mundo presente nos versos do poeta flâneur francês do século XIX. Pereira atribui a Evanilton um 'spleen de Salvador' e a definição não podia ser melhor. Os textos livres e os pensamentos do autor baiano, que de supérfluos não têm nada, registram em uma crônica cotidiana que mistura prosa e poesia, o mesmo lirismo sem regras da alma sensível que vagueia no limite do tédio existencial, mas revestida com o véu lírico que encobre a realidade crua e que só aqueles com todos os sentidos aguçados conseguem captar...

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.7 / 24
    • 5 estrelas75%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas4%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Evanilton Gonçalves profile picture

    Evanilton Gonçalves

    Evanilton Gonçalves nasceu em 30 de julho de 1986, em Salvador, Bahia. Graduado em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia - UFBA, é também Mestre em Língua e Cultua pela mesma instituição. Tem contos publicados em revistas literárias eletrônicas, como Desenredo e Subversa. Publicou, em 2017, seu primeiro livro de prosa curta intitulado “Pensamentos supérfluos: coisas que desaprendi com o mundo” (Paralelo13S, 2017), no qual os textos quebram as fronteiras entre conto, crônica, ficção e realidade.

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    4 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Evanilton Gonçalves