Quando Mestre Yoda começou a ler o livro Pro Inferno Com Isso, de Matheus Peleteiro, balançou a cabeça satisfeito:
A Força grande nesse jovem é
Ao término da leitura, quando me emprestou o livro, Mestre Yoda sorriu enigmaticamente e comentou:
A Força jovem nesse grande é
Acho que entendi o que o Mestre Jedi quis dizer, depois que eu mesmo devorei os 28 contos de Pro Inferno Com Isso. Matheus Peleteiro tem uma prosa fluida e cativante, que tem o poder de transportar o leitor para o intenso e visceral mundo imaginativo do autor. E, interessante perceber isso, boa parte dessa intensidade tem a ver com uma forte aura de juventude que emana das páginas do livro.
A tal ponto senti essa impressão, que me peguei elaborando as seguintes comparações. Se esse livro fosse um signo do zodíaco, seria o de Áries, com seu grande ímpeto para os começos. Se fosse uma carta do Tarot, seria a do Carro, com sua sobrepujante energia juvenil. Se fosse um hexagrama do I Ching, seria o de número 4, que retrata a boa sorte de um jovem talentoso. Se esse livro fosse um disco, seria Raulzito e os Panteras, auspicioso começo da potência musical de Raul Seixas. Aliás, ao saber que o autor é também soteropolitano, como Raulzito e eu mesmo, fiquei com a renitente vontade de achá-lo fisicamente parecido com Raul em alguma de suas muitas fases. Acho que captei mais foi a inquietação da alma, a altivez das atitudes e a nobreza das intenções, que é muitas vezes disfarçada por borbotões de deboche.
Ao ler Pro Inferno Com Isso, senti claramente estar diante de um talento genuíno, o que muito me alegrou. Nessa obra em particular, foi preponderante essa impressão de Juventude, tanto no que ela tem de belo quanto no que tem de irritante. É claro que em tudo que lemos, nos vemos, seja no que nos agrada ou no que nos repele. Sei muito bem que vi a mim mesmo de outros tempos em muitas passagens desse livro. Mais especificamente, ao Fabio Lopes de vinte e poucos anos, baixista da banda de heavy metal Imago Mortis, que acreditava ser a sua missão compor a música mais triste do universo, capaz de fazer alguém querer se matar só de ouvir.
Espero ter novos encontros com a Literatura de Matheus Peleteiro no futuro, e descobrir assim, em renovados espelhos, o quanto cada um de nós caminhou.
https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2022/01/sob-o-signo-da-juventude-pagina-de-um.html