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    Poe - Histórias Extraordinárias - Tales of the Grotesque and Arabesque

    Edgar Allan Poe

    [São Paulo] Abril Cultural
    1978
    434 páginas
    14h 28m
    ISBN-10: 8533204272
    Português Brasileiro
    4.5
    283 avaliações
    Leram464Lendo50Querem174Relendo2Abandonos23Resenhas14
    Favoritos50Desejados174Avaliaram283

    A base de toda a prosa de Poe apóia-se no fantástico das exacerbações da natureza humana: alucinações, cuja lógica ultrapassa a da consciência habitual; mentes inquietas e febris; personagens neuróticas; o duplo de cada homem. A impressão de realismo é criada dentro do irreal. Os cenários são brumosos, repletos de elementos de morte e fatalidade. O fatalismo e o mergulho no lado desconhecido da alma humana revelam uma vivência pessoal que fez de Poe num dos principais "escritores malditos" da Literatura Universal. A influência de Poe estendeu-se à poesia simbolista, à ficção científica, ao romance policial moderno e psicológico. Em 1848, "Contos do Grotesco e Arabesco" foi publicado na França como "Histórias Extraordinárias": -A queda da casa de Usher -O barril de Amontillado -O gato preto -Berenice -Manuscrito encontrado numa garrafa -William Wilson -Os crimes da rua Morgue -O mistério de Marie Rogêt -A carta roubada -Metzengerstein -Nunca aposte sua cabeça com o diabo -O poço e o pêndulo -A aventura sem paralelop de um tal Hans Pfaall -O escaravelho de ouro -Uma descida no Maelstrom -O jogador de xadrez de Maelzel

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    Resenhas (14)Ver mais
    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva28/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Já perdi a conta de quantas vezes li as histórias desse livro

    Curiosamente, só agora fui perceber a real importância dessa obra para a cultura ocidental!!! Edgar Allan Poe é um nome único na literatura mundial. Foi o inventor da história policial (inaugurada com “Os Crimes da Rua Morgue”), precursor da ficção científica e fantástica, e alçou as histórias sobrenaturais a um novo patamar, dando-lhes a estrutura básica que passaram a ter desde então. Influenciou grandes nomes como Júlio Verne, H. G. Wells, Hermann Melville, Oscar Wilde, Kafka e muitos outros. Charles Baudelaire o considerava uma “alma irmã” e foi um dos grandes responsáveis por sua divulgação. Arthur Conan Doyle imitou-o desbragadamente ao elaborar seu imortal Sherlock Holmes. Resumindo: Poe é o cara!!! “Histórias Extraordinárias” foi originalmente publicado como uma coletânea de contos chamada “Tales of the Grotesque and Arabesque”. Foi Baudelaire, ao traduzir para o francês, que adotou o título “Histoires Extraordinaires”. A cada vez que li esse livro, foi com uma edição diferente, e a cada vez o número de histórias incluídas variou. Creio que essa “folga” dos editores decorre do fato das obras de Poe já serem de domínio público... A leitura que fiz dessa vez foi especialmente rica, pois creio que pude mergulhar um pouco mais no homem por detrás da obra, na mente tão única que concebeu essas “histórias extraordinárias”! Conhecer a vida de um autor sempre contribui para uma maior compreensão de sua obra, e Poe não é exceção. Sua vida foi marcada por azares e sofrimentos, dentre os quais o principal foi o alcoolismo que acabou por levá-lo precocemente para a sepultura. O alcoolismo de Poe (e possivelmente também o consumo de ópio) são essenciais para a gestação de suas histórias de sonho e pesadelo. Creio que muitas de suas tramas surgiram em intensos estados de intoxicação. O que não tira em nada o seu brilho... (mas não deixa de ser curioso que o próprio Poe alegasse seguir um rigoroso método de composição, e inclusive publicou um manual de escrita que foi considerado totalmente impraticável por um escritor do porte de Scott Fitzgerald). A viagem que fiz nessa leitura foi a seguinte: Poe olhou nos olhos do Abismo, do grande Irracional. Esse encontro marcou sua profundamente sua obra, dividindo-a em duas vertentes principais: a história policial e a história de horror. A história policial é a tentativa de impor a razão sobre o caos, de fazer a luz vencer as trevas. À desordem e violência do crime de morte, opõem-se o racionalismo e o método do detetive, o herói incumbido de elucidar o mistério e fazer voltar a ordem que reinava antes da abrupta intervenção do caos (o assassinato). O detetive das histórias de ficção surge como o guerreiro da razão em um universo que se apresenta como irracional. A história de horror, por outro lado, nasce da desistência de enfrentar o irracional: é a rendição ao caos, ao inexplicável, ao icognoscível. Que Poe tenha surgido quando surgiu não pode ter sido mero acaso: em meados do século XIX, a reboque do cientificismo e das transformações promovidas pela Revolução Industrial. Por um lado as histórias de Poe refletem a crença de que a razão humana será instrumento suficiente para elucidar todos os mistérios do Universo (e daí a figura do detetive). Por outro, refletem o vazio e o nihilismo que foram a herança maior do século XX, numa época em que as máquinas e a ciência prometiam tornar a existência de Deus algo supérfluo (tiraram Deus do trono, mas colocaram o quê no lugar?). A história de horror só faz sentido em uma sociedade tecnológica e irreligiosa. Caramba, viajei muuuuito nessa leitura!!! Agradeço à querida Bruna por esse inestimável presente!!! (21.01.10)

