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    Farabeuf -

    Salvador Elizondo

    Amauta Editorial
    2004
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 8590393127
    Português Brasileiro
    4
    7 avaliações
    Leram12Lendo2Querem13Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados13Avaliaram7

    Farabeuf é a anti-novela, onde a história se perde nas experiências da língua e onde os personagens se confundem, se questionam e deixam de existir para serem meras palavras no papel. Salvador Elizondo é considerado um dos mais importantes escritores de vanguarda do México e da América Latina. Renovador fundamental da narrativa, ele criou um universo da escritura cujo objetivo não é contar uma história ou entreter o leitor, sua escritura só tem como resultado a subversão, a subversão de si mesma. Farabeuf mistura cirurgia, tortura e coito. Os três acontecendo ao mesmo tempo, criando um livro sinistro, perturbador e confuso. A descrição de uma terrível tortura, na qual um homem (ou talvez uma mulher?) é cortado em cem pedaços até a morte, causa horror e repulsa mas, ao mesmo tempo, ela pode levar uma mulher ao êxtase sexual e à necessidade urgente de repetir o ritual sangrento, entregando-se morta ao homem amado. Considerado um "maldito" na América Latina (agora que o termo volta à moda no Brasil), Elizondo possui uma pequena mas desconcertante obra, onde o experimentalismo e a inventividade ocupam lugar destacado Farabeuf, escrito em 1966, é publicado pela primeira vez no Brasil seguindo a proposta da Amauta Editorial de trazer para a língua portuguesa obras inéditas de qualidade do mundo hispânico.

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    Egberto Guillermo Lima Vital27/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Farabeuf", de Salvador Elizondo, é uma obra literária que desafia as fronteiras da compreensão convencional, mergulhando o leitor em um abismo de palavras onde a narrativa se dissolve, redefinindo a própria essência da escrita. Este não é um romance para ser absorvido passivamente, mas uma experiência intelectualmente desafiadora que transcende os limites da linguagem. Elizondo, ousadamente rotulado como um "maldito" na literatura latino-americana, tece uma trama surreal onde cirurgia, tortura e coito convergem em uma dança visceral de imagens perturbadoras. A narrativa não se desenrola; ela se fragmenta, desconstruindo personagens que se transformam em meras sombras de palavras, questionando sua própria existência no papel. O autor, um arquiteto da subversão, não busca entreter, mas sim provocar a mente do leitor a se entregar a uma dança caótica de pensamentos. Cada página é uma incursão ao desconhecido, onde a linguagem, muitas vezes, transcende seu propósito comunicativo para se tornar um labirinto autônomo de significados e possibilidades. A mescla de horror e êxtase, enquanto um homem é despedaçado até a morte, desafia as convenções morais, levando a uma dualidade perturbadora entre repulsa e fascínio. O autor manipula as palavras como um cirurgião, cortando a trama em cem pedaços, desafiando o leitor a reconstituir o significado em meio à dissonância. "Farabeuf" não é apenas uma obra, mas um desafio à própria natureza da escrita. Uma ode à subversão, à experimentação, e ao desconcertante prazer da mente em expansão diante do desconhecido. Elizondo, nesse ato literário de rebeldia, convida-nos a abandonar as amarras da compreensão tradicional, a adentrar o abismo e a abraçar a incerteza.

    1 curtida

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    4 / 7
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas0%
    Salvador Elizondo profile picture

    Salvador Elizondo

    A figura de Salvador Elizondo, narrador mexicano que configurou um mundo literário complexo e singular, relacionado às grandes correntes europeias, representa no contexto da literatura mexicana do século XX um dos projetos mais ambiciosos. Estudou nas universidades de Ottawa, Perugia, Paris e Cambridge, na Universidade Nacional do México e na Escola Nacional de Artes Plásticas La Esmeralda. Originalmente inclinado à pintura, depois de praticar o jornalismo cultural, ingressou formalmente no mundo das letras com o volume de versos Poemas (1960). Anos mais tarde, seu interesse pelo gênero poético produziria títulos como Caderno de Escrita (1969) e Museu Poético (1975), embora estivesse destinado a se destacar como romancista. Influenciada pelos surrealistas e figuras como Jorge Luis Borges e William Faulkner, a narrativa de Elizondo manifesta uma predileção pelo imaginativo, pelo erótico, pelo mágico e pelo violento. Seu romance Farabeuf ou a crônica de um instante (1965), romance pelo qual ganhou o Prêmio Xavier Villaurrutia, rigoroso e penetrante, de linhagem sádica, explora a fronteira entre prazer e dor; o livro colocou o autor entre os escritores mexicanos de primeira linha. Sua escrita abrange todos os gêneros literários – poesia, contos, romances, peças teatrais, ensaios, autobiografia, diário, caderno de anotações – embora acabem transpondo seus limites. Elizondo realizou experimentos relacionados no romance The Secret Hypogeum (1968) e nos volumes de contos Narda or the Summer (1966) e The Portrait of Zoe and Other Lies (1969). Em 1988 publicou Elsinore, uma história de maior neutralidade que as anteriores, mas de grande força evocativa. Na opinião de Emilio Carballido, Salvador Elizondo abriu novas possibilidades para as letras mexicanas "ao introduzir o mistério alucinante e mórbido, o jogo da ambiguidade e a presença intercambiável da perversão, do horror e da beleza". Além da criação literária, estudou e praticou a pintura, como seu primeiro impulso artístico. Aventurou-se no cinema, com a criação do filme experimental Apocalypse 1900 (1965). Editou duas das revistas mais emblemáticas para entender o ambiente cultural dos anos 1960: S.nob e New cinema. Conhecedor de vários idiomas, traduziu textos do francês, inglês, alemão e italiano para o espanhol. Foi conselheiro da Escola de Escritores Mexicanos, professor da Universidade Nacional Autônoma do México, membro do Colégio Nacional e da Academia Mexicana de Línguas. Elizondo pertence a uma geração de escritores que deu uma guinada na tradição literária mexicana pela relação que estabelece entre o gesto criativo e o que chamamos de “realidade”. Os nomes de Salvador Elizondo, Juan García Ponce, José de la Colina, Sergio Pitol, Inés Arredondo, entre outros, significam a virada da literatura mexicana para o olhar do mundo da subjetividade, das realidades interiores. Adolfo Castañón reconhece neles "uma geração mexicana de narradores eminentemente atentos ao trabalho da vida interior para o qual o realismo e o naturalismo são objeto de suspeita espontânea". Dermot Curley, por sua vez, caracteriza particularmente a obra de Elizondo como "um distanciamento da realidade objetiva e uma aproximação cada vez mais próxima de um universo subjetivo e autorreflexivo". Com efeito, desde o início de sua carreira, Elizondo deixou claro que seu trabalho foi determinado pelo reconhecimento de uma oposição fundamental: a realidade objetiva e a realidade subjetiva (aquela que nos habita no universo mental na forma de uma ideia, memória, sonho ou imaginação). Nessa lógica, há uma leitura que marca o modo como o autor assume o exercício literário: como uma busca para fazer transcender o mundo que nos habita na página escrita. O questionamento, porém, surge quando se pensa na confiabilidade dessa operação, pois nesse processo de "tradução" algo se perderá em essência. A aposta do escritor está, então, em enfrentar as condições impostas para tentar fazer a ponte entre o mundo interior e sua realização na palavra escrita, ou seja, entre o homem, a linguagem e a escrita.

    1 Livro
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    Cidade do México, México

    Salvador Elizondo