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    Réquiem Para o Sonho Americano - Os 10 Princípios de Concentração de Riqueza e Poder

    Noam Chomsky, Noam Chomsky (Em Português)

    Bertrand Brasil
    2017
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788528621945
    Português Brasileiro
    4.3
    89 avaliações
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    Noam Chomsky lança a luz sobre a questão da ideologia utópica do neoliberalismo Em seu primeiro livro sobre a desigualdade de renda, Noam Chomsky faz uma análise crítica dos princípios fundamentais do neoliberalismo e lança seu olhar sobre os fatos econômicos da vida. Quais são os princípios de concentração de riqueza e poder operantes na América? Em Réquiem para o sonho americano, Chomsky dedica um capítulo a cada um desses princípios e acrescenta leituras de alguns dos principais textos que influenciaram seu pensamento para reforçar seus argumentos. O livro mais sucinto e bem-amarrado da longa carreira de Chomsky, Réquiem para o sonho americano se mostra um belo veículo para sua visão corajosa e intransigente, sua perspectiva sobre a realidade econômica e seu impacto no bem-estar político e moral dos Estados Unidos.

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    Doney Corteletti Stinguel11/10/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Lista de Livros: Réquiem Para o Sonho Americano, de Noam Chomsky

    Parte I: A MINORIA DOS OPULENTOS James Madison, o principal arquiteto da Constituição americana, uma pessoa que acreditava tanto nos princípios democráticos quanto qualquer outra pessoa do mundo naquela época, achou, no entanto, que a forma de governo dos Estados Unidos deveria ser moldada — e, por iniciativa dele, foi de fato o que aconteceu — de modo que o poder ficasse nas mãos dos ricos, porque os ricos seriam mais responsáveis, aqueles que se preocupariam com os interesses do povo em geral e não apenas com interesses locais. Portanto, a estrutura formal do sistema constitucional pôs a maior parte do poder nas mãos do Senado, lembrando que o Senado americano não era eleito naquele tempo. Aliás, isso só aconteceu há cerca de um século. Seus membros eram escolhidos por assembleias legislativas, tinham longos mandatos e eram selecionados apenas entre os ricos. Homens mais responsáveis. Pessoas que, nas palavras de Madison, tinham simpatia pelos proprietários de terras e seus direitos. E isso tinha que ser protegido. O Senado concentrava a maior parte do poder, mas também era o que se mantinha mais distanciado da população. A Câmara dos Representantes — cujos membros se conservavam mais perto do povo — exercia na política um papel bem mais fraco. Naquela época, o chefe do executivo — o presidente — estava mais para administrador, com alguma responsabilidade em relação à política externa e outros assuntos. Tudo muito diferente dos dias atuais. Uma questão importante era: até que ponto devemos permitir a verdadeira democracia? Madison discutiu isso com muita seriedade, nem tanto em “O federalista” — obra reunindo uma coleção de ensaios que eram uma espécie de propaganda política —, mas nos debates da Convenção Constituinte da Filadélfia, os quais são a fonte de informação mais interessante. Se lermos as atas dos debates, veremos que Madison afirmou que a maior preocupação da sociedade — de toda sociedade decente — deve ser a de “proteger a minoria opulenta contra a maioria”. Palavras dele. E ele tinha argumentos. Madison observou que o modelo que ele tinha em mente — o da Inglaterra, logicamente — era o do país mais moderno e da sociedade politicamente organizada mais avançada da época. Ele propôs que supuséssemos uma situação em que, na Inglaterra, todas as pessoas tivessem o direito de votar. Ora, com isso a maior parte dos pobres se reuniria e se organizaria para tomar as propriedades dos ricos. Os pobres realizariam o que chamaríamos hoje de reforma agrária: a divisão das grandes propriedades, bem como a dos estados de tradição agrícola, e dar ao povo suas terras, retirando essas