The Politics -

    Aristóteles

    Penguin Classics
    1981
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9780140444216

    Twenty-three centuries after its compilation, 'The Politics' still has much to contribute to this central question of political science. Aristotle's thorough and carefully argued analysis is based on a study of over 150 city constitutions, covering a huge range of political issues in order to establish which types of constitution are best - both ideally and in particular circumstances - and how they may be maintained. Aristotle's opinions form an essential background to the thinking of philosophers such as Thomas Aquinas, Machiavelli and Jean Bodin and both his premises and arguments raise questions that are as relevant to modern society as they were to the ancient world.

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    vanessa figueredo dourado 22/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aristóteles rompe com o mundo ideal de Platão e analisa a política de uma forma mais realista, tendo o homem comum como o sujeito central. O homem comum, segundo o autor, desfruta de certo ócio, sendo necessário para isso, a presença de posses. O ócio permite ao homem o estudo necessário para que ele se torne bem instruído e por consequência, que possa participar da atividade política. Aristóteles vê a comunidade como necessária ao desenvolvimento do homem e todo aquele que foge disso seria um deus ou uma fera. Pois é na polis que o homem desenvolve suas potencialidades. O regime de governo depende do tipo de povo. Segundo a analise de 158 constituições, Aristóteles chega a conclusão que há seis tipos de regimes políticos, quais sejam: monarquia, aristocracia, república, dentre os bons e tirania, oligarquia e democracia dentre os maus. Esse homem comum está inserido na polis, que objetiva uma vida boa aos integrantes através de uma vida justa. O bem é o fim da arte e em termos políticos, o bem seria a justiça. Porém, todo regime, toda conformação social traz consigo inúmeros ônus. A eficácia e consolidação da justiça não é tão simples quanto supunha o idealismo de Platão. Cada povo tem condições particulares, não havendo uma forma de governo aplicável a todos, embora tenha preferência para a monarquia dentre os bons e para a democracia, dentre os maus governos. Embora tenha tendência à Monarquia, Aristóteles defende a alternância entre mando e obediência, tendo em vista que é assim que a liberdade se consolida, haja vista a ausência de uma raça proeminentemente superior, mesmo entre reis. Aristóteles faz uso da máxima de que "Para bem comandar, é preciso ter antes obedecido." Infere ainda que é preferível a democracia em sociedades agrícolas e secundariamente na sociedade com vida pastoril, estando assim, os outros arranjos de democracia muito abaixo destes. Aristóteles deixa claro que a existência do homem médio é essencial para a manutenção de um regime de governo, funcionando este como uma espécie de árbitro que não tende nem para os mais ricos, tampouco para os mais pobres. O homem médio possui a abastança necessária para viver de forma equilibrada, sem desejar sobrelevar-se e sem a necessidade de rebaixar-se. Para Aristóteles, o governo republicano, tirado da classe média, aproxima-se mais da democracia do que da oligarquia. Assim, é o mais seguro e estável de todos os governos. Outro ponto interessante é que o autor aponta que os democratas são iguais aos outros em alguns aspectos, mas consideram-se absolutamente iguais, enquanto os oligarcas acreditam que por serem mais ricos, são superiores em tudo. Os dois modelos podem ter certa aparência de razão, mas como infere o próprio autor, todos se enganam, ao tomar por absolutamente justo o que o é apenas em parte. Por fim, o autor menciona que a única superioridade absoluta é a da excelência do mérito. Trago à baila um trecho que achei fenomenal:"Portanto, nunca é cedo demais para abafar as brigas dos altos funcionários e dos grandes. O mal está na origem. Em tudo, o que começou já está feito pela metade. O menor erro cometido no início repercute em tudo que se segue." Ao leigo, como eu, pode parecer ser tudo muito abstrato e fruto de muita divagação, mas as razões colocadas pelo autor demonstram muita acuidade em seus estudos e uma larga sistematização de seus pensamentos que transformaram-se em uma ciência prática, advindas provavelmente da época em que ele era preceptor de Alexandre. Apesar de ser relativamente pequeno, o livro é muito denso. Tem muita informação, portanto, não foi uma leitura rápida e não tive a pretensão que viesse a ser. É um livro que merece um tempo extra de dedicação para um entendimento mais amplo. Não traz verdades absolutas e alguns posicionamentos do autor são muito questionáveis e inaplicáveis aos dias atuais, mas é sem dúvida, um pioneiro e é genial na análise e na capacidade de enxergar o mundo de forma tão ampla e visionária. Recomendo.

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