Isto não é um cachimbo -

    Michel Foucault

    Paz e Terra
    2016
    83 páginas
    2h 46m
    ISBN-13: 9788577533022
    Português Brasileiro

    Pode-se (...) tomar este escrito de Foucault como uma reflexão sobre a ideia de Magritte de que "as coisas não possuem entre si semelhança, elas têm similitudes. Só ao pensamento é dado ser semelhante". O que faz, então, Foucault, inspirado nessa ideia? Analisa os dois desenhos "Isto não é um cachimbo", vários outros quadros de Magritte, além da relação de seu procedimento pictórico com os de Klee e Kandinski, para mostrar como, no século XX, um tipo de pintura do qual ele se sente próximo em suas pesquisas teóricas sobre as ciências do homem e a literatura rompeu com os princípios da pintura ocidental em vigor desde o século XV. Mais especificamente, privilegiando a relação entre o desenho e o enunciado, a figura e o signo, o objetivo principal de Foucault, nessa época em que refletia sobre o seu próprio procedimento metodológico preparando sua "Arqueologia do saber", de 1969, é explicitar como Magritte rompeu com o postulado da representação, inaugurando uma pintura que põe em questão o espaço comum, o "lugar comum" entre a imagem e a linguagem.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (30)Ver mais
    Okaywinx picture
    Okaywinx10/08/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Quero deixar bem claro que essa interpretação é *pessoal*

    Eu tava pensando se eu realmente queria colocar a minha interpretação como resenha, já que isso pode influenciar outras pessoas em suas análises críticas, mas decidi que um filtro de spoiler seja o suficiente. Primeiramente, eu queria dizer que não estou escrevendo logo após acabar o livro, eu refleti bastante do que eu absorvi dele e pedi a opinião pessoal do meu pai (historiador) sobre ele, porque queria julgar o meu senso crítico do ponto de vista de alguém que estuda sobre. O livro já começa com uma puta quebração de cabeça, ele fala sobre uma ilustração de um charuto grande e um menor desenhado dentro de um quadro com a escrita "isto não é um charuto" logo abaixo. Nesse contexto ele fala sobre os diferentes tipos de interpretações que podemos ter da mesma coisa, vistas de formas diferentes, ou seja, se vemos o quadro como um todo, se vemos apenas a frase, ou apenas o charuto pequeno/grande. Tudo isso está nos influenciando a ter uma análise diferente, assim como será uma análise diferente caso peguemos o micro, juntarmos e transformarmos em algo só. Mas ele acredita na análise do macro, em seu ponto de vista, nunca poderemos entender o individual se não entendermos o coletivo, e vice versa (um bom historiador é aquele que enxerga o individual no coletivo). Mas o primeiro passo para enxergarmos o individual é ver todo o contexto, exemplo, nunca entenderemos como surgiu o feminismo se não entendermos as vivências femininas no passado. Seria apenas um caso isolado, entendem? Isso também implica julgar como funciona as conexões dos fatos, assim como buscamos entender o passado para planejar o futuro, precisamos entender o presente pra julgar o passado e melhorar o futuro (isso é algo que eu estou dizendo). Na visão de foucault, nunca poderíamos entender as nuances, por exemplo, das aplicações das leis atuais, se não vermos como funcionava elas.no passado. E para dizermos "nossa, isso é injusto", precisamos entender o porquê de, no nosso contexto, algo ser considerado injustiça, e assim, pensar se num futuro continuara sendo. Sabermos observar nos dará a chance de enxergar, refletir e entender. Nós como seres pensantes estamos sempre buscando o significado das coisas inconscientemente, mesmo para algo que não foi feita para ter um significado, é isso nos faz evoluir.

    15 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 294
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%