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    A mulher de pés descalços -

    Scholastique Mukasonga

    Nós
    2017
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788569020189
    Português Brasileiro
    4.2
    1052 avaliações
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    Favoritos73Desejados1377Avaliaram1052

    O romance ‘’A mulher de pés descalços’’ trata de maneira pungente dos conflitos enfrentados pelas mulheres na Ruanda das lutas fratricidas entre as etnias Tutsi e Hutu, que culminaram com o ominoso genocídio praticado pelos hutus em 1994. Naquele momento, Scholastique Mukasonga, que é da etnia tutsi, já estava radicada na França, e viu à distância sua família ser dizimada. Escritora e ativista da diáspora negra, ela toma para si o chamamento para dar voz à dor e à perda, principalmente de sua mãe Stefania, cuja memória é homenageada em ‘’A mulher de pés descalços’’.

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    Bookster Pedro Pacifico26/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A mulher de pés descalços, de Scholastique Mukasonga – Nota 8,5/10

    Sobrevivente da guerra civil que assolou a Ruanda no começo da década de 90, Mukasonga escreveu alguns livros para relatar as atrocidades e sofrimentos que vivenciou. Em “A mulher de pés descalços”, a autora faz uma homenagem à sua mãe, Stefania, uma das vítimas do massacre do povo Tutsi. No entanto, apesar de tratar da violência sofrida pela etnia minoritária do país (em comparação com os Hutus, que correspondiam a mais de 90% da população), Mukasonga se concentra em reconstruir a figura de sua mãe a partir de suas memórias de infância relacionadas com as tradições do seu povo. Para isso, a autora transita entre temas como a figura da mulher nas relações familiares dos ruandeses, até detalhes culturais como moradia, alimentação e casamento. A maior parte da narrativa se passa em Nyamata, uma cidade no sudeste da Ruanda, para onde a sua e outras famílias Tutsis foram deportadas na década de 60. O leitor aprende sobre a história do país e de seu povo por meio de uma escrita sensível e impactante. Ao longo do livro também é possível identificar os impactos que a colonização trouxe para a vida dos ruandeses. Embora seja nítida a imposição dos costumes pelos colonizadores, uma parte das tradições consegue sobreviver e se adaptar à nova ideia de civilização. De fato, ao mesmo tempo que Stefania acreditava e conhecia “as plantas de bom augúrio”, não deixava de ir às missas católicas todos os domingos. Ao se propor a refazer a memória de sua mãe, Mukasonga na verdade conseguiu refazer a memória de todo um povo e de milhares de mães da Ruanda, vítimas de um massacre assustador e que deixou suas marcas permanentes na história. “Mãezinha, eu não estava lá para cobrir o seu corpo, e tenho apenas palavras – palavras de uma língua que você não entendia – para realizar aquilo que você me pediu. E estou sozinha com minhas pobres palavras e com minhas frases, na página do caderno, tecendo e retecendo a mortalha do seu corpo ausente.”

    51 curtidas

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    Scholastique Mukasonga

    Scholastique Mukasonga é uma aclamada escritora que nasceu em 1956 no sudoeste de Ruanda, junto ao rio Rukarara. Ela vivenciou a violência e a humilhação dos conflitos étnicos em seu país desde a infância. Em 1960, sua família foi deslocada para o distrito poluído e subdesenvolvido de Bugesera, em Ruanda, e mais tarde foi forçada a viver em um campo de refugiados. Apesar das perseguições e massacres repetidos, Mukasonga sobreviveu e conseguiu frequentar a escola, apesar das cotas limitadas que permitiam apenas 10% dos Tutsi nas escolas secundárias. Ela frequentou o Lycée Notre-Dame-de-Citeaux em Kigali e uma escola de serviço social em Butare, mas em 1973, foi obrigada a se exilar para o Burundi para escapar da ameaça de morte. Lá, ela completou seus estudos como assistente social e começou a trabalhar para a UNICEF. Mukasonga mudou-se para a França em 1992, onde trabalhou como assistente social para os estudantes da Universidade de Caen entre 1996 e 1997. Desde 1998, ela atua como representante legal para a Union départementale des associations familiales de Calvados (União Departamental de Associações Familiares de Calvados). Em 1994, 37 membros de sua família foram mortos durante o genocídio Tutsi em Ruanda. Mukasonga só retornou ao país em 2004, uma década depois do genocídio, e foi a partir dessa viagem que ela sentiu a necessidade de escrever seu primeiro livro, uma autobiografia, "Baratas (Inyenzi ou les Cafards)". Este livro foi nomeado para o Prêmio do Livro do Los Angeles Times em 2016 na categoria autobiográfica. Sua obra explora a história e as raízes do genocídio e a experiência de ser uma minoria Tutsi. A escritora tem diversas obras publicadas, entre elas "A mulher de pés descalços (La Femme aux pieds nus)" em 2008, "L'Iguifou" em 2010, "Nossa Senhora do Nilo (Notre-Dame du Nil)" em 2012 e "Um belo diploma (Un si beau diplôme!)" em 2018. "Nossa Senhora do Nilo" ganhou o Prêmio Renaudot em 2012, além de outros prêmios, e teve uma adaptação cinematográfica em andamento, dirigida por Atiq Rahimi. A escritora também publicou uma coleção de contos chamada "Ce que murmurent les collines" em 2014. No Brasil, Mukasonga participou da FLIP em 2017, onde suas obras "Nossa Senhora do Nilo" e "A mulher de pés descalços" foram classificadas entre os cinco livros mais vendidos do festival literário de Paraty, Rio de Janeiro. Publicações no Brasil: - "A mulher de pés descalços" (lançado em 2017, traduzido por Marília Garcia) - "Nossa senhora do Nilo" (lançado em 2017, traduzido por Marília Garcia) - "Baratas" (lançado em 2018, traduzido por Elisa Nazarian) - "Um belo diploma" (lançado em 2021, traduzido por Raquel Camargo)

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    Gikongoro, Ruanda

    Scholastique Mukasonga