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    As intermitências da morte -

    José Saramago

    Companhia das Letras
    2017
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788535930344
    Português
    4.3
    14690 avaliações
    Leram22034Lendo2093Querem17650Relendo55Abandonos1053Resenhas1767
    Favoritos527Desejados17650Avaliaram14690

    Depois de séculos sendo odiada pela humanidade, a morte resolve pendurar o chapéu e abandonar o ofício. O acontecimento incomum, que a princípio parece uma benção, logo expõe as intrincadas relações entre Igreja, Estado e a vida cotidiana. "Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. E foi nela que o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel da Literatura buscou o material para seu novo romance, As intermitências da morte. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não para de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana. A caligrafia da capa é de autoria do escritor Valter Hugo Mãe.

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    Andre Trovello picture
    Andre Trovello07/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Perdidamente apaixonado pela morte (título sensacionalista)

    *Capítulo 1: A descoberta* Minha experiência com esse livro foi, no mínimo, inusitada. A primeira vez que ouvi falar dele foi no canal da Mel Ferraz (merchan gratuito, Mel me patrocina, por favor) e já amei a ideia de um livro sobre o que aconteceria se a morte parasse de trabalhar. POOORÉM, fiquei super inseguro com a questão da linguagem, já que não tinha lido nada do autor e Saramago é um dos pioneiros em surtos e ressacas literárias na língua portuguesa, traumatizando leitores de todas as etnias e nacionalidades. Entretanto, fui forçado a ler pela gerente da minha conta bancária, visto que já tinha pago 40 reais naquele artefato amaldiçoado, então minha morte financeira já havia sido encaminhada via Amazon, não me deixando escolha senão ler. E foi assim q se iniciou minha jornada de encontro à ceifadora de almas. *Capítulo 2: O empecilho* Se a morte tirou férias no livro, quem decidiu me matar foi a escrita do autor. Segundo pesquisas de alguns historiadores do MIT (Minha Imaginação Tosca), Saramago morreu sem saber o que era um parágrafo ou um ponto final. Parentes próximos relatam que ele costumava ter pesadelos onde fazia o enem e era obrigado a resumir todas as suas ideias em apenas 30 linhas. Tudo isso se traduz nos seus livros: frases infinitas, separadas por nada além de vírgulas, diálogos no meio do texto, etc; todas aquelas coisas que te ensinaram a NÃO fazer nas aulas de redação e que me fizeram criticar mentalmente o homem que leva seu nome na capa da obra. Aí está então, o embate do século: De um lado, um vencedor do prêmio Nobel da literatura e, do outro, o dono de um perfil humilde no Skoob. Só o tempo dirá quem está correto... *Capítulo 3: Dona Morte, me adota* Comecei a ler e esqueci de todo o resto. De repente, toda aquela escrita confusa q foi alvo de críticas no último capítulo fazia total sentido, dando dinamismo e fluidez à historia (me perdoa Saramago, eu estava errado). O enredo se inicia brilhante, mostrando os efeitos da ausência da morte em nossas vidas, mas foi a segunda parte da obra que fez ela entrar pra minha lista de favoritos. Toda a jornada da Morte pra matar aquele homem que já devia ter morrido me prendeu demaisss e foi bem emocionante, além de engraçada. As últimas 3 páginas desse livro são uma das coisas mais maravilhosas q já li, não sentia nada parecido desde o final de "A hora da estrela". A partir de hoje, quem não gosta da dona Morte não é meu amigo. Sério, brincadeiras à parte, leiam esse livro, é fantástico. E que venham novas obras do autor. VIVA SARAMAGO!

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