Memória do fogo (L&PM Pocket #909) - A trilogia

    Eduardo Galeano

    L&PM
    2010
    1174 páginas
    1d 15h 8m
    ISBN-13: 9788525420954
    Português Brasileiro

    A trilogia que compõe 'Memória do Fogo' é um trabalho único na literatura latino-americana. Trata-se de um formidável painel poético, histórico, épico, fantástico, no qual Eduardo Galeano conta histórias da história da América Latina, da época pré-colombiana até os nossos dias. Sobre 'Memória do Fogo', Galeano se propõe a 'narrar a história da América, e sobretudo a história da América Latina, em um vasto mosaico que chegará até nossos dias. (...) Não se trata de uma antologia, e sim de uma criação literária, que se apoia em bases documentadas, mas se move com inteira liberdade'. O autor 'ignora o gênero ao qual pertence esta obra: narrativa, ensaio, poesia épica, crônica, depoimento... Talvez pertença a todos e a nenhum (...)”. Escrevendo com maestria, o autor criou um apaixonante inventário da saga latino-americana. Personagens, mitos, lendas, batalhas, vencedores e vencidos desfilam diante dos leitores em flashes carregados de vida, lirismo e emoção. 'Os Nascimentos' abrange a América pré-colombiana e o período entre os últimos anos do século XV até o ano de 1700; 'As Caras e as Máscaras', os séculos XVIII e XIX; e 'O Século do Vento', o século XX. (Fonte: Saraiva)

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    Luiz Pereira Júnior26/08/2025Resenhou um livro
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    Um mistério resolvido...

    Eduardo Galeano permanece um mistério para mim. Não sei se gosto da escrita dele. Ou se não gosto. Não sei se ele é um bom escritor. Ou se não é. Não sei se ele é um historiador. Ou se não é. Não sei se ele é apenas um compilador. Ou se não é. Imagine-se professor por alguns instantes. Você pede a um aluno para fazer um resumo sobre a história da América Latina e esse aluno cumpre com louvor sua tarefa, não acrescentando quaisquer comentários subjetivos, líricos ou panfletários, restringindo-se a copiar datas, personagens, biografias curtas e relatos em ordem absolutamente cronológica. Para outro aluno, você pede que ele escreva sua opinião sobre a América Latina e ele cumpre a tarefa com louvor, com uma profusão de comentários subjetivos, líricos e até mesmo panfletários. Para um terceiro aluno, você diz simplesmente “América Latina” e esse aluno faz uma espécie de colagem de dezenas de livros, de fatos históricos misturados a relatos de vida de seres humanos comuns ou célebres, dando suas opiniões em comentários subjetivos, líricos ou panfletários (chegando ao piegas em certos trechos, tais como “O arco-íris vem até ele e se encolhe muito, muito, para que ele possa recolhê-lo entre os dedos”... e isso se referindo a um guerrilheiro). Assim é a escrita de Eduardo Galeano. Porém, não pequemos pela rabugice. Eduardo Galeano é, sim, um bom escritor e um bom historiador, apesar dos defeitos (ou idiossincrasias, se assim preferir). Uma delas é justamente o fato de contar centenas de pequenas histórias tendo praticamente o mesmo tema (a opressão dos colonizadores e da Igreja católica ao nosso continente), seguindo o mesmo esquema. É como dizem de Agatha Christie (quem leu um livro de Agatha Christie leu todos) ou de Vivaldi (quem escutou um concerto de Vivaldi escutou todos eles) e isso faz com que as narrativas percam força, anestesiando o leitor, dando aquela impressão de “de novo essa história...” ou de “quantas páginas faltam para terminar?”; é como aqueles programas de televisão que transmitem mortes e mais mortes e mais mortes (no final das contas, o espectador vai fazer outra coisa enquanto o apresentador berra sobre a infâmia do crime). Talvez seja exatamente isso: mais vale uma história muito bem aprofundada do que centenas de historinhas mudando apenas o personagem principal. E também sejamos justos. Vale a pena, sim, ler Eduardo Galeano. Talvez pela enorme pesquisa histórica que ele empreendeu. Talvez pela intensa e furiosa crítica social e política de seus textos. Talvez pela facilidade da leitura, com seus textos curtos e linguagem absolutamente fluida. E tudo isso junto acaba fazendo um bom escritor. Não o melhor dos escritores, mas um bom escritor enfim...

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