terras daquilo que, não muito tempo atrás, tinha sido imposto pelo sistema de cercamentos. Com isso, os pobres votariam para retomar aquelas que haviam sido outrora terras comunitárias e se apropriar delas. E como, acrescentou Madison, obviamente isso seria injusto, não poderia ser permitido. Desse modo, o sistema constitucional tinha que ser estruturado de forma que impedisse a democracia — a “tirania da maioria”, tal como a denominavam às vezes — para assegurar que a propriedade dos opulentos não fosse atingida. * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/09/requiem-para-o-sonho-americano-os-dez.html XXXXXXXXXXXXXX Parte II: FABRICANDO CONSUMIDORES Estava claro e bem entendido que, na visão da elite, era necessário controlar as massas por intermédio de crenças e atitudes. Ora, uma das melhores formas de se controlar as possíveis atitudes das pessoas é com aquilo que o importante economista Thorstein Veblen denominou de “fabricação de consumidores”. Se for possível, fabricar necessidades e tornar indispensável à vida das pessoas a aquisição de determinados produtos, elas devem ser induzidas a cair na armadilha do consumo. Desse modo, quem lesse as páginas de jornais de negócios da década de 1920, veria artigos falando da necessidade de se induzir as pessoas a tomarem gosto por supérfluos, tais como “produtos da moda”, pois isso faria com que não incomodassem a elite. Aliás, Bernays realizou tamanhas façanhas na vida que vale a pena citá-las. A primeira delas foi fazer com que as mulheres passassem a fumar. Como as mulheres não fumavam naquela época, ele organizou grandes campanhas publicitárias — acho que foi para a Chesterfield, na década de 1930 — para convencê-las que fumar era o que chamaríamos hoje de atitude “chique”. Algo condizente com os tempos modernos e que a mulher livre deveria fazer, e por aí vai. Impossível calcular quantas dezenas de milhões de mortes podemos atribuir a esse sucesso. (Outro grande sucesso dele foi na década de 1950, quando trabalhava para a United Fruit Company, e convenceu as pessoas a derrubarem o governo democrático da Guatemala — pois seus políticos estavam ameaçando o controle que a empresa queria ter sobre a economia e a sociedade guatemalteca —, campanha que levou a mais de cinquenta anos de horrores e atrocidades.) Portanto, são conceitos e valores da elite que vêm permeando nossa história desde longa data. A indústria da publicidade teve um crescimento rápido com a busca desse objetivo — fabricar consumidores e induzir as pessoas a caírem na armadilha de um consumismo inescapável —, e isso é feito com grande sofisticação. A situação ideal é a que temos hoje quando, por exemplo, adolescentes com tempo livre numa tarde de sábado resolvem passear num shopping em vez de irem a uma biblioteca ou a outro lugar qualquer. Certamente, essas crianças sentem-se da seguinte forma: “Não terei conseguido nada na vida se eu não puder comprar mais um aparelho eletrônico.” A ideia é tentar controlar todos, transformar a sociedade inteira num sistema de consumo perfeito. O sistema perfeito seria uma sociedade que funcionasse como uma díade — isto é, aos pares. Essa dupla seria você e seu aparelho de televisão, ou talvez você com seu iPhone e a Internet. Procuram incutir na mente das pessoas imagens do que consideram uma vida ideal — quais os aparelhos que devem ter, o que fazer para preservar a saúde etc. Gasta-se tempo e esforço adquirindo coisas que não são necessárias — e que talvez até se jogue fora após algum tempo —, mas que são símbolo de uma vida digna. * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/09/requiem-para-o-sonho-americano-os-dez_6.html XXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte III: UM SENTIMENTO DE RAIVA DIFUSO “Existe mobilização e ativismo popular em nosso país, mas na direção de objetivos prejudiciais às próprias pessoas que deles participam. São coisas que estão tomando forma de um sentimento de raiva difuso — manifestações de ódio, ataques recíprocos, alvos vulneráveis. Irracionalidade de pessoas agindo