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    As alegrias da maternidade (TAG Curadoria) -

    Buchi Emecheta

    TAG - Experiências Literárias; Dublinense
    2017
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788583180968
    Português Brasileiro
    4.6
    5083 avaliações
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    Favoritos707Desejados5481Avaliaram5083

    Nnu Ego, filha de um grande líder africano, é enviada como esposa para um homem na capital da Nigéria. Determinada a realizar o sonho de ser mãe e, assim, tornar-se uma "mulher completa", submete-se a condições de vida precárias e enfrenta praticamente sozinha a tarefa de educar e sustentar os filhos. Entre a lavoura e a cidade, entre as tradições dos igbos e a influência dos colonizadores, ela luta pela integridade da família e pela manutenção dos valores de seu povo.

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    Bookster Pedro Pacifico picture
    Bookster Pedro Pacifico26/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta – Nota 9,5/10

    Diferentemente do que o título dá a entender, não se trata de um livro sobre alegrias. A maternidade abordada por Emecheta, escritora nigeriana de incrível talento, também está longe daquele conceito idealizado sobre a criação dos filhos. O que encontramos nessa obra é a difícil vida de uma Nnu Ego nigeriana, nascida no interior do país e que é enviada para a capital para se casar com um homem que nem conhece. Nnu Ego é filha de um grande líder da tribo em que nasceu. Acostumada com as tradições de seu povo, a personagem sofre um choque cultural ao chegar na capital da Nigéria e se deparar com a dura vida nas grandes cidades – fortemente influenciadas pelos colonizadores. A presença do contraste entre a identidade de cada povo africano e dos colonizadores é muito forte na obra. É triste identificar como a mentalidade do colonizador branco tenta silenciar os costumes e tradições de uma nação. Além disso, a narrativa tem um grande enfoque na constante batalha de Nnu Ego para criar seus filhos em situações precárias e, em grande parte do tempo, completamente sozinha. Qual o papel da mulher na cultura africana? Porque ela deve suportar tantas responsabilidades e se submeter ao injusto crivo moral da sociedade? Ao se colocar no lugar da protagonista, não há como terminar esse livro sem uma visão mais real e empática sobre a maternidade e sobre as discriminações que ela sofre apenas por ser mulher. Apesar de publicado em 1979, a abordagem da autora sobre temáticas sensíveis e de inegável relevância social é muito atual. Ah, não dá para deixar de dizer que a escrita de Emecheta também é deliciosa, muito agradável de ler, daquelas que as páginas passam sem você se dar conta. Inclusive, a história da autora não diverge muito da escrita nessa obra. Prometida ao seu marido desde os 11, casou aos 16 anos. Foi vítima de um casamento violento e perturbado. Talvez seja por isso que a sua visão sobre as condições da mulher nigeriana é tão facilmente transmitida ao leitor, que compartilha das angústias da protagonista.

    205 curtidas

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    • 2 estrelas0%
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    Florence Onyebuchi Emecheta profile picture

    Florence Onyebuchi Emecheta

    Sobre a autora: A nigeriana Buchi Emecheta é autora de mais de 20 obras, entre elas No fundo do poço (1972), Cidadã de segunda classe (1974) e As alegrias da maternidade (1979), publicados pela Dublinense. Seu trabalho aborda temas como escravidão, independência feminina, maternidade e liberdade e é reconhecida pela crítica mundial, especialmente na Inglaterra, onde residiu por mais de 50 anos até sua morte, em janeiro de 2017. <b>A submissão das mulheres africanas é o principal tema desta escritora nigeriana, uma das mais prolíficas do continente.</b> Buchi Emecheta nasceu em Lagos, Nigéria, em 1944 e foi educada numa escola metodista, após receber uma bolsa quando o seu pai morreu. O seu destino mudou ao casar-se aos 16 anos com o homem com quem se tinha comprometido desde os 11 e com quem emigraria quatro anos depois, para Londres. O casal teve cinco filhos antes de o casamento ter terminado. Como mãe pertencente a uma minoria num país estrangeiro, Emecheta teve que enfrentar diversos obstáculos. Apesar disso, em 1974 licenciou-se pela Universidade de Londres em Sociologia, estudos que conciliou com um trabalho na biblioteca do Museu Britânico para manter a sua família. Precisamente as dificuldades que sofreu em Londres foram o material seleccionado para os seus dois primeiros romances, In the Ditch (1972) e Second-Class Citizen (1975). Ela continuou o seu êxito inicial com romances sobre a luta permanente das mulheres africanas para desenvolver o seu potencial numa sociedade dominada por homens. The Bride Price (1976), The Slave Girl (1977), Kehinde (1994) e The new tribe (2000) são outros dos seus títulos de temática semelhante. Após trabalhar na Universidade de Londres e da Nigéria, regressou à capital britânica para estar perto dos seus filhos. Durante este período, Emecheta publicou The Joys of Motherhood ('As alegrias da maternidade', 1979), o seu romance de maior êxito, no qual reconsidera a maternidade na cultura africana. Como romancista e ensaísta, encontra-se entre os escritores mais prolíficos de África. Publicou romances para adultos, uma autobiografia, diversos ensaios e livros para meninos. Com a excepção da obra mais aclamada pela crítica, The rape of Shavi (1983), os seus romances foram escritos num estilo documentalista. Ao longo do seu percurso literária aprecia-se como Emecheta experimenta a técnica narrativa e a mulher, uma temática ignorada durante muito tempo por escritores masculinos africanos. Por tudo isso, conseguiu que a maioria da sua crítica tivesse sido, até ao momento, positiva.

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    Florence Onyebuchi Emecheta