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    O Horlá (A Arte da Novela) -

    Guy de Maupassant

    Grua Livros
    2017
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788561578619
    Português Brasileiro
    4
    41 avaliações
    Leram56Lendo0Querem33Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos1Desejados33Avaliaram41

    Um homem burguês que mora perto de Rouen, com vista para o rio Sena, narra na forma de um diário estranhos acontecimentos que lhe chamam a atenção. A garrafa d’água que se esvazia durante a noite, o sumiço do leite que não se lembra de ter bebido, a bizarra sensação de sentir uma presença que ele não enxerga. Angustiado, equilibrando-se entre o sobrenatural e a paranoia, entre a sanidade e a loucura que imagina que possa tê-lo acometido, o narrador passa definitivamente a crer na presença de um ser desconhecido quando vê, à luz do dia, um galho sendo quebrado e uma flor sendo arrancada, como que por dedos invisíveis. Esta edição apresenta pela primeira vez juntas em português as três versões da história. O Horlá de 1886 e o conto Carta de um louco de 1885 evidenciam o longo caminho de criação que o escritor percorreu até chegar à versão final, publicada em 1887, e que abre este volume. A presença de elementos fantásticos na obra de Maupassant é frequentemente relacionada à sífilis, contraída na juventude. O estado avançado da doença levou-o a alucinações constantes, sintoma que é concomitante à sua produção de narrativas fantásticas. Parece claro, porém, que conseguia períodos de plenitude em sua capacidade intelectual e criativa, como neste inovador precursor da ficção psicológica narrada em primeira pessoa.

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    Andreia Santana picture
    Andreia Santana01/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Terror psicológico com o peso do realismo do século XIX

    <b><i>O Horlá</b></i>, novela fantástica do escritor francês Guy de Maupassant, discípulo e amigo de Gustave Flaubert, é a história de um homem burguês que vive em Rouen e, diante de uma crise de nervos, narra uma história que o leitor nunca tem certeza se deriva do estado de espírito lúgubre do narrador ou é fruto de uma alucinação. O homem faz questão de afirmar que não está louco, mas sente que perde a sanidade dia a dia por estar obcecado e paralisado por uma ameaça que ele não sabe identificar, mas que desperta um medo atávico e ancestral. O personagem/narrador afirma que há uma criatura invisível à espreita em seu quarto, durante o sono, em seu jardim, nos seus momentos de passeio ao ar livre, e demais cômodos da casa, em horas inesperadas. Ele chama essa 'assombração ' de Horlá, um tipo de criatura inacessível e incompreensível que seria uma espécie de avatar dos medos humanos. Nesta edição da Grua para a coleção A arte da novela, estão reunidas em um único volume as três versões que Maupassant escreveu para essa história de horror psicológico carregada nas tintas do realismo, que tanto pode ser sobre espíritos malignos, alienígenas ou o imenso e assombroso vazio. As três versões foram publicadas, respectivamente, entre 1885 e 1887. Em comum, elas têm o fato de que o narrador/personagem conta sua história, ao vivo ou por carta, a depender da versão, para uma junta médica em um hospital psiquiátrico. Em uma das versões, o próprio psiquiatra está obcecado pela história do paciente. Maupassant morreu em uma instituição psiquiátrica, em 1893, aos 42 anos, por conta de sequelas da sífilis. Contaminado ainda jovem, a doença atingiu o cérebro do autor e, por conta disso, ele tinha alucinações que, segundo seus biógrafos, foram muitas vezes transformadas em material para seus mais de 300 contos e romances. A paranoia que leva o protagonista à perda da razão, pouco a pouco, mostra-se um risco para ele mesmo e para os empregados que o servem em seu casarão às margens do rio Sena. A obsessão desse homem, independente de sabermos se é delírio ou o sobrenatural agindo, é a sua condenação. <i>O Horlá</i> é uma das histórias fantásticas mais famosas do século XIX porque, de forma angustiante e magistral, Maupassant narra a derrocada de uma pessoa rumo a alienação completa... <b>O Horlá</b> Autor: Guy de Maupassant Tradução: Sérgio Flaksman Editora: Grua, 2017 88 páginas R$ 28,82 (Amazon, brochura)

    2 curtidas

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    4 / 41
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    Henry René Albert Guy de Maupassant profile picture

    Henry René Albert Guy de Maupassant

    Henry René Albert Guy de Maupassant foi um escritor e poeta francês com predileção para situações psicológicas e de crítica social com técnica naturalista. Foi amigo de Gustave Flaubert. Além de romances e peças de teatro, Maupassant deixou 300 contos, todos obras de grande valor. Merecem destaque, entre os mais famosos Bel Ami, Mademoiselle Fifi e Bola de sebo. "A Pensão Tellier" e "O Horla" podem ser considerados seus contos mais significativos. Faleceu no manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis que o atormentou por mais de uma década. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse. Foi um influente escritor europeu, trazendo em sua bagagem de seguidores o escritor irlandês James Joyce.

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    Henry René Albert Guy de Maupassant