O monstruoso estaria focalizado naquele que olha ou na existência de um outro corpo , que nos fascina e nos repugna ao mesmo tempo? Nesse sentido, Todos os monstros da Terra - bestiários do cinema e da literatura nos convida a degustar uma semiotização com base na psicanálise que entende o monstruoso como signo, portento ou prodígio, mas, também, como indício de futuro. Esses significados revelam o alto grau de semioticidade do corpo dos monstros e de sua função essencial e paradoxal, que é sinalizar e mostrar algo, mesmo que a sociedade procure escondê-los e marginalizá-los. Adriano Messias redime o monstruoso como um corpo que expressa diversidade. Nesse sentido, a problemática do monstro nunca termina- ele aparece e volta a aparecer, e, em cada nova metamorfose, mostra-se o melhor e o pior de cada sociedade e época. Assim, o monstruoso não é só produto da imaginação, mas um signo que marca os distintos momentos críticos do processo social e político das culturas.
Todos os Monstros da Terra - bestiários do cinema e da literatura
Adriano Messias
Pensa em um monstro...
...estão todos lá! "Todos Os Monstros da Terra..." foi a tese de doutorado de Adriano Messias que virou livro e ganhou o 3º lugar do 59º Prêmio Jabuti (categoria comunicação). É um trabalho ACADÊMICO, uma investigação de fôlego, minuciosa, que traz insights profundos e faz paralelos com a psicanálise. A.M.E.I. a leitura de maneira geral, mas confesso que a segunda e terceira partes da obra não me fascinaram como a Parte 1, que é mais ligada a História, mitologia e antropologia (mais abaixo, eu explico melhor essas três partes). De qualquer forma, como esta obra é uma tese de doutorado que virou livro (portanto, como já escrevi, é um livro acadêmico), impossível ler com displicência, de um jeito superficial. É uma obra densa, com palavras muitas vezes pouco coloquiais. Às vezes, a quantidade de idem, ibidem, apud, cf., e os muito frequentes sobrenomes com ano de publicação - p.ex. (Vincenzo Natali, 2009), (Lenne, 1974, p. 31), (cf. Dadoun, 2000, p. 158) etc - podem cansar um pouco, mas claro que não desmerecem a obra. Há que se estar ciente da proposta da mesma. Para estudantes do tema, é leitura obrigatória! O trabalho é dividido em 3 partes: - UMA ARQUEOLOGIA DOS MONSTROS - O FANTÁSTICO NO CINEMA - O FANTÁSTICO NO CINEMA PÓS-2001 Como disse, gostei mais da primeira parte do trabalho, em que ele ainda não está falando diretamente do cinema. Nesse primeiro corpus da obra, Messias aborda a História dos monstros, partindo da antiguidade e percorrendo diversos mitos e questões antropológicas até chegar aos nossos dias. Fala de monstros no mundo antigo, de Polifemo e Cila, de Circe, dos horrores e medos do medievo, aborda animais domésticos e selvagens, investiga a mulher como monstro, lembra das melusinas e mães dágua, pesquisa o gótico, o grotesco e o quiroptérico, fala dos perigos do mar e da estranheza das Américas, descreve os bestiários no Novus Mundus e o bestiário brasileiro, investiga o monstro nas Luzes europeias e os assustadores contos de fadas. Discorre também sobre o bicho-papão, a serpente visceral, os invasores de corpos e o corpo monstruoso nos oitocentos. Enfim, esta primeira parte traz assuntos interessantíssimos: ocupa a metade do livro e foi a parte que mais gostei. A segunda parte já fala do monstro no cinema. Os tópicos principais são: a avant-garde dos estudos sobre o fantástico na França, a narrativa cinematográfica, a origem e percurso do cinema fantástico, as soirées parisienses, os pré-cinemas, o trem dos Lumière, a Viagem à Lua de Méliès, os vampiros de Louis Feuillade, o fantástico americano antes e durante os anos de 1920, animações dentro e fora do Brasil, a revolução Disney, o fantástico na Alemanha, narra os anos de 1930 até 1990 e conclui com o cinema fantástico no século XXI: remakes, mockdocumentaries, os filmes de violência gratuita e o 11 de setembro, O último corpus analisa alguns filmes específicos. Gostei muito de algumas análises, outras não me interessaram tanto, mas são todas bem elaboradas e complexas. Para discorrer sobre a fantasfera cinematográfica atual, Messias divide os filmes em tópicos que considera mais presentes no âmbito do bestiário do século XXI. São, sinteticamente: Zumbis, Alienígenas, Criaturas biotecnológicas, Quimeras do contemporâneo, Seres crepusculares, Fantasmas e Demônios. Trabalho fabuloso! Abaixo, informo o link do Canal do Youtube TVPUC, com o vídeo em que Adriano Messias explica sua obra.
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