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    Lições Introdutórias à filosofia analítica da linguagem - (Primeira Parte)

    Ernst Tugendhat

    Unijui
    1992
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9788574295237
    Português Brasileiro
    4.3
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    j. henrique23/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma robusta introdução à filosofia

    A concepção de filosofia que Tugendhat desenvolve nessa obra faz com que o título do livro pareça redundante. Falar de uma filosofia analítica da linguagem, aqui, não indica uma análise linguística como um mero ramo da filosofia. Pelo contrário, o filosofar analítico-linguístico (a filosofia não existe de maneira estanque, mas sim como uma atividade), foi exposto pelo escrutínio da história como o filosofar, até então, triunfante. O modo de filosofar paulatinamente descoberto - ou inventado - pelo autor no decorrer das lições só pode se apresentar com o confronto com outros modos de filosofar. Muito embora, não é assumida uma existência prévia de uma filosofia analítica da linguagem para que se faça esse contraste. O que existe é uma ideia vaga de como o método de análise da linguagem seria, ou vem sendo, aplicado na filosofia. É com essa ideia que a construção do filosofar dialogará. A aplicação da análise da linguagem na filosofia não é coisa nova. A novidade reside no caráter final de uma análise linguística, que sempre foi utilizada como um meio para atingir as coisas, e para filósofos da linguagem, como o Wittgenstein do Tractatus, todos os problemas da filosofia podem ser resolvidos através da análise lógica da linguagem. A maneira como Tugendhat conduz as lições, justificando o triunfo da semântica formal sobre a ontologia e confrontando o filosofar analítico-linguístico com outras abordagens, como a filosofia da consciência, faz o livro funcionar como uma obra robusta de introdução à filosofia. Tugendhat ainda amplia a análise linguística das sentenças assertóricas em direção a um igual cuidado com as sentenças intencionais e imperativas, que constituem a sua concepção paulatinamente desenvolvida de filosofia prática. O resgate do cuidado com a ética, ou filosofia prática, como se queira chamar, se dá por via de uma análise sentencial, como a análise das sentenças de intencionalidade proferidas. O modo como Tugendhat conduz essa análise toca questões como a da liberdade humana e determinismo, desembocando em perguntas práticas implícita ou explicitamente conectadas com expressões tipicamente éticas como "o melhor" e "bom". A preferência a algo por ser bom ou melhor tem como base razões objetivas, e não meros gostos subjetivos, visto que precisam ser justificados, fundamentados, assim, quando perguntamos a alguém sobre o que é aconselhável fazer, estamos perguntando o que é racional fazer, diz Tugendhat. Razão, que é chamada pelo autor de "capacidade para legitimação absoluta" (justificação), que existe apenas em relação a enunciados. A efetivação concreta da questão prática fundamental é, ao final, definida como a tarefa filosófica mais importante.

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