O Arquipélago da Insónia -

    António Lobo Antunes

    Dom Quixote
    2008
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9789722036948
    Português

    Começamos por uma casa, pelo sentimento uma força em exercício, um poder que vem de há muito tempo, quando essa casa era igual mas era uma herdade, um latifúndio, quando nada faltava – a família, as empregadas na cozinha, o feitor, os campos, a vila ao fundo, e a voz do avô a comandar o mundo. Agora há fotografias no Alentejo em vez de pessoas, e há objectos, cientes que também acabarão sem ninguém, há memórias de quem dorme, ou morreu, mortos que não sabem se a vida foi vida, há os irmãos, um é autista, e a imagem da mãe muito nítida, sempre de costas “(alguma vez a vi sem ser de costas para mim?)”. Nessa altura já não se sabia a que cheira o vento, como não se sabe para onde foi a Maria Adelaide, morta também, foi para Lisboa? A herdade foi tirada ao autista, e a doença (de quem?) é um arquipélago branco nas radiografias dos outros, um arquipélago normal, inocente. Estão todos mortos ou estão todos a sonhar e trocaram de sonhos, como se pudessemos trocar de sonhos.

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    Elisa Munhoz Cazorla28/07/2016Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    A morte da narrativa

    Lobo Antunes e sua obra são objetos de muitas pesquisas na Letras, Linguística, Literatura, etc. Eu, inclusive, descobri o autor e ele me foi sugerido por um mestrando cuja dissertação era sobre a obra deste autor. Há sim muito o que debater sobre a sua obra e seu estilo literário. Certamente seu trabalho contribui com o pensamento e levanta questões interessantes sobre a produção literária em diferentes perspectivas. Ao dizer isto espero ter sido respeitosa com os leitores, pesquisadores e admiradores deste autor. Agora gostaria de falar um pouco sobre como esta obra existiu em mim. Ler este livro foi como passear por um museu de arte moderna e me deparar com obras estranhas e que parecem fazem sentindo nenhum mas que, ao mesmo tempo, são por algum motivo importantes. Não consigo ou não aprendi a apreciar a arte pós moderna em suas múltiplas faces e esta obra é pós-moderna demais para minha reles compreensão desta categoria. Não gostei de nada. Saía irritada todas as vezes que lia este livro. A incapacidade de acompanhar a narrativa foi-me insuportável. O autor interrompe os parágrafos e, a certa altura, também interrompe palavras, joga diálogos no meio dos parágrafos que parecem não ter qualquer relação com a ideia do parágrafo (nos momentos que podemos perceber alguma ideia). Não é uma obra para mim. Não é um autor para mim. Pós moderno demais para mim.

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