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    Allegories of Reading - Figural Language in Rousseau, Nietzsche, Rilke and Proust

    Paul de Man

    Yale University Press
    1979
    305 páginas
    10h 10m
    ISBN-13: 9780300028454
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    Henrique Carvalho picture
    Henrique Carvalho23/10/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Alegorias da Leitura" é o livro mais denso e complexo de teoria e crítica literária que conheço. Por essa razão, é também uma obra muito rica. E talvez também por tudo isso seja uma das menos compreendidas do século XX. Esta é a obra na qual de Man desenvolve, aplica e expande sua própria teoria sobre o funcionamento da linguagem em sua dimensão retórica, e para entender essa obra é necessário ter clareza sobre essa teoria. Desenvolvida no primeiro capítulo, ela é fundada em uma releitura dos três polos do trivium clássico, gramática, lógica e retórica. Como de Man explica no primeiro capítulo, "Semiologia e Retórica", embora gramática e lógica possam formar um par sem contradição, sua relação com a retórica não é tão simples. Não é frutífero fazer como a crítica até então fazia de passar de um lado para o outro sem observar as tensões entre a retórica e os dois outros polos. Tomemos o exemplo tradicional da "pergunta retórica". Ela é formulada gramatical e logicamente como uma pergunta, mas retoricamente como uma resposta. Para de Man, essa autonegação da linguagem é algo que ocorre em todos os textos. A tensão entre o sentido retórico e o literal dos enunciados é constitutiva da linguagem. A retórica, portanto, não é uma dimensão em harmonia com a gramática e a lógica, mas algo que suspende a ambas. O que não quer dizer que onde haja um haja outro: eles convivem em contradição. Ou, como ele formula, toda sentença bem formulada engendra confusões que ela própria não pode resolver, que para serem resolvidas precisam de suplementos (verbais ou outros), que por sua vez geram mais tensões. A crítica que faz uma leitura retoricamente atenta (o que o autor chama de Leitura Retórica) não deve procurar resolver a tensão ou escolher um lado, mas expôr as contradições e trabalhar o texto sobre elas. Esse é um instrumental de leitura muito poderoso. Ao demonstrar a instabilidade dos textos, sempre em contradição consigo próprios, de Man oferece a seu leitor e a quem aceitar seu desafio de entender a linguagem dessa forma um aparelho que permita sempre desafiar a toda forma de representação que se pretenda única e final. A leitura retórica não é uma forma de crítica que privilegia a confusão e a indeterminação, como querem seus detratores, mas sim uma que privilegia a multiplicidade e desafia as leituras que se querem únicas e idênticas a si. Sem dúvida dentro de um livro tão difícil e menos lido do que deveria, há um dos tesouros mais importantes de nossa época.

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