Noites Florentinas -

    Heinrich Heine

    Mercado Aberto
    1997
    124 páginas
    4h 8m
    ISBN-10: 8528004376
    Português Brasileiro

    Noites florentinas, de 1836, um dos raros textos em prosa do poeta Heinrich Heine (1797-1856), expoente do romantismo alemão. Nesse curto romance, Heine transportou para a prosa a delicadeza de sua poesia, misturando lirismo a mordacidade e ironia. O livro começa com a chegada de Maximilian à casa de uma mulher enferma, Maria. Durante duas noites, ele irá distraí-la, contando algumas de suas histórias. Nada sabemos sobre as relações anteriores entre os dois, mas o autor desenha um sutil e ambíguo jogo de sedução enquanto se desenrolam as lembranças de Maximilian – que promete abrir seu coração à interlocutora. As narrativas de Maximilian se encadeiam como várias histórias dentro de uma. Elas transitam entre personagens da ópera, obras de arte, a paixão de Maximilian por estátuas e mulheres mortas, além de considerações espirituosas sobre os franceses, ingleses e alemães. Ao longo do texto, Heine encontra ocasião para visitar as camadas mais profundas do romantismo – a temática byroniana destacada pelo tradutor Marcelo Backes. A presença da morte é insistente, a natureza se configura misteriosa e fantasmagórica, o fazer artístico tem dimensões sobrenaturais e até diabólicas. Embora o enredo se inicie com um mote semelhante ao das Mil e uma noites, a vigília da ouvinte falha, e o sono se mistura nebulosamente com a realidade. Além disso, as experiências amorosas de Maximilian se assemelham a uma busca pelo sublime, que nunca se completa. Tradução e prefácio de Marcelo Backes.

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    Tatiana Junger picture
    Tatiana Junger14/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Enredo nada, narrativa tudo

    A premissa é simples: uma mulher doente recebe a visita de um amigo, por duas noites consecutivas, durante as quais, para entretê-la, esse amigo dispara a relatar uma série de histórias de sua vida, começando na infância e progredindo para a vida madura. A forma pela qual Heine dá corpo a isso é que faz toda a diferença: com um pé no fantasioso, altas doses de crítica explícita e sarcasmo bem aplicado; também, com bela linguagem e descrições emocionantes de expressões artísticas, devendo eu destacar com especial carinho a passagem em que descreve um concerto de Paganini, tão bonito que emocionou.

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