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    A Pérola Que Rompeu a Concha -

    Nadia Hashimi

    Arqueiro
    2017
    458 páginas
    15h 16m
    ISBN-10: B0769YVM4D
    Português Brasileiro
    4.5
    1474 avaliações
    Leram1819Lendo82Querem2598Relendo0Abandonos34Resenhas312
    Favoritos13Desejados2598Avaliaram1474

    Filhas de um viciado em ópio, Rahima e suas irmãs raramente saem de casa ou vão à escola em meio ao governo opressor do Talibã. Sua única esperança é o antigo costume afegão do bacha posh, que permite à jovem Rahima vestir-se e ser tratada como um garoto até chegar à puberdade, ao período de se casar. Como menino, ela poderá frequentar a escola, ir ao mercado, correr pelas ruas e até sustentar a casa, experimentando um tipo de liberdade antes inimaginável e que vai transformá-la para sempre. Contudo, Rahima não é a primeira mulher da família a adotar esse costume tão singular. Um século antes, sua trisavó Shekiba, que ficou órfã devido a uma epidemia de cólera, salvou-se e construiu uma nova vida de maneira semelhante. A mudança deu início a uma jornada que a levou de uma existência de privações em uma vila rural à opulência do palácio do rei, na efervescente metrópole de Cabul. A pérola que rompeu a concha entrelaça as histórias dessas duas mulheres extraordinárias que, apesar de separadas pelo tempo e pela distância, compartilham a coragem e vão em busca dos mesmos sonhos. Uma comovente narrativa sobre impotência, destino e a busca pela liberdade de controlar os próprios caminhos.

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    Resenhas (312)Ver mais
    Juliana Esgalha picture
    Juliana Esgalha10/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Emocionante e realista

    Esse livro foi um choque e um grande ensinamento ao mesmo tempo pra mim. O livro narra história de duas mulheres em períodos históricos diferentes sobre suas vidas no Afeganistão, por aí a gente já imagina o que vem, né? Nós temos uma vaga noção de como a mulher é tratada nesses países através do que as vezes vemos na televisão, mas nem de longe sabemos como é essa realidade. Isso se dá muito em parte por conta até da religião – que tanto na vida de Rahima como Shebika deixou bem claro isso. A mulheres são vistas como meramente um objeto de troca, uma mercadoria, mas existe uma prática – que eu sabia bem por cima, mas não sabia que tinha nome e se chama Bacha Posh. Bacha Posh é uma prática cultural muito comum no Afeganistão em que literalmente as famílias escolhem suas meninas para transforma-las em meninos, principalmente famílias que não conseguiram ter filhos homens, Bacha Posch significa “vestido como um menino”. Então a menina muda o nome e começa a se comportar e a se vestir como um menino, e isso implica em uma ‘liberdade’ que as meninas de lá não tem: frequentar uma escola – que é o básico para nós, por exemplo, mas também “serve” pra escoltar as irmãs em público já que é uma desonra a mulher andar sozinha e a trabalhar também, geralmente são trabalhos braçais super pesados. “Às vezes, porém, é preciso desafiar as convenções, suponho. Às vezes, é preciso se arriscar quando se deseja muito alguma coisa.” Conforme vão crescendo e adquirindo as formas de mulher, algumas Bacha Posh podem “voltar” a identidade original, mas justamente porque muito em parte já estão com casamentos arranjados por suas famílias e isso muitas vezes causa um conflito de gênero nelas muito sério, até porque depois são meninas que se casam muito cedo e aí todos os ‘deveres’ mudam novamente. Bacha Posh é uma anulação de identidade e de gênero em troca de uma liberdade que deveria ser direito de qualquer um, principalmente quando se trata das mulheres no Afeganistão. Tem um livro que fala justamente sobre essa prática, chama “As Meninas Ocultas de Cabul” que está na minha lista mas ainda não li. O livro é intercalado entre as histórias de Rahima em tempos atuais e narrado em primeira pessoa e Shekiba – tempos já passados, contado em terceira pessoa. O livro aborda diversos temas e períodos históricos importantes para o Afeganistão e apesar de ser um país com uma cultura muito rica, as mulheres ainda são tratadas de uma maneira muito cruel. É um livro extremamente emocionante, realista e triste. Triste porque não há outra forma de ver como é a realidade de vida dessas mulheres, eu já li outros livros com esse mesmo tema: (O Caminho do Sol, Todas as Cores do Céu), mas sem dúvida esse livro foi muito mais impactante pra mim e ao mesmo tempo inspirador de ver a força das personagens. Leitura mais que recomendada, mas não é um livro leve e aviso desde já porque algumas pessoas estão procurando leituras mais suaves pra esses tempos tão loucos.

    58 curtidas

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    • 5 estrelas52%
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    Nadia Hashimi profile picture

    Nadia Hashimi

    Nadia Hashimi nasceu em Nova York, nos Estados Unidos. Seus pais deixaram o Afeganistão nos anos 1970, antes da invasão soviética, mas ela cresceu cercada por uma família numerosa, que manteve a cultura afegã como parte importante do cotidiano. Em 2002, visitou o Afeganistão pela primeira vez com os pais, e o passado e o interesse pela cultura e pela realidade das mulheres afegãs a motivaram a escrever histórias ligadas ao país. Nadia é pediatra e mora nos arredores de Washington com o marido, quatro crianças curiosas e roqueiras, dois peixinhos dourados e um papagaio-cinzento. Nadia Hashimi was born and raised in New York and New Jersey. Both her parents were born in Afghanistan and left in the early 1970s, before the Soviet invasion. Her mother, granddaughter of a notable Afghan poet, traveled to Europe to obtain a Master’s degree in civil engineering and her father came to the United States, where he worked hard to fulfill his American dream and build a new, brighter life for his immediate and extended family. Nadia was fortunate to be surrounded by a large family of aunts, uncles and cousins, keeping the Afghan culture an integral part of their daily lives. Nadia attended Brandeis University where she obtained degrees in Middle Eastern Studies and Biology. In 2002, she made her first trip to Afghanistan with her parents who had not returned to their homeland since leaving in the 1970s. It was a bittersweet experience for everyone, finding relics of childhood homes and reuniting with loved ones. Nadia enrolled in medical school in Brooklyn and became active with an Afghan-American community organization that promoted cultural events and awareness, especially in the dark days after 9/11. She graduated from medical school and went on to complete her pediatric training at NYU/Bellevue hospitals in New York City. On completing her training, Nadia moved to Maryland with her husband where she works as a pediatrician. She’s also a part of the “Lady Docs,” a group of local female physicians who exercise, eat and blog together. With her rigorous medical training completed, Nadia turned to a passion that had gone unexplored. Her upbringing, experiences and love for reading came together in the form of stories based in the country of her parents and grandparents (some even make guest appearances in her tales!). Her debut novel, The Pearl That Broke Its Shell was released in 2014. Her second novel, When The Moon Is Low, followed in 2015 and chronicled the perilous journey of an Afghan family as they fled Taliban-controlled Kabul and fell into the dark world of Europe's undocumented. She and her husband are the beaming parents of four curious, rock star children, two goldfish and a territorial African Grey parrot.

    9 Livros
    15 Seguidores
    Nova York, Estados Unidos da América

    Nadia Hashimi