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    Noites florentinas -

    Heinrich Heine

    Carambaia
    2017
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788569002291
    Português Brasileiro
    3.9
    52 avaliações
    Leram66Lendo3Querem134Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos5Desejados134Avaliaram52

    Noites florentinas, de 1836, é um dos raros textos em prosa do poeta Heinrich Heine (1797-1856), expoente do romantismo alemão. Nesse curto romance, Heine transportou para a prosa a delicadeza de sua poesia, misturando lirismo a mordacidade e ironia. O livro começa com a chegada de Maximilian à casa de uma mulher enferma, Maria. Durante duas noites, ele irá distraí-la, contando algumas de suas histórias. Nada sabemos sobre as relações anteriores entre os dois, mas o autor desenha um sutil e ambíguo jogo de sedução enquanto se desenrolam as lembranças de Maximilian – que promete abrir seu coração à interlocutora. As narrativas de Maximilian se encadeiam como várias histórias dentro de uma. Elas transitam entre personagens da ópera, obras de arte, a paixão de Maximilian por estátuas e mulheres mortas, além de considerações espirituosas sobre os franceses, ingleses e alemães. Ao longo do texto, Heine encontra ocasião para visitar as camadas mais profundas do romantismo – a temática byroniana destacada pelo tradutor Marcelo Backes em seu posfácio. A presença da morte é insistente, a natureza se configura misteriosa e fantasmagórica, o fazer artístico tem dimensões sobrenaturais e até diabólicas. Embora o enredo se inicie com um mote semelhante ao das Mil e uma noites, a vigília da ouvinte falha, e o sono se mistura nebulosamente com a realidade. Além disso, as experiências amorosas de Maximilian se assemelham a uma busca pelo sublime, que nunca se completa.

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    Resenhas (4)Ver mais
    Tatiana Junger picture
    Tatiana Junger14/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Enredo nada, narrativa tudo

    A premissa é simples: uma mulher doente recebe a visita de um amigo, por duas noites consecutivas, durante as quais, para entretê-la, esse amigo dispara a relatar uma série de histórias de sua vida, começando na infância e progredindo para a vida madura. A forma pela qual Heine dá corpo a isso é que faz toda a diferença: com um pé no fantasioso, altas doses de crítica explícita e sarcasmo bem aplicado; também, com bela linguagem e descrições emocionantes de expressões artísticas, devendo eu destacar com especial carinho a passagem em que descreve um concerto de Paganini, tão bonito que emocionou.

    6 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 52
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Christian Johann Heinrich Heine profile picture

    Christian Johann Heinrich Heine

    Christian Johann Heinrich Heine foi um importante poeta romântico alemão de origem judaica, sendo conhecido como “o último dos românticos.” Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Brahms, Richard Wagner e, já no século XX, por José Maria Rocha Fereira, Hans Werner Henze e Lord Berners. Heine era também um talentoso jornalista político e com grande inteligência soube aliar arte e política em obras engajadas. O escritor é conhecido pelo seu sarcasmo e ironia, presente em seus poemas e textos, através dos quais Heine crítica a sociedade alemã. Influenciado pelos ideais da revolução Francesa, o escritor protestava contra o conservadorismo, principalmente na arte e na política, que ele considerava ultrapassado e hipócrita. Em oposição aos valores vigentes, seu objetivo político era trazer esclarecimento à sociedade e lutar contra a exploração humana, intensificada com o desenvolvimento industrial. Sua poesia lírica foi admirada por diversos artistas e filósofos, como Robert Schumann, Friedrich Nietzsche e, no Brasil, Machado de Assis e Castro Alves. Nietzsche o considerava como o primeiro artista da língua alemã.

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    Christian Johann Heinrich Heine