A Princesa de Clèves (Coleção Folha Mulheres Na Literatura #15) -

    Madame de Lafayette

    Folha de S.Paulo
    2017
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788579493454
    Português Brasileiro

    A leitora ou o leitor tem em mãos um monumento da literatura. Aproxime-se, pois, com admiração, paixão e cautela. Admirável é o pioneirismo desta obra-prima de 1678 que ajudou a assentar as bases do romance como gênero literário, dotando-o de seriedade e vigor intelectual. Mais ainda: foi também a primeira das narrativas romanescas a colocar de lado as peripécias de heróis em um mundo de fantasias e mergulhar inteiramente na psicologia dos personagens e em seus dilemas íntimos, vividos a portas fechadas e em ambiente realístico.Em meados do século 16, na França, uma bela dama da corte dos Valois vê-se sem querer numa encruzilhada: ou preservar seu casamento, ou entregar-se à paixão que sente pelo duque de Nemours. Trama aparentemente banal, que Madame de Lafayette (1634-1693), uma erudita aristocrata, transforma em dramática aventura pelas cavernas labirínticas dos sentimentos, expostos num estilo inédito em sua época: preciso, objetivo, conciso e verdadeiro.Mas, cuidado, A Princesa de Clèves não é apenas a história de um amor impossível ou de uma jovem sufocada pelos costumes e pela religião. É, sobretudo, a descrição da luta corajosa que uma mulher trava consigo mesma a fim de se fazer mestra de suas ações e dona de seu destino. Pois, como diz o escritor Albert Camus no excelente posfácio que acompanha esta edição, "não há arte onde não há nada a ser vencido". Alcino Leite Neto - Editor da Três Estrelas

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    Luciana Darce01/07/2020Resenhou um livro
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    Diz a sabedoria popular que “segredo entre três, só matando dois”. Aplicar essa máxima ao clássico romance de Madame de La Fayette, não creio que sobrem personagens, até porque os próprios donos do segredo teriam de cometer suicídio para não ter comichões de se confessar com ninguém. Intrigas e fofocas são a base do enredo e todo mundo está mais que interessado nos mexericos da corte. Considerando tal fato, é meio hilário que Sarkozy tenha eleito o romance como um de seus inimigos particulares à época que foi presidente. Publicado anonimamente em 1678, A Princesa de Clèves é um meio termo entre as baladas de amor cortês medieval e o romance realista psicológico, algo como Tristão e Isolda numa versão proto-machadiana. Na corte francesa de Henrique II, a beleza e virtude da jovem senhorita de Chartres acende intensas paixões por onde passa. Velhas rivalidades na corte envolvendo parentes seus, contudo, parecem impedi-la de fazer um casamento realmente vantajoso… até o Príncipe de Clèves perder o pai e assim ficar desimpedido de ordens contrárias. O príncipe ama a jovem desesperadamente, ao passo que ela lhe tem apenas respeito e um afeto confortável. Tudo iria razoavelmente não fosse pelo retorno do valoroso Duque de Nemours à corte, que, à primeira vista, desenvolve uma paixão obsessiva pela agora princesa… sendo por ela correspondido. Tal paixão, contudo, nunca é consumada diante do dever que ela entende ter para com seu marido - ao ponto de ela preferir confessar ao príncipe sua paixão para se certificar de que não vai traí-lo com o duque. A Princesa de Clèves entrou na minha lista de leituras mais por curiosidade histórica que interesse literário. Afinal, ele é considerado o primeiro romance psicológico publicado. Além de ter sido escrito por uma mulher e sido um sucesso de público à época. Não é, contudo, uma leitura que flui com tanta facilidade: há algo do fluxo de consciência que mais tarde seria marca registrada de Virginia Woolf, pensamentos e ações se mesclando e confundindo, de tal forma que às vezes você se perde no enredo. Os personagens também não são lá muito simpáticos - a heroína é perfeita demais, o marido é insosso, o pretendente a amante é inconveniente e sua paixão fixa me assusta. Ainda assim, é uma curiosidade que vale ser saciada, seja para acompanhar a evolução do gênero romance, seja porque ao terminar você está com a cabeça cheia de imagens deslumbrantes da corte, seja porque há algo de intenso e intrigante e - bem, ele é considerado um monumento da literatura daquele país - francês na história.

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