Daphne Wade é uma antiquária, especialista em escavações arqueológicas, que trabalha há precisamente 5 meses na herdade de Anthony, o Duque de Tremore.
É também há 5 meses que ela está apaixonada por ele...
Ela come, dorme e respira Anthony Courtland. Qualquer trabalho que ele lhe peça ela faz com uma dedicação proporcional ao desejo que ela tem de que ele veja nela mais do que uma funcionária. Ao mesmo tempo ela não faz nada para atrair a atenção dele. Ela vive escondida atrás de uns óculos, uma bata horrível e disforme e quando está perto dele ela não consegue sequer articular uma frase com sentido. Quando não está perto dele e tentando agradá-lo ela o observa às escondidas quando ele está trabalhando nas escavações... em tronco nu. Ele é um sonho, um sonho que ela sabe que não está ao seu alcance, mas ainda assim um sonho perfeito e maravilhoso que ela gosta de sonhar.
Eu disse "sonho perfeito e maravilhoso"?? esqueçam! Quando Daphne descobre o que ele pensa dela, quando ela descobre que ele a considera uma máquina, totalmente desprovida de atributos e que sobressai tanto como um inseto num galho de uma árvore, ela passa a odiá-lo e se demite!
A irmã de Anthony, Viola, contribui bastante para isso, porque quando ela visita o irmão e conhece Daphne gosta dela imediatamente e considera um desperdício que uma moça como ela, aos 24 anos não esteja já casada e precise trabalhar para se sustentar. Então ela tenta convencer Daphne a passar a temporada com ela em Londres, para participar de algumas festas e bailes e quem sabe encontrar alguém de quem ela possa gostar e com quem possa se casar. Inicialmente Daphne não considera a proposta mas quando ela ouve Anthony proferir tais ofensas à sua pessoa, ela aceita de imediato ir com Viola para Londres.
Anthony fica desesperado quando Daphne lhe pede demissão. Não há ninguém melhor que ela para trabalhar nas escavações e ele tem um museu para inaugurar dentro de pouquíssimo tempo. Ele não sabe o que fazer para convencê-la a ficar, sobretudo porque a apagada, compenetrada e submissa Miss Wade desapareceu como por magia e no lugar dela está agora uma mulher rebelde, atrevida e intransigente. Ele não sabe de onde aquela mulher saiu, porque ao longo de 5 meses ela foi quase um robô que obedecia a tudo o que ele pedia e mal abria a boca. Quando abria a boca era para gaguejar.
Viola parte de casa do irmão com a promessa de receber Daphne em sua casa e sugere que ela fique por um mês nas escavações para que Anthony possa arrumar um substituto. Ao irmão ela deixa uma mensagem, que não foi exatamente essa, mas cujo sentido é o mesmo: com vinagre não se apanham moscas... Então Anthony passa a se munir de todas as armas ao seu alcance para ir esticando o tempo de permanência de Daphne no emprego, sem saber que está conduzindo a si mesmo para uma armadilha. Daphne sabe o que ele pensa dela e sabe que ele é um falso que está usando de truques para que ela fique e ele bem pode tentar que não vai conseguir nada dela! Inicialmente ele começa apenas por ser gentil, por usar palavras que nunca antes usara como "por favor" e "obrigado", tudo com segundas intenções. Porém, o feitiço se vira contra o feiticeiro no dia em que ele vê Daphne parada no jardim debaixo de uma tempestade, não fazendo qualquer esforço para sair da chuva, de braços abertos e cabeça erguida para os céus, parecendo uma ninfa das águas...
... O patinho feio é afinal um belo cisne (mas um cisne que agora quer voar para bem longe do duque, rsrs) e Anthony se vê desejando a última mulher que ele supunha que pudesse lhe despertar interesse. A partir daqui o livro, que já estava interessante, fica ainda melhor e vai melhorando cada vez mais até nos deixar ora sem fôlego, ora sorrindo que nem bobas. O leitor vai se deliciando com os espirituosos diálogos entre Daphne e Anthony e as sucessivas tentativas de aproximação dele, que culminam num torturante jogo de sedução. Todo o desenvolvimento do romance acontece sem pressas, o que me agradou bastante, porque o torna convincente. A capa, com uma linda rosa, tem tudo a ver com a história, mas só a partir da página 256 eu comecei a entender isso. E o final é soberbo. Me fez lembrar os finais da Judith McNaught. A história é maravilhosa e recomendadíssima. Não esperava que fosse tão boa. 5 estrelas sem qualquer hesitação!
P.S. - Não posso deixar de referir Dylan Moore, grande amigo do duque, que é um personagem super divertido, amoroso e que nos conquista quase de imediato. Eu ri horrores com ele e comecei a suspeitar que ele seria mocinho em algum dos outros livros da série. Fui investigar e ele é o mocinho do 2º livro que, lamentavelmente, ainda não existe em português. Tudo indica que toda a série será maravilhosa!