contra seus próprios interesses — aliás, isso ocorre literalmente falando. Apoio a políticos cujo objetivo é prejudicá-las ao máximo. Estamos vendo essas coisas acontecerem bem diante de nossos olhos. Basta assistir à televisão e navegar pela Internet para ver esse fenômeno todos os dias. É o que acontece. Funciona como um agente de corrosão nas relações sociais, mas a finalidade é justamente esta. O objetivo é fazer com que as pessoas se odeiem e tenham medo umas das outras, que tratem de cuidar apenas de si e não façam nada por ninguém. Donald Trump, por exemplo. Faz muitos anos que venho escrevendo e falando sobre o perigo do surgimento, nos Estados Unidos, de um ideólogo carismático, alguém que conseguisse explorar o medo e o ódio que anda fervilhando, um perigo latente em grande parte da sociedade, enfim, alguém que fosse capaz de desviar esse sentimento para longe das verdadeiras causas de nossos males, canalizando-o na direção de alvos frágeis e inofensivos. Contudo, faz muitos anos também que esses perigos são reais, talvez ainda mais se considerarmos as forças que Trump desencadeou, até porque ele não se enquadra na imagem de um verdadeiro ideólogo. Na verdade, ele parece ter muito pouco de uma ideologia efetivamente pensada exceto pelo eu e meus amigos. Ele recebeu um apoio enorme de pessoas com raiva e ódio de tudo e todos. Tanto é assim que, sempre que Trump faz algum comentário horrível a respeito de alguém, sua popularidade aumenta. É uma popularidade assentada em sentimentos de ódio e medo. O fenômeno que estamos vendo aqui é de “ódio generalizado”. Em grande medida, por parte de pessoas brancas, da classe operária, de integrantes da baixa classe média, de pessoas que ficaram abandonadas e esquecidas durante o período do neoliberalismo. Elas atravessaram uma geração inteira de estagnação e decadência. E decadência, inclusive, no funcionamento da democracia, pois até mesmo a atuação política mal reflete suas preocupações e a busca da concretização de seus interesses. Tiraram tudo. Não existe crescimento econômico, só para uma minoria. Todas as instituições estão contra. Por isso, elas têm um desprezo imenso pelas instituições, principalmente pelo Congresso. Grande é a preocupação que elas têm de que estejam perdendo seu próprio país porque um “eles generalizado” está tomando conta de tudo. Essa forma de transformar em bode expiatório aqueles que são mais vulneráveis, juntamente com a ilusão de que estão sendo tratados com mimos e leniência pelas “elites liberais”, é algo bem conhecido, acompanhado de seu habitual cortejo com resultados dolorosos. Em vez disso, a resposta a esse estado de coisas é a manifestação de um ódio generalizado contra tudo e contra todos. As tendências a que nos referimos, que vão se materializando na sociedade americana, criarão, a menos que sejam revertidas, uma sociedade extremamente ruim para se viver. Uma sociedade cujos alicerces se assentarão na máxima vil de Adam Smith do “tudo para nós, e nada para os outros”, uma sociedade movida pelo Espírito de Época do “conquistar riquezas esquecendo-se de todos, exceto de si mesmo”, uma sociedade na qual os instintos e sentimentos, normais ao ser humano, como empatia, solidariedade, apoio mútuo, serão rejeitados. Não gostaria de ver meus filhos vivendo nesse lugar. Se uma sociedade se baseia no controle da riqueza privada, ela refletirá esses valores — valores de ganância e o aumento do ganho pessoal, em detrimento dos outros. Por enquanto, uma pequena sociedade movida por esse princípio pode ser horrível, mas consegue sobreviver. Porém, uma sociedade global baseada nesses princípios caminhará para uma destruição em massa.” * Mais em:

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    Avram Noam Chomsky

    Avram Noam Chomsky is an American professor and public intellectual known for his work in linguistics, political activism, and social criticism. Sometimes called "the father of modern linguistics"

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    Pensilvânia, EUA

    Avram Noam Chomsky