    25 curtidas

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    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas2%
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    Edgar Allan Poe profile picture

    Edgar Allan Poe

    Segundo filho de David Poe e Elizabeth Arnold, ambos atores, Edgar Poe ficou órfão ainda criança e foi adotado por um casal rico de Richmond, Virgínia, Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Isso lhe permitiu ter uma educação de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Escócia e Irlanda com os pais adotivos. Regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientação dos melhores professores dessa época. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligência quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola. A seguir, verificou-se um período ainda pouco esclarecido na vida de Poe, no qual se registram viagens fora dos Estados Unidos. Retornou a seu país em 1829 e manifestou desejo de seguir a carreira militar. Foi admitido na célebre Academia de West Point, mas acabou expulso poucos meses depois por indisciplina. Com a morte da mãe adotiva, John Allan voltou a casar-se, com uma mulher muito jovem que lhe deu dois filhos. Isso impediu que Poe se tornasse herdeiro da fortuna paterna e ele se afastou da casa do pai adotivo, deixando Richmond. Após um período de relativa dificuldade, conheceu uma certa prosperidade ao vencer simultaneamente os concursos de conto e poesia promovidos pela revista "Southern Literary Messager". O fundador da publicação, Thomas White, convidou-o a dirigir a revista que rapidamente se impôs ao público. Durante dois anos, Poe esteve a frente do periódico, onde pôde exibir seu talento, que se manifestava num estilo novo, no conto e na poesia, bem como pelos artigos de crítica literária que revelavam seu rigor e sensibilidade estética. Escritor bem-sucedido, Poe casou-se com Virginia Clemm. Entretanto, ao fim de dois anos, White cortou relações com o escritor, que já desenvolvera a doença do alcoolismo. Poe passou a produzir como "free-lancer", em grande quantidade, mas sem ganhar o suficiente para manter uma vida digna e saudável, o que o levou a afundar-se ainda mais na bebida. A morte de sua mulher agravou o problema. O escritor passou a suicidar-se aos poucos, bebendo cada vez mais e já sofrendo os primeiros ataques de delirium tremens. Numa viagem a Nova York, para tratar de negócios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna onde se distraiu durante horas bebendo com amigos. Era a noite de 6 de outubro de 1849. O escritor morreu na madrugada do dia 7, aos 40 anos. Hoje Poe é um escritor estudado e cultuado em todo o Ocidente. Entre suas obras destacam-se: The Raven (O Corvo, poesia, 1845), Annabel Lee (poesia, 1849) e o volume Histórias Extraordinárias (1837), onde aparecem seus contos mais conhecidos, como "A Queda da Casa dos Usher", "O Gato Preto", "O Barril de Amontillado", "Manuscrito encontrado numa Garrafa", entre outros, considerados obras-primas do terror.

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